Dias atrás, a notícia da primeira transexual do mundo a ocupar o cargo de juíza de uma corte superior (veja aqui). Desta vez, é o resultado da coragem e da ousadia de Lea T, alguns meses após ter arriscado um espaço na concorrida carreira de modelo internacional - iniciada na Itália com a ajuda do estilista (e amigo) Riccardo Tisci, diretor criativo da Givenchy - chegar ao Brasil.

Conseguir destaque em editoriais de marcas consagradas no mercado da moda, como a Givenchy, posar e ser entrevistada pelas revistas mais importantes do mundo, como a Vogue e a Vanity Fair, não é para qualquer modelo, ainda mais quando se trata de uma transexual. 

A brasileira Lea T, 28 anos, filha do ex-jogador de futebol, Toninho Cerezo, já foi apresentada aqui no Identidade G em julho deste ano. Na postagem, foi contada um pouco da sua história (clique aqui pra ler), porém, na ocasião, a notoriedade da mídia local foi quase 100% focada na sua transexualidade e mais ainda no fato de, por isso, conseguir destaque na moda européia. Agora, além de ter sido entrevistada pela Folha de São Paulo, a modelo está sendo procurada e contratada por marcas e agências brasileiras, inclusive para desfilar no próximo evento do São Paulo Fashion Week.


Abaixo, confira as recentes fotos de Giampaolo Sgura para mais um editorial exclusivo da top, publicadas na "Hercules Magazine", nas quais ela aparece entre outros modelos brasileiros - alguns nus. Ao lado das imagens, leia os principais trechos de sua entrevista à Folha.
  • Sabe, comecei a pensar no futuro e não via nenhuma perspectiva, nada que pudesse ultrapassar o preconceito que eu sentia e sinto em relação a mim...
  • Conheci o Riccardo [Tisci] há uns dez anos, ele era recém-formado e estava batalhando pra entrar no mercado. Sempre nos ajudamos. Ele é capaz de entender a complexidade de um conflito humano. Ele me deu uma voz para que eu pudesse enviar uma mensagem...
  • Transexual não é sinônimo de promiscuidade. Podemos ter amigos, batalhar por uma carreira, por nossa vida...
  • Tudo foi deturpado, muita gente repercutiu aquilo como se fosse pornografia. Fiquei arrasada... [sobre a foto nua cobrindo o órgão genital com uma das mãos, publicada na Vogue Paris, em junho]
  • Numa sessão de fotos, queriam que eu vestisse uma camiseta com um pênis desenhado. Desse choque barato, raso e burro não participo...
  • Preciso muito da análise porque sou discriminada o tempo inteiro. Sou apedrejada diariamente: aguento olhares tortos e ofensas da hora que saio de casa até o momento que entro de volta...
  • Tomo muitos hormônios, que mexem com tudo, das formas do corpo ao humor. Fico cansada, com sono, triste, ansiosa. Além disso, para ser modelo, tenho de me encaixar no padrão das meninas, mas, mesmo com os hormônios, minha estrutura óssea é masculina.
  • Desde pequena meu pai dizia, "esse menino é muito feminino"...
  • Escreveram em sites e jornais, no Brasil, que meu pai me odiava, que tinha nojo de mim. Isso é mentira. Eu amo o meu pai, e ele me ama...
  • A feminilidade é assim, algo natural, que se mostra no cotidiano. Se eu saio de casa de moletom, sem make, pra andar com o cachorro, ninguém percebe que nasci homem.
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3 comentários:

  1. eu li a entrevista dela, dá pra ver o qnto ela foi marcada pelo preconceito e qnto ainda luta contra ele... é triste ver alguém com talento ser cerceado por causa de um preconceito.

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  2. Quando eu li a entrevista da Folha (apesar de não ser muito fã da linha editorial da Folha, às sextas eu leio), a primeira coisa que me veio à cabeça foi: "ela é uma séria candidata ao suicídio". Não deve ser fácil ser trans/travesti, até entendo sua reclamação, mas ela ainda tem uma vida um milhão de vezes melhor do que muito travesti que acaba tendo se prostituir pra sobreviver. Espero que ela supere esta fase, aproveite o momento e desminta minha previsão.

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  3. Uala! qta garra, qta força ... um exemplo mesmo ...

    bjux

    ;-)

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