[se não leu a primeira parte, clique aqui]
Eu estava na casa de meu primo brincando com as irmãs dele. Ele se aproximou e pediu para brincar de esconde-esconde, meninas contra meninos. A brincadeira começou com os quatro fora da casa. Elas nos procurariam primeiro depois que contassem até 20. Corremos os dois para dentro e pensei logo nas cortinas da sala que eram grandes, feitas com um tecido grosso. O espaço entre as janelas e o trilho era largo e, com as ondas de panos que se formavam quando abertas, cabia uma ou duas pessoas sem chamar atenção. Meu primo me puxou e disse que nos esconderíamos juntos.
Me ajeitei em pé numa daquelas ondas, de perfil, com um dos ombros encostado na parede. Ele atrás de mim na mesma posição. Era mais alto e se agachou um pouco pra ficarmos no mesmo nível. Me colocou entre suas pernas e enquanto esperávamos começou a roçar na minha b***. Olhei para trás e ele me encarou, sorriu e fez gesto de silêncio com o indicador. Pensei em sair, mas não saí. Eu tava feliz porque ele brincava com a gente.
Depois, as brincadeiras se tornaram frequentes. As intimidades foram aumentando e ficaram mais escancaradas. Sempre em silêncio. Ele conduzia e eu deixava rolar. Chegou a hora em que minhas primas mais atrapalhavam do que ajudavam. Dispensamos elas.
Como estudávamos pela manhã, quase todo dia ele passava no meu prédio, no meio da tarde, interfonava e me mandava descer para mostrar um "lugar legal".
Íamos a casas ou prédios abandonados, cinemas, banheiros públicos, terrenos baldios, matas, praças públicas, clube, parques, rios, cachoeiras, ônibus, enfim, todo lugar que a imaginação dele mandava. Às vezes, eu pensava que a intenção dele era que fôssemos flagrados, mas isso nunca aconteceu (para o meu alívio).
A gente se falava normalmente quando estávamos em público, mas durante nossos encontros secretos ficávamos mudos. Até meus 13 anos, abri a boca duas vezes apenas, mas foi  para reclamar da dor quando ele tentou me penetrar. Na segunda vez, chorei e fiquei com trauma. O pênis dele é enorme.
A "brincadeira" não parava. Meus tios, pais dele, se mudaram para outro bairro distante. Várias vezes eu ficava lá do sábado até segunda-feira, emendando com a hora da escola. Foi melhor assim porque só a gente dormia no quarto dele. Quando ele me penetrou pela primeira vez, foi carinhoso e, no final de tudo, eu adorei. Por conta disso, ele ficou ainda mais  tarado. Queria sempre mais e mais.
Pra resumir, os anos se passaram e continuávamos com nossos encontros secretos. Ele tinha os amigos e as namoradas dele, mas sempre me procurava. Ele me aconselhava a namorar garotas também e a ter amigos, mas dizia ninguém podia saber da gente. 
A partir dos meus 15 anos, ele passou a dar "corretivos". Ele disse que meu jeito era um pouco afeminado e dizia como perder. Fui adquirindo postura diferente e hoje sou um cara bonito, másculo, as garotas ficam loucas quando chego nas baladas com minha namorada.
Em 2008, ele começou a namorar uma garota da faculdade e nos encontrávamos bem menos. Foi a única vez que isso aconteceu. Ela acabou grávida, eles se casaram em janeiro, mas depois do casamento tudo voltou. A gente frequenta todo tipo de motel, seja daqui ou os de cidades próximas. 
Eu comecei a namorar essa garota por sugestão dele, para sairmos os quatro. A minha namorada se tornou amiga da esposa dele e confessou a ela que está apaixonada, mas que tem sentido falta de mais intimidade comigo, que eu sou devagar. A mulher do meu primo me contou e eu fiquei sem graça. Acho que isso acontece porque meu primo e eu vamos para o motel depois que nos livramos delas. Essa expectativa atrapalha o meu tesão por ela. Nunca transei com mais ninguém além dele.
Outro dia ele sugeriu que a gente ficasse no mesmo quarto de motel para ele me estimular no tesão com a minha namorada. Ainda não comentei com ela por ela ser romântica, mas eu sei que com o meu primo do lado consigo transar com ela. Me excito só de olhar para ele. 
Estou perdido e com medo. Tem rolado um papo de que os pais da mulher dele têm algumas empresas em outro Estado e a querem por perto para administrar uma empresa. Ele está animado com a proposta e eu apavorado. Ainda não conversamos nada sobre isso. Acho que vou atrás dele se for preciso.
No duvido da minha homossexualidade, mas tudo isso é sexual. Minha vida é hétero total. Não consigo chegar perto de um cara ou de uma mina gays assumidos. E meu primo é pior, ele respeita de longe, mas não se aproxima, tem raiva de pessoas assim. Eu acabei me tornando preconceituoso que nem ele. Sei que é errado, mas sou reflexo dele, do que ele me ensinou.
Queria saber se há mais gente como eu, que quer casar com mulher, ter filhos e um companheiro paralelo, sem ninguém saber de nada.

