DOIS ACONTECIMENTOS REAIS.
O PRIMEIRO
Num movimentado parque de Ipanema, Rio de Janeiro, crianças de todas as idades brincam por todos os lados, algumas acompanhadas dos pais, outras das babás. As maiores, quase adolescentes, estão na companhia dos amigos da mesma idade em rodas de conversas descontraídas num fim de tarde ensolarada de verão. No meio deles, um casal formado por dois jovens heterossexuais de aproximadamente 20 anos está sentado trocando carícias íntimas e beijos apaixonados. Os dois estão eroticamente posicionados num dos vários bancos da praça. Ele, sentado paralelamente ao banco com uma perna para cada lado, beija e abraça a namorada que, na mesma posição, cruza as duas pernas em volta da cintura dele agarrando-o com os braços em volta do pescoço. Além dos beijos, o casal proporciona aos transeuntes algumas ligeiras e ousadas cenas como o passar de mão nos seios e o som de leves gemidos.
Próximo dali, uma desinibida e esperta criança do sexo feminino, de 6 anos, pergunta à mãe:
- Mãe, ela vai ter bebê?
A mãe, que nunca havia conversado com a filha a respeito do assunto, fica abismada com a pergunta inesperada e não consegue imaginar de onde a menina teria relacionado sexo com bebê. Mas arrisca uma resposta rápida:
- Não filhinha, os bebês nascem de outro jeito. Vamos pra casa que está quase na hora de o seu pai chegar do trabalho e ainda temos que passar na padaria.
O pai da criança chega em casa, dá um selinho na esposa e faz uma brincadeira rápida com a filha, que nem percebe direito porque esta sentada no chão da sala entretida com as suas bonecas.
O casal conversa sobre alguns assuntos da casa e a mãe lembra do episódio que acabara de acontecer no parque, comenta com o marido e os dois caem na gargalhada...
O SEGUNDO
João Batista Júnior e Tiago Soliva:
vítimas de homofobia num cinema.
Num hall de um conhecido cinema de Copacabana, Rio de Janeiro, o público aguarda o início do filme que está sendo muito comentado: Cisne Negro. A idade mínima permitida para estar ali é 16 anos. Homens, mulheres e adolescentes quase adultos aguardam as portas se abrirem para se acomodarem nas poltronas. 
Alguns casais heterossexuais se abraçam e se beijam normalmente. No meio deles, um casal formado por dois homens homossexuais (foto à dir.) também se beija e se abraça. Um segurança do cinema que já havia olhado de forma estranha para os dois desde o momento da entrada, conforme foi informado depois, se incomodou quando viu o casal se beijando - e somente aquele casal. Ato contínuo, se aproximou dos enamorados, apontou para a saída e pediu que se retirassem do local porque estavam constrangendo os demais ali presentes.
INDIGNAÇÃO DOS ENVOLVIDOS NO SEGUNDO
Inconformado, o casal indagou o motivo e questionou ao segurança se ele gostaria de ser incomodado daquela forma se estivesse com a sua mulher no cinema. Após uma pequena e inócua discussão, nada foi feito. Nem o gerente do cinema advertiu o segurança, apesar de ter se desculpado e oferecido um vale-ingresso ou o dinheiro de volta. O casal resolveu ir à delegacia para registrar uma queixa contra o segurança, mas de nada adiantou, pois o funcionário (terceirizado, segundo alegou o Grupo Severiano Ribeiro ("GSR"), dono do cinema) havia sido afastado dali antes de a polícia comparecer. Somente no dia seguinte, de volta à delegacia, os dois ficaram sabendo que sequer poderiam formalizar a queixa de homofobia contra o segurança. O delegado, educadamente, explicou que não existe o crime de homofobia previsto em nosso código penal, porém, advertiu-lhes de que poderiam mover uma ação de danos morais (esfera cível) contra o cinema, se assim quisessem. Mas, não era ali o lugar competente, claro.
O que eles fizeram para tentar diminuir a vergonha e elevar a moral e a honra massacradas foi procurar a recém-criada Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual da Prefeitura.
Carlos Tufvesson, o estilista que é coordenador do órgão, instaurou processo administrativo contra o GSR e o cinema divulgou uma nota nos principais jornais lamentando o ocorrido e informando o afastamento imediato do tal funcionário.   
ENQUANTO ISSO, EM BRASÍLIA...
No Congresso, o deputado federal Jean Wyllys (foto) tenta a todo custo convencer os parlamentares conservadores de que a informação sobre a homossexualidade precisa estar inserida nos programas escolares para que crianças e jovens aprendam a lidar com as diferenças sexuais. O deputado está coordenando a reestruturação da "Frente GLBT", que antes não funcionava à contento, e recolhendo assinaturas dos demais deputados visando o amparo deles nos projetos em prol dos direitos civis dos homossexuais. Porém, já se deparou com outro deputado, o (argh) Jair Bolsonaro com uma pá na mão pronto para enterrar qualquer ação do ex-BBB relacionada à homossexualidade. Para tanto, o 'argh' promoveu e lidera uma força-tarefa - bem ao seu estilo militar ditatorial - com o apoio de alguns parlamentares da radical "Frente Evangélica" e da conservadora menos radical "Frente da Família" das quais faz parte.
No Senado, é Marta Suplicy quem está coordenando a "Frente GLBT" para concatenar com o trabalho do Jean Wyllys na Câmara dos Deputados.
Dentre os planos do professor universitário Wyllys, o mais polêmico será o projeto de lei que pretende instituir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo:
Vou propor e protocolar no dia do lançamento da frente. Existe um projeto tramitando de união estável, nós vamos propor outro. Não é “casamento gay”. Quando a imprensa coloca assim, provoca um equívoco quanto à noção do sacramento do casamento. Não estamos tratando disso, mas de um direito civil. O Estado é laico e o casamento é um direito civil, ele tem que ser estendido ao conjunto da população, independente da orientação sexual e identidade de gênero. Se os homossexuais têm todos os deveres civis, então têm que ter todos os direitos. É assim que funciona uma república democrática de verdade.
Fontes: Notícias R7; CliquePB; e Revista época.

