Com o 'boom' das notícias sobre os ataques homofóbicos que aconteceram no final de 2010 nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, a mídia em geral publicou e mostrou pra todo mundo o que estava acontecendo como forma de chamar a atenção das autoridades para que tomassem as providências. Mas, será que algo foi ou está sendo feito com relação a isso?

Por volta das 4 horas da manhã, em pleno dia 25 de janeiro (aniversário da cidade de São Paulo), dois jovens homossexuais de 27 anos andavam pelas proximidades da Rua Peixoto Gomide (paralela à Av. Paulista), quando um deles, sem perceber o que, quem, de onde, muito menos a razão, levou uma garrafada no olho direito. O outro, assustado, gritou para correrem dali, mas acabou levando um soco no peito. Ambos perceberam que os agressores eram integrantes do grupo 'skinheads'.
Mais frustante ainda para os rapazes foram, respectivamente, a falta de solidariedade dos trabalhadores de um posto de gasolina próximo, os quais negaram água e um pano limpo para estancar o sangramento do olho ferido, e o despreparo da polícia. Um deles não conseguiu acionar pelo telefone e foi até um posto policial móvel situado na Av. Paulista, mas não foi atendido quando pediu que os homens fardados fossem atrás dos agressores ou enviassem um reforço para o local.
Após cair a ficha, o rapaz agredido no olho contou que só pode ter sido vítima de um crime homofóbico, pois não disfarça a sua orientação sexual seja pela maneira de se vestir ou de se expressar, além do fato de ser assumido e casado com outro homem que mora na Alemanha.
Tem mais. Na madrugada desta sexta-feira (28/01/2011), por volta das cinco horas, Gilberto Tranquilino da Silva e Robson Oliveira de Lima, ambos de 28 anos, saíram de uma boate GLS localizada no bairro da Bela Vista e resolveram subir, a pé, a Av. Brigadeiro Luís Antônio até a Av. Paulista para pegarem o metrô. Antes da caminhada, um deles sugeriu brincando que seria melhor pegarem um taxi para não apanharem na Av. Paulista. Bom, nem precisaria contar o resto, né? Igual aos dois rapazes mais acima, ambos levaram coió. Só que, neste caso, foi uma surra feia que durou mais de cinco minutos com direito a socos, chutes, sangramentos e tudo o que você pode imaginar.
Os agressores? Segundo as duas vítimas eram um grupo grande formado por jovens com pouco mais de 18 anos, dentre os quais duas garotas.

E o que a polícia disse ontem a respeito disso tudo para um jornal? Que PROMETE AGORA reforçar a área. Pasmem!   

Estamos vendo que os crimes continuam. Por que a mídia não continua dando o destaque de antes? Virou notícia velha e não é mais novidade? É aí que devemos falar, pedir, gritar e exigir. 
O título da postagem - para não ficar uma coisa sem nexo - é referente ao livro de Mario de Andrade. Nem mesmo ele poderia prever tamanha atrocidade ao escrever uma de suas mais revolucionárias obras poéticas: a "Paulicéia Desvairada".
Publicada em 1922 e inspirada na cidade de São Paulo, o livro foi escrito por um inovador poeta que rompeu as estruturas do passado e viajou pelas novas estradas do Modernismo. Com poesias urbanas, ele é irresoluto: exalta a cidade como uma comoção a si próprio, um cenário de festejos, mas destaca as suas "chatezas horizontais", o lado cosmopolita, capitalista, burguês e egoísta com a população heterogênea.
E nada mais apropriado para tentar entender o que está acontecendo com São Paulo e as demais metrópoles cosmopolitas, com relação às agressões aos homossexuais, do que esta frase: egoísmo com a população heterogênea, né não?
Para finalizar com um clima poético, leia abaixo um trecho de "Paulicéia Desvairada":
Somos as Juvenilidades Auriverdes!