Imagens (editadas): Galeria de Iwood (Flickr).

9 comentários:

  1. ê casinho complicado...

    bem, primeiro antes de tudo:
    não é um caso puramente sexual, definitivamente não é, se fosse, vc faria sexo com sua namorada tb, e faria sexo com outras pessoas tb, vc gosta do seu primo.
    e como vc mesmo disse, vc não quer perdê-lo e por isso prefere ficar no seu lugar, no lugar q ele escolheu pra vc.
    eu sou natalense né? de Natal, Rio Grande do Norte. pois bem, este tipo de relacionamento que vc está vivendo é o relacionamento dos sonhos de quase todos os homens que conheci na minha cidade Natal. Então, não ache q isso é loucura sua, que isso é terrível e raro, pois não é... acredito que é mais comum do que o de pessoas que realmente assumem sua sexualidade.

    ps: todos os homens com qm fiz sexo até os 21 anos estão casados e com filhos.

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  2. nenhuma parte é ficção, caríssimo, nunca é. pelo menos não no meu blog. o dialogo é semi-ficcional porque ele não aconteceu exatamente daquele jeito, como eu disse são 3 conversas, com 3 amigos diferentes, q eu uni num diálogo só.

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  3. Parece novela gay mexicana... achei um pouco fantasiado, pra ser sincero, mas existe muita gente na mesma situação.

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  4. Eu vou ser sincero:nao quero viver vida paralela.Estou satisfeito assim comigo msm.Assim como nao quero ser enganado,nao pretendo enganar outros/as.Só posso desejar boa sorte,leitor.

    Jr,hj q vi seu recado do twitter.Rss.Sou lesado de x em qdo.
    Abraços.

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  5. Eu gostaria de saber o que essas namoradas pensam a respeito...

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  6. Fala ae Junnior
    td bem?
    Apenas um comentario.
    Seu blog esta realmente fantastico.
    Facil visualização e bonito. Continue.
    Parabens
    abraços
    Fermendes

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  7. so tenho uma coisa a dizer, duas bichas covardes. Nao tem coragem de se assumir e ainda envolvem duas mulheres...me sinto envergonhado em saber que existem gays como vcs.

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  8. Bruno, eu entendo a falta de coragem, principalmente porque você tem uma família religiosa, mas não a desonestidade.

    Me perdoe as palavras duras mas, você não é nada hétero. Vive em função da sua homossexualidade, vivida com o seu primo, e nem se deu conta de que ele é um grande manipulador. Você é um satélite que orbita em torno dele, sem luz própria, sem vida própria,sem idéias próprias, sem senso de moral, sem ética e sem nenhuma maturidade.

    Se ele propôs irem os 4 para o motel, para o mesmo quarto, imagino que ele deva ser bissexual ou há um acordo explícito entre ele e a esposa.

    Não vejo nada de condenável se a relação é como é com o consentimento de todas as partes.
    Mas não é o seu caso. Para ter uma vida como você expressa querer, no mínimo, você deveria ser bi. E encontrar uma parceira que aceitasse viver a relação dessa forma. Aí seria honesto.

    Já se perguntou o que será da sua vida no dia em que o seu primo se desinteressar de você?

    Ou no dia em que as ambições ou circunstãncias da vida o levarem para longe, impedindo a continuidade da relação?

    Você declara que irá sempre aonde ele estiver, mas já pensou em como será isso tendo que arrastar esposa e filhos junto?

    Tem noção do que é constituir uma família?

    Bem, eu sou heterossexual e jamais aceitaria viver uma relação assim. E se vivesse e descobrisse, processaria o parceiro e cobraria caro pelos danos a mim causados. Considero isso imoral, ilegal e insano.

    Como mãe de um gay, oriento o meu filho no sentido de ser quem é, de se respeitar e respeitar a todas as pessoas. E isso significa não negar os seus instintos, a sua verdadeira natureza. É uma agressão a sí mesmo um gay transar com pessoa do sexo oposto. Constituir familia, então, Inaceitável!!! Eu jamais aceitaria do meu filho uma conduta dessas.

    E só posso te aconselhar a procurar um terapeuta. Só um profissional poderá te ajudar a desconstruir essa identidade, inclusive homofóbica, e te libertar dos prejuízos que isso causará a você mesmo. Você precisa desenvolver o seu amor próprio e descobrir quem é de verdade.

    Querido, você precisa amadurecer.

    Boa sorte.

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  9. q bixaaa Uôo vc heeein aff aalooka heein vcs dois nao passam de duas monas ok

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