O canal "VIVA" começou ontem - ou melhor, hoje -, às 10:45 h, a reprise da novela "Vale-Tudo", exibida em 1988 pela Rede Globo. Apesar do horário ingrato, é uma estória que compensa relembrar porque traz à tona os eternos problemas das pessoas ávidas por dinheiro e poder a qualquer custo.

Foi a primeira novela que acompanhei de verdade, na íntegra, e ela marcou. Acredito que não somente eu, mas muitos dos que assistiram se lembram de muitos detalhes. Poucas tramas conseguem essa proeza. No capítulo no qual foi revelado a resposta para a pergunta que se tornou jargão popular "Quem matou Odete Roitman?", as ruas de várias cidades do Brasil ficaram desertas e a Globo conseguiu incríveis 86% pontos de audiência.

O tema central da novela é a contraposição da decência com a luxúria; da honestidade com a podridão, com um pano de fundo político. O que viciou os telespectadores da época e os prendeu em frente à televisão foi essa dualidade. Os personagens são divididos entre os que levantam a bandeira da decência e os que dela tripudiam. Segundo um dos autores, Gilberto Braga (os demais são Aguinaldo Silva e Leonor Bassères), o foco foi questionar até que ponto valia à pena ser honesto num País como o Brasil do final dos anos 1980. Infelizmente, a pergunta ainda continua sem resposta, o que torna a novela atual e digna de ser (re)vista.

No tocante aos personagens, quem já não ouviu falar de Odete (foto acima) e Heleninha Roitman (foto à direita) - mãe e filha, milionárias, interpretadas respectivamente por Beatriz Segall e Renata Sorrah? Com personalidades bem diferentes uma da outra, ambas fincaram raízes na memória e estão até hoje na boca do povo. A primeira, sensível demais e perdida no meio da canalhice, se joga na bebida e protagoniza cenas homéricas. Um drama tão exacerbado que se torna engraçado. A outra, é determinada pro mal. A típica "eu sou ricaaaa". Tinhosa e manipuladora, é capaz de vender a mãe, ou melhor, a pobre rica filha, apenas para satisfazer os seus caprichos, como, por exemplo, quando arma contra o genro, Ivan (Antonio Fagundes), para separá-lo da filha, fazendo com que esta se afunde de vez na bebida. Pouco importa já que, entre outras coisas, acha o Ivan uma ameaça e um chato por ser tão honesto.

E o que é o casal Maria de Fátima e César Ribeiro? Ela, im-pres-si-o-nan-te-men-te bem interpretada por - na época, uma garota e atriz em ascensão - Glória Pires, forma com a personagem Odete Roitman, talvez, as vilãs mais memoráveis da teledramaturgia brasileira. É de uma frieza que beira à psicopatia! Ele, vivido por Carlos Alberto Riccelli, é um ex-modelo de sucesso mega-ambicioso, que, assustado com a idade e a fase escassa de trabalhos, busca a riqueza a qualquer custo, nem que seja vendendo o corpo. E que corpo.

Abro um parênteses para declarar a minha primeira paixão platônica televisiva. Quando o Riccelli surgia com os shorts curtos, deitado, sem camisa ou somente de cueca ou de sunga, aff, suava frio pra disfarçar e manter a linha em casa. Paixonei pelo bofe. Hoje, revendo as cenas, acho engraçadas. E os modelos das roupas usadas na ocasião? Basta reparar  na sunga que César usou na cena em que Raquel o vê pela primeira vez numa piscina de hotel (para assistir, clique aqui). É quase um biquini comparado aos sungões de hoje, rs.

Bom, pessoas, acho que já deu pra traçar um perfil do que é essa novela. O elenco é primoroso e todos os atores estão ótimos. Vale à pena destacar também o excelente trabalho de Regina Duarte que interpreta Raquel, a honestidade em pessoa e oposto da filha, Maria de Fátima. E Nathália Timberg como a irmã boazinha de Odete, uma verdadeira mãe para a problemática Heleninha.

Mas, voltando ao tema, diante dos atuais escândalos políticos midiáticos do Brasil, como os de corrupção, lavagem de dinheiro, receita federal, dossiês, 'mensalinhos', 'mensalões', CPI´s, casa civil e etc, o País continua no mesmo "vale-tudo" de 22 anos atrás?

Curiosidades: vale à pena se ligar na atriz Lilian Cabral, bem nova. Muito engraçada como uma secretária meio 'peruona'. E a sumida Lídia Brondi (foto à esquerda) que, contra tudo e todos, abandonou a carreira após o final dessa novela, no auge do sucesso e da fama.

Na trama, ela interpretou uma 'modernérrima' heroína, Solange Duprat, que consegue desmascarar a rival Maria de Fátima e reconquistar o seu amor, Afonso, vivido pelo ator Cássio Gabus Mendes (seu marido na vida real).

Disseram, na ocasião, que ela se decepcionou e não suportou o ambiente artístico e que teve problemas de saúde, algo parecido com a síndrome do pânico. Fato é que ela se casou com o Cássio (com ela, na foto acima) e estão juntos até hoje. Atualmente, dedica o seu tempo entre o lar e o trabalho, como psicóloga, na recuperação de dependentes químicos.

Fotos: todas extraídas do Google.

3 comentários:

  1. Junnior, teu blog não está aceitando comentários, quando aperto o "postar" não vai para a página de digitação do código...

    Tentando de novo: sim, eu ADORO novela! Também vi Vale Tudo, na exibição original. E é incrível ver que nosso país não mudou nada, que os valores continuam os mesmos, que o "jeitinho" ainda prevalece sobre o mérito...

    Mas eu gosto mais das novelas românticas, minha preferida é A Gata Comeu...

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  2. Realmente essa novela pra mim foi umas das melhores ja transmitidas na plim plim. De fato o contexto dela, personagens se tornam tão atuais quanto a época da sua exibição. Heleninha mesmo ate hoje ganha homenagem a las Bibas from Vizcaia, jjejje, adoooooooro! A pergunta sobre ambição e honestidade, fica mesmo sempre mais dificil de responder.Ate porque me deparo com uma noticia em que a maioria dos deputados eleitos, sao milionarios.Ai pergunto: tendo tanto dinheiro, precisa entrar na politica para fazer politica? Bjs!

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  3. Seu link já foi publicado! Sabia que agora o prêmio é de R$ 1.000?
    Obrigado por colocar a troca de links!
    Atenciosamente.
    Antoani/Equipe Link Premiado
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