Homens gregos -  do site Canal de História
"Temos meninos para o nosso prazer, concubinas para as nossas necessidades sexuais e esposas para cuidar da casa e dar-nos filhos."
Antigo ditado grego.
A maioria dos estudos sobre homossexualidade se pauta na dicotomia entre as explicações dos essencialistas - que a associam a fatores biológicos como genética, hormônios, etc - e os culturalistas (ou construtivistas) que apontam a cultura como responsável pelos diversos papéis sexuais.

Dentre as teorias da segunda corrente, é a clássica que evidencia a origem dos homossexuais na Grécia antiga (final do século 7 a.C). Você já deve ter lido algo a respeito, mas algumas peculiaridades merecem destaque.

Living Statue - Dan BrandenburgA homossexualidade era considerada normal entre homens na Grécia antiga, desde que praticada com o objetivo de definir papéis sociais de acordo com o gênero e a idade dos envolvidos. Um homem mais velho (a partir dos 30 anos) se relacionava com um(a) jovem na fase inicial da adolescência para casar, se do sexo feminino, ou para iniciá-lo na vida militar e/ou na religião de Zeus, o rei dos deuses, se do sexo masculino.

No caso dos homens, a atividade era denominada pederastia - do grego paiderastia - sem o cunho pejorativo ou literal de hoje em dia que associa a palavra ao abuso de menores. E há controvérsias sobre a conduta.

Alguns acadêmicos, como Keneth Dover e David Halperin, afirmam que o homem mais velho ocupava 'status social' elevado e era o dominante, ativo ou penetrador (erastes). O seu comportamento era predominantemente másculo e frio em relação ao adolescente: feminino, passivo, submisso e socialmente  inferior (eromenos).

Para outros estudiosos, apesar de o motivo e as características da pederastia serem os mesmos, a relação entre erastes e eromenos era calorosa, amável e afetuosa. A tradição grega entre os sexualmente iguais tinha como base o aprendizado da literatura, arte, política e o conhecimento militar.

De qualquer modo, fria ou amável, a regra previa que não podia haver inversão de papéis. A reputação de um erastes estaria muito comprometida se fizesse o que cabia ao eromenos. Seria vergonhoso aos olhos de todos. Da mesma forma, ao eromenos cabia respeitar e honrar seu "mentor", mas sem expor o desejo sexual. O jovem que fosse visto reciprocando desejo erótico de seu erastes estaria socialmente estigmatizado e com o futuro prejudicado.

Um pouco mais à frente, segundo os gregos antigos, a pederastia foi revista e algumas de suas características foram consideradas desprezíveis, substituídas por outros meios de iniciação para os jovens. Platão, em seu último e inacabado diálogo denominado "Leis", chegou a sugerir uma lei que proibisse tal comportamento.

Living Sculpture - Dan Branderburg

Agora, um salto enorme na história para finalizar o texto com o que teria sido a origem do termo "homossexual".

Segundo Colin Spencer (Homossexualidade. Uma História-1999), o termo foi cunhado em 1869 pelo médico húngaro Karoly Maria Benkert. A partir de então, passou a ser usado gradualmente por acadêmicos.

A palavra em si tem o peso do preconceito. Benkert a concebeu com intuito de explicar uma patologia que, por falha da natureza, dotava o indivíduo, seja do sexo masculino ou feminino, de impulsos que o direcionavam a relações sexuais com os biologicamente iguais, tornando-o física e psiquicamente incapaz.

Apesar de ter contribuído para classificar a homossexualidade como doença, o médico entendeu que era uma patologia congênita: o indivíduo nasce gay. O problema, hoje em dia, é a associação da homossexualidade como opção desatinada e deliberadamente pecaminosa (igreja), mesmo após a comunidade científica reconhecer que não há doença ou mal psíquico.

Confira também: "Movimento LGBT. Um Passeio Pela História da Homossexualidade"

Fontes: Wikipédia; "O Movimento Homossexual Brasileiro" - 2004, Michele Cunha Franco Conde; e Canal de História.
Imagens: (1) Canal de História; (2) e (3) Dan Branderburg.

6 comentários:

  1. Muito bom e rico ... parabéns ...

    bjux

    ps: as ilustrações são magníficas

    ;-)

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  2. A diferença entre as duas formas, no caso da Grécia Antiga, se deve às concepções diferentes das duas maiores cidades, Esparta (educação para a guerra)e Atenas (educação "humanista").

    Só um adendo, que pode parecer sem sentido, mas de fato é assim que se considera: a homossexualidade foi retirada da lista de doenças, ok, mas, do ponto de vista científico, isso significa apenas que não há um consenso a esse respeito, e não de que ela foi totalmente "redimida". Maluco, né?

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  3. desculpa se eu for grosso, mas...

    tira esse post do ar...
    como especialista... tanto em Grécia Antiga qnto em HOMOEROTISMO, associar a Grécia com a origem é absurda e aleatória, como explicar as referências no Egito, Fenícia e Mesopotâmia anteriores?

    segundo, HOMOSSEXUALISMO, HOMOSSEXUALIDADE, qualquer especialista que valha a pena ser consultado dirá que surge apenas nos séculos XIX e XX na França/Alemanha/Inglaterra (e sim, se alguém discordar disso não é um especialista a levar em consideração).

    então, esse post é desinformativo. desculpa dizer isso. mas vc está prestando um desserviço a comunidade gay repetindo um mito.

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  4. DPNN: obrigado pelo complemento.

    Foxx: não considerei uma grosseria e está registrado o seu protesto. Entretanto, "tirar o post do ar" julgo desnecessário, uma vez que os estudos apresentados foram obtidos por meio dos autores e das fontes mencionados. Apenas adaptei ao meu estilo. Pelo mesmo motivo, não considero que haja qualquer "desserviço".
    Os comentários, aliás, servem pra isso mesmo, para que os leitores exponham os seus pontos de vista. A maior finalidade de um blog, sob o meu ponto de vista, é o debate e a troca de informações.
    Obrigado pelo seu.
    Beijos.

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  5. Não compactuo muito com estudos pró-científicos tentando determinar origens para comportamentos, como o caso presente da homossexualidade, que não se restringem à condição socio-cultural da natureza humana. Na natureza animal há muitos exemplos de comportamentos homossexuais.

    Gosto do post e acho-o muito útil na divulgação histórica de abordagens desconhecidas para a maioria inculta que abunda nos nossos tempos.

    Por favor mantém o post no ar!!! Os cães ladram e a caravana passa!

    Beijos

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  6. De história, eu não entendo.
    Da minha história, entendo eu.
    Não sei como teria vivido em outras épocas, se o homem é fruto do meio. Eu creio que o meio influencia, mas, pelo menos no meu caso, seria impossível uma influência que, em qualquer época, me levasse a ser um homem como os outros, no sentido da atração irreprimível pelo sexo oposto.
    Eu gosto de homem, e não apenas do sexo com homem, que é coisa cada vez (quanto mais velho fico) menos importante.
    Nunca gostei de mulheres, embora, em certa época, tenha tido algumas relações heterossexuais e uma namorada.
    Acho que isso que chamam hoje ser gay, homossexual, seja lá o que for, é uma condição humana. No meu caso, creio que nasci assim, e não teria como ter sido diferente.
    Só lamento não ter encontrado um mundo tão "friendly" há mais tempo. Se é que podemos dizer que existe algo amigável nesses tempos de tanta violência gratuita.

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