E se você fosse educado num colégio feito preferencialmente para gays? Exclusivamente seria, a meu ver, inviável.
Suponhamos que no futuro um pouco distante isto fosse uma realidade: dezenas de colégios e faculdades País afora com maioria de estudantes gays assumidos. Os heterossexuais estariam ali pelo único motivo que consigo imaginar agora: menor preço e qualidade de ensino. Sim, porque, para este futuro ser possível, tais instituições haveriam de zelar pela reputação, fiscalizando os ambientes propícios a "irreverências", tais como: banheiros e pátios, punindo os deslumbrados infratores.
A gente sabe que essa fama de os homossexuais levarem tudo para o lado do sexo é um tanto desmedida e supervalorizada pelos homofóbicos, mas seria uma liberdade tentadora e sem precedentes para quem está acostumado a ser maioria apenas nos guetos da vida.
Por outro lado, não seria nada mal imaginar que o convívio diário e ao lado de homossexuais por, pelo menos, uns cinco anos, num espaço educacional público, pudesse formar heterossexuais mais flexíveis. Minoria por lá, certamente seriam. O mercado de trabalho seria mais tolerante. Poderíamos deparar com uma travesti, Juíza de Direito, conduzindo a sua audiência originada por uma ação de divórcio litigioso movida por um casal homossexual preocupado com a partilha dos bens - a esta altura, a nossa Constituição já reconheceria como entidade familiar a união estável entre duas pessoas, independentemente do sexo.
Utopias à parte, a realidade é que, em Campinas, interior de São Paulo, foi inaugurada a primeira escola gay do Brasil. O ensino não é aquele convencional de um colégio. Funciona mais como  "centros culturais" e os cursos são livres, gratuitos e totalmente voltados à cultura gay: canto e coral, dança, web TV e mais quatro. Os alunos são submetidos a testes de seleção e 54 jovens já foram confirmados. Segundo o presidente da ONG que conduz o projeto e um dos diretores da escola - a drag-queen Lorehn Beauty - houve muitos interessados. Os cursos serão custeados pela parceria firmada entre o Grupo E-Jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados - ONG de apoio à diversidade sexual -, o Estado de São Paulo e o Ministério da Cultura. Que poder, em?

Mas e você? O que achou do projeto?
Fonte da informação: site r7notícias.

6 comentários:

  1. Quando começou-se a falar sobre o assunto, eu pensei que fosse um colégio convencional, só depois que eu vi que era, como vc disse, mais como um centro cultural. Só uma coisa que eu ainda não sei: Os alunos que frequetarão essa escola, continuarão estudando em escolas convencionais, ou não?
    Em todo o caso, mesmo que tenha sido uma ideia com bom propósito, eu não acho que necessário isso.
    Acho que é um retrocesso, como, por exemplo, antigamente os negros eram vistos como um ''grupo de pessoas a parte'', hoje não são mais vistos assim. Se tivesse, nos dias de hoje, uma escola dessas para negros seria um absurdo, um retrocesso.
    Já os gays estão tirando agora isso de ser um grupo de pessoas a parte, e com essa escola, se fizesse sucesso, a sociedade talvez voltasse a ver os gays como um grupo a parte. Com essa escola, tenho a impressão que os gays perderiam tudo o que já conseguiram socialmente. Porque o movimento GLBT não tem como propósito principal fazer os gays serem vistos como diferentes, como pessoas que precisam frequentar lugares diferentes; e sim fazer os gays serem vistos como igual a qualquer outro ser humano.
    Não sei se consegui me expressar claramente, mas essa é a minha opinião. Acho que não seria bom, logo agora que os gays estão conquistando (pouco, mas conquistando) respeito dos outros. Acho supérfluo e desnecessário.
    Para acabar com o preconceito, deveriam fazer o contrário, fazer os gays frequentarem os mesmos lugares que os héteros, e não como estão querendo fazer com essa escola.

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  2. Willians, pelo que eu entendi, a escola tem uma finalidade maior.
    Respondendo a sua pergunta, creio que o perfil dos alunos não é bem o que vc pensou. O teste de seleção que é realizado pela escola tem um propósito maior do verificar o grau mínimo de capacidade do aluno para o curso escolhido. O de resgatar o homossexual para a educação e prepará-lo para uma profissão que não seja a prostituição. Alguns jovens, sejam travestis, transex ou gays, se expuseram cedo demais a vida dura e não contavam mais com qualquer preparo acadêmico. Assim, poderão ter uma oportunidade sem se sentirem discriminados.
    Porém, tem o lado que você colocou também. Segregar é uma forma de discriminar, mas como a itenção me pareceu a melhor, acho válida. Pelo menos até que o mercado de trabalho comece a deparar com travestis, transex e gays assumidos nas entrevistas para um emprego digno, de bons salários, e eventualmente contratá-los. Por enquanto, nem isso existe.
    Abraços.

