A estória de amor do casal homossexual que causou na atual novela das sete, "TiTiTi", da Rede Globo, durou pouco, mas vamos combinar que valeu mais do que muitos personagens que transcorreram toda a trajetória das respectivas tramas e não chegaram perto do impacto gerado por Julinho e Osmar, interpretados, respectivamente, por André Arteche e Gustavo Leão (para ler mais sobre os dois, clique aqui).

Nada se compara ao roteiro desta novela. Enquanto essa curta estória de amor estava no ar, todos - eles ou os demais personagens envolvidos -  conjugavam abertamente o verbo 'ser' seguido do adjetivo 'gay'. Eu sou, tu és ou ele/eles é/são gay(s). E o melhor: e daí? #Arrasou!

Porém, como você deve saber, desde as novelas mais antigas, os personagens gays já eram incluídos e, embora todos soubessem, raras eram as novelas ou as cenas nas quais se falava abertamente da orientação homossexual. Com casal de mulheres até que os autores ousavam, mas, entre os homens, ficavam literalmente no ar as declarações, os olhares e os carinhos. As falas mútuas eram metafóricas.

E quais foram esses personagens que causaram polêmica seja pela aceitação ou pela rejeição do público? Vamos relembrar?

Sandrinho e Jefferson (André Gonçalves e Lui Mendes, respectivamente) - Para a época (1995), talvez tenham sido os mais ousados. Eles formavam um casal gay na novela "A Próxima Vítima", de Silvio de Abreu, que foi aceito pelo público. Como dito, não havia declarações claras, nem beijos, mas foi o divisor de águas do tema homossexualidade na teledramaturgia brasileira. 
Apesar da aceitação, o ator André Gonçalvez viveu na pele o preconceito da facção intolerante da sociedade, pois chegou a ser agredido fisicamente por um grupo de homens na rua.

Rafaela e Leila (Christiane Torloni e Silvia Pfeiffer) - Três anos após a positiva e marcante passagem dos persongens Sandrinho e Jeferson, estranhamente, o público não aceitou o casal de lésbicas da novela das oito "Torre de Babel" e, apesar dos esforços do mesmo autor, Silvio de Abreu, as duas mulheres tiveram que  ser deletadas. Ambas foram vítimas de um incêndio criminoso no shopping no qual possuíam uma loja e morreram queimadas. Tragédia na arte e na vida real.

Clara e Rafaela (Aline Moraes e Paula Picarelli) - Cinco anos se passaram e, em 2003, outra grata surpresa. Na novela "Mulheres Apaixonadas", de Moanoel Carlos, duas personagens gays de forte impacto surgiram para trazer novo vigor ao tema da homossexualidade e, desta vez, quase rolou o beijo, mas o autor preferiu outra forma para agradar a gregos e troianos. Rolou um selinho entre as duas numa cena que mostrava ambas interpretando Romeu e Julieta (Shakespeare) numa peça de teatro da faculdade onde estudavam.

Ubiracy e Turcão (Luis Henrique Nogueira e Marco Vilela) - Aguinaldo Silva, autor de "Senhora do Destino" (2004/2005) parece gostar do contraste entre os parceiros que formam um casal de homens gays nas suas novelas. No caso, Ubiracy é aquele gay estereotipado. Afeminado e sensível, ele encantou todo mundo, principalmente o seu namorado truculento e machão. Na ocasião, a forma usada pelo autor para não chocar muito o público foi deixar as falas somente com o personagem Ubiracy. Para Turcão, a intenção foi mostrar um homem muito tímido, mas o porto seguro de Ubiracy. Se não me falha a memória, o Turcão não abriu a boca durante toda a novela. 

