Inicialmente devo desculpas aos dois leitores que votaram na enquete divulgada ontem pelo Navve Guei, na qual pedia a opinião do leitor a respeito do "casamento gay". Ela foi substituída por esta, que está ao lado direito do blog, por uma questão de semântica. A pergunta é a mesma, porém colocada de outra forma. O casamento é um direito constitucionalmente protegido, assim como os homossexuais são cidadãos, então que usemos o termo correto, o legal. Não há lei alguma desse País - e quiçá, do mundo - que exclua o homossexual da condição de cidadão. 
Ficarei atento, de agora em diante, para evitar termos inadequados à evolução das causas LGBT. Mas, por favor, não esqueça de votar na enquete ao lado. É só um "click".

Partindo desse raciocínio, é bom lembrar que constituem princípios e objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, dentre outros, o de "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação." (Grifei. Artigo 3º, IV, da Constituição Federal).
Há inúmeros dispositivos legais que poderiam servir de base para a aprovação da lei que unifica os direitos civis entre todos os cidadãos do Brasil, assim como há brechas para que os promotores da discórdia e da desigualdade continuem impedindo o alcance desses direitos. A questão hoje em dia, porém, está mais relacionada à natureza humana do que às leis.  Faltam sentimentos como humanização e, principalmente, determinação e coragem aos nossos legisladores e dirigentes.
Coragem e determinação não faltaram aos senadores (a maioria) e à presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Falem o que quiser dela, mas essa mulher deu um exemplo de civilidade e de bravura  aos demais países/presidentes latino-americanos. Quer um exemplo de sua sagacidade política?
Como o seu compromisso com e na China ocorreria na mesma ocasião da votação desse projeto de lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e ciente das controvérsias e indecisões de alguns senadores -- a aprovação foi acanhada: 33 votos a favor, 27 contra e 3 abstenções -, ela não teve dúvidas: levou consigo na viagem duas senadoras contrárias à nova lei, eliminando dois votos negativos do plenário.
O leitor, amigo virtual e blogueiro Alex Martini (Conversas Ao Pé do Mundo) encaminhou uma excelente matéria escrita pelo diplomata brasileiro, Alexandre Vidal Porto, cujo título já diz tudo: "O presidente Lula deveria ter a mesma coragem que teve a presidente da Argentina e combater os promotores do atraso e da intolerância".
Ela serviu de fonte para essa postagem, mas tem algumas passagens com ideias (sem o acento: estou tentando me adaptar ao novo acordo ortográfico) parecidas com as de algumas postagens desse singelo blog, como a de comparar a situação atual dos homossexuais brasileiros com a, outrora, vivida pelos negros. Veja em: Ditadura Gay?!?.
Obrigado, Alex - pela sugestão e pelas palavras gentis. 
Quem quiser acompanhar a matéria do diplomata, na íntegra, veja em "comentários" na postagem do dia 15, ou clique aqui.
Não esqueça de votar na enquete ao lado, please.



5 comentários:

  1. CFK, a lindona presidenta dos nossos queridos (sim, meus são queridos, quem não gostar deles, azar) estava na China, mas o marido, ex-presidente e futuro candidato do PJ para novamente voltar ao poder, conduziu negociações duras durante todo o processo, até durante a votação.
    Houve um episódio lamentavel de um senador homofóbico, digno representante da direita, esculhambando uma senadora favorável, que ilustrou bem o nível dos debates e das baixarias que rolaram no Senado deles. Se não fosse a atuação do Kirchner marido (Néstor), talvez não tivesse sido aprovada.

    Não gosto de muita coisa que o casal K faz aos argentinos, mas, infelizmente, eles não são o que de pior existe por lá. Tem coisa muito pior.

    Enquanto isso, por aqui, a nossa possível futura presidenta faz acordo com certos setores comprometendo-se a jamais ter a iniciativa de enviar ao Congresso semelhante projeto.

    Quem quiser conhecer e/ou conferir um pouco do que rolou na Argentina antes, durante e depois da votação, há vários videos disponíveis aqui, na tv do El Clarín (de oposição forte aos K):

    http://www.tn.com.ar/tag/matrimonio+gay

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  2. O Código Civil brasileiro é que, de fato, converte a união civil entre homem e mulher em casamento.

    Infelizmente a Frente Parlamentar não fez quase nada além de se promover - entre as populações de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais - com o título de pró-lgbt.

    Senhor Genuíno e mais uns quatro parlamentares fingem que podem falar pela boca de todos os cidadãos brasileiros; Fingem que a questão da igualdade diz respeito apenas à garantia de inclusão do parceiro o convênio médico, e outra meia dúzia de classe de coisas que seguem este raciocínio.

    Mas a Frente não enxerga (ou quer "cegar" os incautos) que o status de casamento é que, amplamente, tornaria todas as uniões civis, iguais.