7 comentários:

  1. O que tanto temem os bolsonaros da vida? Ora travestidos de parlamentares, ora de vigilantes... Sempre perseguindo pessoas que nenhum mal lhes fazem. Ou fazem?

    Dá até pra pensar que eles não são tão seguros das teses que dizem defender... Usam a repressão, sob todas as formas, como única forma de impedir a manifestação do diverso.

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  2. ai jean willys, o sacramento se chama MATRIMÔNIO...

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  3. as estratégias precisam ser repensadas sim e vejo q neste início de mandato de governo Dilma, as chances de sucesso aumentam muito ... é trabalhar com inteligência e rapidez ...

    ;-)

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  4. Vejo mais como preconceito do segurança - atitude individual dele mesmo.

    Marta Suplicy (arrrrrrrrrgh) está só usando os gays novamente, como sempre fez ao longo de sua trajetória política, para voltar à mídia e concorrer à prefeitura de SP. Pergunte a qualquer paulista com memória o que ela fez ao se ver prestes a perder a eleição, "acusando" o Kassab de ser gay e dizendo que ele não era confiável por conta disso. Infelizmente, brasileiro não tem memória... Além disso, tenho nojo de "feminista" que pede voto para um cara que espancou uma mulher... #prontofalei...

    Minha opinião não é lá muito isenta, mas veja o que diz o João Silvério Trevisan nesta entrevista em que ele conta o que ela fez de fato quando era prefeita de SP: http://migreme.net/13l3

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  5. Fox, não entendi o seu comentário. Achei coerente o que Jean disse, ou seja, é melhor a imprensa focar nos direitos civis dos homossexuais e não passar a idéia do ato ou ritual religioso (= sacramento) do casamento. Os gays não fazem questão de rituais, mas do direito civil os quais podem ser formalizados num cartório.
    A imprensa, os políticos e até nós mesmos confundimos a população menos esclarecida usando o termo casamento gay.
    Poderíamos utilizar a expressão casamento civil gay. Ficadica.

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  6. Pessoal: foco.
    Dois, a Marta foi mencionada como coadjuvante nesta postagem. Aliás, ela poderia ficar de fora. Só foi incluída por causa do trabalho da "Frente GLBT" (coordenada pelo Jean) que utiliza a Marta no Senado para angariar apoio por lá.
    O Jean Wyllys, sim, é o foco.
    Bjus

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  7. Aquele lance da Marta na eleição contra o Kassab, definitivamente, foi indigno de uma pessoa minimamente séria. Muito bem lembrado!

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