Junior e Zeca (Bruno Gagliasso e o sumido Erom Cordeiro) - Aqui o destaque foi mais para o período difícil que todo homossexual vive. É aquela fase de dúvidas e/ou de negação. No caso, o personagem Junior passa boa parte da novela ("América"/2005, de Glória Perez) tentando driblar os medos sem saber onde encontrar a sua verdade. Até que surgiu o personagem Zeca, um peão que vai trabalhar na fazenda da família e, a partir de então, tudo vem à tona na sua mente e, finalmente, ele tem a certeza da sua orientação sexual.  
As cenas dos dois não eram marcadas tanto pelo que eles falavam, mas pelas trocas de olhares. Uhhh! Bruno Gagliasso deu um show de interpretação ao conseguir mostrar com os olhos o que o público queria ver e ouvir. Se cogitou muito o esperado beijo. Estava tudo esquematizado: autora e atores já haviam conversado e a cena projetada, mas, a opinião pública prevaleceu, tudo foi desfeito para a frustração de todos. 

Rodrigo e Tiago (Carlos Casagrande e Sergio Abreu): apesar de serem dois belos exemplares de homens, o casal gay da novela "Paraíso Tropical"/2007, de Gilberto Braga, não ressaltou temas importantes ou polêmicos durante a trama. Creio que o autor queria passar a idéia de que os gays podem se casar e viver em sociedade como outro casal qualquer, sem essa coisa de homofobia ou de preconceito. Para o nível social da maioria dos personagens e pro ambiente da novela, a intenção do autor pode ter sido coerente. No entanto, por outro lado, a novela em nada contribuiu para quebrar o tabu de que o casal gay não pode trocar carinhos, olhares e até falar abertamente em público. Sequer nas cenas a sós os personagens eram carinhosos um com o outro. Eram apenas serenos e corteses como dois amigos íntimos. 

Bernardinho e Carlão (Thiago Mendonça e Lugui Palhares) - Apesar de viver um conturbado caso de amor, essa dupla não era assim, digamos, o estereótipo do casal apaixonado. Um deles, o Carlão, era o tipo machão bissexual e cafajeste que se aproximou de Bernardinho por interesse e, somente depois, quase no final da trama, declarou o seu envolvimento e sua paixão. Contudo, essa novela, também do horário nobre, "Duas Caras", de Aguinaldo Silva (2007/2008), abordou o lado menos glamoroso do gay e focou em temas importantes, como a rejeição da família ao desconfiar da homossexualidade de um parente e a transição deste lado à falsa aceitação para disfarçar o interesse financeiro quando o personagem Bernardinho conseguiu melhorar de vida.

Para assistir a um vídeo de cenas mix das novelas acima mencionadas [com um depoimento da atriz Silvia Pfeiffer sobre o preconceito que viveu por simplesmente ter interpretado uma personagem gay], clique aqui.


Fotos: todas de divulgação, extraídas do Google.

2 comentários:

  1. Eu sou noveleiro assumido... eu acho que o casal mais marcante foi "Sandrinho & Jefferson" - pela minha idade na época, por trazer ainda a questão do relacionamento entre um negro e um branco... e por um deles ter o meu nome e eu ter aguentado muitas piadas na escola...kkk Apesar do tom hiperdramático, acho que se justificava no contexto geral.

    Já outros, como o casal da novela América, eu achava tão chatos que até torcia por um incêndio...kkk

    Gostei muito do tratamento dado ao tema na "Paraíso Tropical", acho que foi o mais próximo da realidade, a homossexualidade vista de forma natural, sem dramas nem bandeiras, apenas mais uma característica das personagens. E eles trocavam carinhos sim, viu! Até tinha cena em que eles acordavam juntos!

    Ti ti ti - eu só vi a primeira versão (olha eu entregando a idade), neste horário em que vai ao ar eu estou voltando do trabalho.

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  2. caro amigo obrigado pela sua visita. agora somos amigos mesmo hein? coloquei seu link no meu blog se achar q deve fazer o mesmo ficarei grato. gostaria de falar com vc por mail se possível sdrproducao2009@hotmail.com grato pela atenção forte abraço

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