Saiu na coluna de Anselmo Gois, do jornal O Globo, que Paulo Vilhena interpretará uma travesti no teatro. Surpreendente! Não o acho preconceituoso e não duvido do seu talento profissional. Não é isso. Porém, o desafio é grande e é uma faca de dois gumes interpretar uma travesti sem escambar para a caricatura, principalmente no teatro. Reproduzir aqueles gestos típicos de um machão arremedando um gay é o que há de chato e de mau gosto.
Não é a Madonna. É Pierre Baitelli como uma transexual em Hedwig.
A peça "Hedwig", com direção de Evandro Mesquita e participação do ator Pierre Baitelli -que interpretará outra travesti-, acredito ser uma adaptação da comédia musical do circuito off-Broadway e do filme homônimo: "Hedwig And The Angry Inch" (Hedwig - Rock, Amor e Traição). Se for, o ator deverá caprichar mais, pois a protagonista é uma transexual (e não travesti), cantora de rock, nascida  na Alemanha oriental como Hansel, em busca de sucesso e do amor. Sua ida aos E.U.A., assim como a carreira de cantora, aconteceram por acaso. Tudo por intermédio de Luther, um recruta americano que, a serviço na Alemanha, se apaixonou pelo ainda Hansel e o pediu em casamento com a promessa de levá-lo embora se se submetesse a uma cirurgia de troca de sexo. Anos depois, já no Kansas e como Hedwig, Luther a abandona por um garoto e ela resolve trabalhar com algo que aprendeu a gostar enquanto ouvia a Rádio das Forças Armadas Americanas quando ainda morava com a mãe na Alemanha: a música. E daí, recomeça a sua trajetória com passagens tragicômicas e picantes.

Há pouco tempo, um trabalho que chamou a atenção e se destacou foi o do ator Igor Cotrim, no filme Elvis e Madona, de Marcelo Laffitte - prêmios de Melhor Ator, Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora no Festival de Cinema de Natal. É um drama-comédia com pitadas de suspense e narra a história de amor entre uma travesti e uma entregadora de pizzas lésbica, vivida por Simone Spaladore (ao lado, com Igor Cotrim, numa cena do filme). No elenco também estão: José Wilker, Maitê Proença, Buzza Ferraz e outros bons atores.

[pessoal, a postagem acima foi escrita em junho, mas o tema é atual, pois a peça estreou agora, no mês de setembro. Parece que Paulinho Vilhena está muito bem como transexual e não "caricaturizou" o personagem. Só os preços dos ingressos me pareceram salgados: R$ 60,00, às sextas-feiras e R$ 70, aos sábados. Teatro das Artes, Shopping da Gávea.
Para ver um trecho da peça num vídeo no You Tube, clique aqui]
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