A passiflora! O espanto! A loucura! o desejo!
Cravos! mais cravos para nossa cruz! (...)
Nós somos as Juvenilidades Auriverdes!
As forças vivas do torrão natal, 
as ignorâncias iluminadas, 
os novos sóis luscofuscolares 
entre os sublimes das dedicações! (...) 
(queremos) Os tumultos da luz!... 
As lições dos maiores!...
E a integralização da vida no Universal!
As estradas correndo todas para o mesmo final!...
E a pátria simples, una, intangivelmente
partindo para a celebração do Universal! (...)
(...) Cães! Piores que cães!
Vós, burros! malditos! cães! piores que cães! (...)
Seus borras! Seus bêbados! Infames! Malditos! (...)
Seus ............................................................!!!
(a maior palavra feia que o leitor conhecer)

Obs: todas as fotos são de François Rousseau.

8 comentários:

  1. Que nos valha de consolo a ideia de que para melhorar tem de estar mau. Logo se está mau, então só poderá melhorar mesmo.
    Mas a verdade é que a estupidez é deveras difícil de erradicar e parece cada vez mais disseminada nos nossos tempos.
    A polícia não reage e se escusa de intervir?! Mas afinal quem são os agentes policiais? Por acaso não têm eles a mesma formação moral machista e retrógrada dos atacantes? Não serão eles também parte da geração de pais que educaram essas crianças criminosas? Não serão eles muitas das vezes os instigadores de tais comportamentos?

    Nem quero dizer mais.

    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Oi,Ju (olha a intimidade.Rss)

    Na sua opiniao,o que deveria ser feito?

    Eu estou bem longe do Brasil.Por isso fica mais dificil saber o q fazer.Pra mim,inicialmente mais policiais nas ruas e implantar educaçao sexual nas escolas com professores bem preparados.

    Tenha um ótimo fim de semana!
    Beijos.

    ResponderExcluir
  3. é, realmente, virou assunto velho, além do mais, os textos têm sido kda vez mais "irônicos", pondo em dúvida os motivos dos ataques.

    ResponderExcluir
  4. Lobinho, pode me chamar de Ju. Adoro intimidades com quem eu já me sinto íntimo, rsrs.
    Quanto ao que fazer, a curtíssimo prazo, o óbvio, como ressaltado por você e já abordado por mim em outras postagens: patrulhamento nas principais ruas e avenidas e punição aos criminosos.
    A curto, médio e longo prazos, a educação.
    Na postagem acima eu destaquei o absurdo de, a esta altura, a polícia prometer no jornal um reforço na área, como se tais crimes na Av. Paulista fossem uma novidade. É incrível que nunca tem um carro da polícia por perto no momento em que eles ocorrem.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  5. Acredita que muita gente pensou que era eu? Viram a foto, o cara loiro, morou na Alemanha, doutorando na USP, acompanhado de outro cara... mas não era não...

    Sei lá, mas essa história está meio estranha para mim. Prefiro aguardar os desdobramentos antes de falar algo a respeito.

    ResponderExcluir
  6. vontade de fazer um grupo de extermínio e caçar skinheads não falta! o problema é que seria algo péssimo à nossa causa...

    ResponderExcluir
  7. nem todo Skin é neo nazista.. não cometam esse erro....

    Qualquer forma de preconceito para mim é ridiculo. agredir qualquer ser humano de qualquer forma é um crime e deve ser punido...eu na real acho que gente que bate em homos são pessoa que não estão certos de sua sexualidade e descontam nos outros.. Não sei se educar muda muita coisa, mais é uma alternativa sim.

    ResponderExcluir
  8. Crime eh deixar essa bixarada livre!!! E agora ainda tao incentivando essa poca vergonha! Cada pai de viado deveria matar seu filho.. nao conseguiu educa direito, mata...

    ResponderExcluir

Para se cadastrar, preencha o formulário na coluna do lado direito do blog.
Seu comentário é bem vindo, desde que:
1. possua nome e link válidos;
2. não contenha cunho racista, discriminatório ou ofensivo a pessoa, grupo de pessoas ou instituições;
3. não contenha cunho de natureza comercial ou propaganda.
Grato pela compreensão.