Laerte Coutinho antes de adotar o novo visual
Nos últimos dias muito se falou sobre o quadrinista Laerte Coutinho, ou melhor, sobre o seu novo - que nem é tão novo assim - comportamento. Desde 2009, ele adotou o modo crossdresser de ser. Deixou o cabelo crescer, se depila, usa maquiagem, roupas e acessórios femininos e assim, aos 59 anos, segue a vida com aceitação dos filhos (Laerte perdeu um dos três filhos, Diogo, 22 anos, num acidente de carro em 2005) dos amigos e da namorada.

Para quem ainda não sabe ou não compreende muito bem, o termo acima é usado para as pessoas que usam roupas e acessórios associados ao sexo oposto por qualquer razão que não somente à relacionada ao desejo sexual.

Elas não recorrem a terapias hormonais ou a cirurgias para mudar a forma original do corpo porque gostam e se aceitam como são, mas se incomodam e rompem essa barreira que divide objetos e trejeitos que só podem ser usados/praticados por pessoas do sexo oposto. Há heterossexuais, bissexuais e homossexuais nesse caldeirão. Cada qual com seu motivo.

Para Laerte, a notícia chama atenção por se tratar de um profissional conhecido, considerado gênio por muitos apreciadores do mundo dos quadrinhos ou das tirinhas. Pra mim, no entanto, impactante foi tentar responder o porquê de eu achar natural e não me espantar quando vejo/leio matérias sobre o assunto.

Já me olhei no espelho e perguntei como ficaria inteiramente montado como uma drag ou travesti. Sair de casa um dia assim seria a experiência mais louca que ainda não tive, nem mesmo durante o carnaval quando muitos homens heterossexuais o fazem. Eles aproveitam a ocasião e põem pra fora esse desejo que só Freud ressuscitado poderia explicar. 

Viveria o dia mais excitante e louco da vida. Cada passo nas ruas, cada esquina, olhar e críticas das pessoas me encheriam de adrenalina, tipo saltar de paraquedas.

Há vários vídeos com Laerte por aí. Selecionei um no qual ele explica para uma ansiosa jornalista a sua relação com o travestismo (ou "crossdressing").

O vídeo foi gravado num evento literário onde o quadrinista compareceu para falar do lançamento de seu novo trabalho, mas o engraçado é perceber a entrevistadora mal disfarçando seu interesse maior no visual do entrevistado -- sem falar que a moça começa chamando o cartunista de Laercio. Para assisti-lo. clique aqui.

3 comentários:

  1. divulgando...
    ******************
    visite.. se achar algo intereçante, comente... siga...
    se não for sua praia tudo bem...
    download de livros de magia
    http://livrosdemagia.blogspot.com/

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  2. super legal esta perspectiva e este posicionamento, embora ele não passe pela minha forma de ser e viver ... não tenho preconceitos nem medos ... apenas não me atrai isto ... parabéns ao Laerte por se assumir sem qualquer neura ...

    bjux


    ;-)

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  3. Amava ver "Sai de Baixo" na sua primeira fase, quando o Laerte era roteirista. Com a saída dele, o programa perdeu a graça, literalmente!

    Fui assistir ao vídeo pelo link deixado aqui e o que me impressionou foram alguns comentários. Acho que poucos alí sabem que, antropologicamente, o homem começou a usar roupa apenas para diferenciar-se dos animais de outras espécies.

    E só um cara como o Laete poderia dizer que "...vestir roupa feminina é contestar o parâmetro de gênero que vigora na sociedade...."

    Essa reflexão é do tamanho da história da civilização. Sensacional!!!!

    Onde será que fica esse mundo moderno no qual dizem que vivemos?

    O mundo está caminhando, longo caminho, e lutando para se modernizar, atrapalhado pelos dogmas religiosos e esse ultrapassado conceito binário que limita a existência ao certo e errado, homem e mulher, bem e mal, bons e maus costumes....

    "Costume" é algo que vai e vem, norteando comportamentos. É sociologia.

    No período dos reis franceses, período dos Luises, os homens da corte, os nobres heterossexuais se maquiavam, usavam perucas, sapatos de salto e possuíam todo um compromisso e ritual estético. Ainda não existia o termo "metrosexual", mas existia o comportamento. O natural daquela época era o homem "se enfeitar". Vaidade nunca foi exclusividade do feminino.

    Na cultura Egípcia, a roupa era o Chanti, um longo saiote que era amarrado abaixo da linha da cintura, e os homens da elite usavam o chanti de linho.

    E os gregos? Os homens gregos se maquiavam. E muito. Se apresentavam com as unhas tratadas, olhos bem delineados, assim como a boca. E se depilavam com cera.

    Sabe, eu penso que a diferença que faz um cara como o Laerte ter vontade de ser gay, ou ser gay, ou ser bissexual ou ser qualquer outra coisa e ainda ter vontade de ser algo diferente de tudo isso é o exemplo. É a coragem. É a ousadia de experimentar. É não precisar ser nada e poder ser tudo.

    Amei ver o vídeo e lamento ter escrito bem menos que isso lá.,

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