    Não fosse assim, a Argentina, Portugal, Holanda, Espanha, Bélgica, Suécia, Noruega,Islândia, Canadá e África do Sul não precisaria, como defendem os "sabidos" parlamentares brasucas, irem além da união civil.

    Se um único casal brasileiro quisesse o status de casamento, o Brasil, pela igualdade da pessoa humana, assegurada em texto constituinte (A partir do momento em que o Brasil é signatário da DUDH), deveria acatar tal desejo, não devendo o governo fazer conjecturas nem por "discursos prontos" na boca de todos os LGBTs.

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  3. Junnior, como tantos outros brasileiros que não carregam dentro de si o vírus do preconceito, da intolerância, digo a você que me admirou muito a capacidade visionaria da presidente Cristina Kirchner e sua manipulação para aprovar uma lei que já deveria fazer parte de todos os países ditos “democratas”.

    Por trás de sua vitória política vem muito mais do que apenas o respeito pelos cidadãos homossexuais. É fato que o turismo gay é o que mais rende nos chamados “points” freqüentados por eles em varias partes do mundo. Temos o Rio de Janeiro que não nos deixa mentir, Ibiza, e tantos outros locais onde o turismo gay despeja milhares de dólares todos os anos.

    A Argentina, Buenos Aires por exemplo, sempre foi ponto turístico de gays dentro da America Latina, então atrair essa faixa da população mundial com um aclamado “sim” para a união de pessoas do mesmo sexo, transforma o pais num dos lugares mais respeitados por todos, e consecutivamente visitado e adorado, talvez ajudando a superar a grande crise que se alonga por anos.

    Claro, que não sou tão ingênuo de dizer que foi esse o motivo para que a lei fosse aprovada. Há muito mais a se estudar sobre a situação do que apenas acreditar que visavam o turismo. Obvio isso. Apenas quis dar uma opinião extra a tudo que já foi falado.

    Nosso presidente podia ter saído na frente nessa questão e forçado uma vitória dentro do congresso e assim se firmar na história como o grande protetor dos homossexuais no Brasil. Mas se nem uma lei que os protege contra a violência o nosso querido e ignóbil presidente consegue aprovar, quem dera a união civil, ou seja lá o que daria direitos iguais a todos.

    Talvez, com uma pequena margem de esperança, uma outra mulher compreenda a evolução da sociedade e force num futuro breve que leis mais severas e de igualdade sejam aprovadas no Brasil. Mariana Silva, com seus delírios evangélicos não será a detentora dessa vitória. Dilma? Não faço campanha para ela, mas quem sabe inspirada em Cristina, caso sente na cadeira presidencial, não seja mais “homem” para encarar um congresso, do que seu companheiro de partido que em 8 anos não conseguiu.

    Como sempre venho aqui e acabo deixando um post, ao invés de um comentário...vc instiga a gente a isso.

    Peço desculpas pelo texto enorme.

    Abração

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  4. Oi, Junnior. Já fazia tempo que não comentava por aqui, são tantos blogs que eu acompanho que se torna impossível comentar em todos.
    Quanto a enquete, que vc pediu pra eu votar, eu já tinha votado antes e votei agora de novo!
    Nunca tinha pensado dessa maneira: os gays cumprem seus deveres como qualquer outro cidadão, portanto, não há porque não ter também os mesmos direitos. Porém, como vc disse, a Constituição Brasileira (e, acho que de todos os países ainda em desenvolvimento) apresenta brechas para que as autoridades contrárias ao Projeto continuem impedindo que isso aconteça.
    Não tenho certeza, mas parece, pelo que ouvi, que o Chile está indo no mesmo caminho que a Argentina, não está?
    E, falando nesse assunto: nenhum dos candidatos a Presidência do Brasil fala abertamente sobre uma possível aprovação de um Projeto semelhante no nosso País, não é?

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  5. Lula é homofóbico,
    Dilma se comprometeu com uma ala fundamentalista.
    Marina, é ela mesma meio fundamentalista.
    Serra, é omisso nessa questão.
    Se dependermos só deles...

    A gente serve pra trabalhar, pagar impostos, juntar patrimônio, pra depois deixar praqueles que sempre nos rejeitaram, nos discriminaram, maltrataram.

    Que importância tem, para minha vida civil, o que eu faço ou deixo de fazer na cama? Ou eles acham que só porque eu gosto de homem eu vou sair por aí agarrando todos? Os homens que gostam de mulheres, por acaso, fazem isso com elas?

    E que papo é esse, de muitos ditos religiosos, de destruir a família? Quer dizer então que orientação é algo que se transmite por contágio? Quer dizer então que a família é algo assim tão frágil? Será que não seria melhor pensar em outras questões que, essas sim, destroem não só as famílias, mas o mundo?

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