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  3. ''Alguns jovens, sejam travestis, transex ou gays, se expuseram cedo demais a vida dura''

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    Não é porque alguns gays expulseram-se cedo demais a vida dura, que eles precisam de um lugar diferente pra estudar. Até porque tem vários héteros que também ''se espulseram cedo demais a vida dura'', e não é por isso que vão ter um lugar diferente pra estudar. Então seria melhor eles criarem uma escola que agregasse quem ''se expôs cedo demais a vida dura'' sem fazer distinção NENHUMA entre gay e hétero.

    ''Assim, poderão ter uma oportunidade sem se sentirem discriminados''

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    Acho que a melhor maneira de fazer isso é diminuindo o preconceito, e não fazer um lugar exclusivo para os gays.
    Eu sei que eles tiveram uma boa intenção em fazer essa Escola, mas acho que ela vai apenas criar mais preconceito. Imagina se tivesse uma Escola apenas para negros. Não seria absurdo? Acho que é a mesma coisa com os gays. Antigamente os negros não podiam frequentar os mesmos lugares que os brancos. E eles conseguiram se igualar aos brancos não foi querendo lugares só pra eles, mas sim querendo frequentar os MESMOS lugares que os brancos. Se os negros quisessem lugares exclusivos pra eles, como Escola, o preconceito ainda seria bem grande. O mesmo se aplica aos gays. Embora ainda haja (muito) preconceito, não é querendo lugares exclusivos para os gays, que o movimento GLBT conseguirá alguma coisa.

    ''...Pelo menos até que o mercado de trabalho comece a deparar com travestis...''

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    Entendo teu ponto de vista, mas Escola apenas para Gays, acho exagero. Poderiam investir mais em diminuir o preconceito ao invés disso

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  4. Oi Willians, como eu disse no meu primeiro comentário, o seu ponto de vista também é considerável. Eu não o descartei. Mas, sobre o que eu expus na maior parte do texto, talvez eu não tenha me expressado bem.
    Antes da primeira frase transcrita por você, quando eu disse:

    "Alguns jovens, sejam travestis, transex ou gays, se expuseram cedo demais a vida dura.."

    eu coloquei outra que tem relação direta com ela:

    "...resgatar o homossexual para a educação e prepará-lo para uma profissão que não seja a prostituição..."

    então, a "vida dura" que me referi foi a vida da prostituição e não a vida do trabalho convencional. É que a prostituição para quem é muito jovem e talvez psicologicamente imaturo, pode ser um divisor de águas. Enfraquece demais. O indivíduo pode se sentir no fundo do poço após perceber a má escolha e considerar - equivocadamente - que não há outra escolha, a não ser continuar ou seguir rumos piores: droga e crime. Alguns até fazem tudo isso junto e nem contam mais com o apoio familiar ou dos amigos que deixou prá trás para mudar.
    Pelo que eu entendi, ao serem procurados por adolescentes ou jovens assim, os administradores desta escola farão uma entrevista (teste de seleçao) para intuir ou procurar perceber essa vontade do jovem, de sair daquela "vida" e dar-lhe a oportunidade (talvez a última) de aprender algo que possa ajudá-lo a sair daquela situação e motivá-lo ao trabalho e ao convívio social.
    Abraços.
    Seus comentários são ótimos.
    Junior.

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  5. Junnior, ok que a vida dura que vc se referiu é a prostituição, eu entendi isso. Mas não é só homossexuais que tem que se prostituírem para viver. Muitos héteros, homens ou mulheres (aparentemente bem mais mulheres), também precisam se prostituírem. Eu acho que deveriam fazer essa Escola ou qualquer outro projeto para dar uma nova chance a todos que vivem na prostituição, sem distinção NENHUMA entre héteros e gays.

    Eu tenho entrado pouco na internet (essa próxima semana talvez entre menos ainda), mas quando puder, voltarei aqui
    Abraços

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  6. é o seguinte a segregação não vai diminuir os casos de homofobia justamente pelo contrario quanto mais for normal para os olhos das pessoas menor vai ser os casos de homofobia

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