O que você acha da militância ou ativismo gay no Brasil? Teria sido ele outrora calcado numa estrutura organizada com objetivos predefinidos? E atualmente, o movimento apresenta planejamentos bem elaborados às causas que defende e às que pretende lutar daqui pra frente? Quem foram os desbravadores num passado mais radical que abriram portas aos atuais ativistas LGBT?

Saber com precisão as respostas para as questões acima não é tão simples como parece. Não falamos de empresas ou sociedades empresariais que desenvolvem atividades econômicas, seguem trâmites burocráticos para sua criação e prestam serviços ou vendem produtos no mercado.

Um mercado aliás que atualmente detém enorme fatia destinada ao público gay, justamente porque algumas pessoas, em épocas insociáveis, trouxeram à tona temas relacionados à homossexualidade - antes praticamente proibidos. Várias indústrias de diferentes segmentos (moda, música, turismo, arte, literatura, etc) hoje ganham rios de dinheiro graças à abertura do chamado pink money

Na política atual, temos até parlamentares assumidamente gays, como o deputado federal e ativista Jean Wyllys.


A origem do ativismo gay portanto se deu nas universidades, ruas, assembleias, congressos e afins, visando atenção e apoio. Mas atrair os olhares não era tarefa fácil. Assim foi com os movimentos ligados à contracultura, como a 'libertação gay' (americana) das décadas de 1960 e 1970. Cansados do preconceito, da repressão, da censura e dos maus tratos da polícia, os gays foram se rebelando em massa até ocorrer o caso clássico: "Rebelião de Stonewall".


"Sotnewall Inn" foi um conhecido bar de Nova York da década de 1960. Pela primeira vez, um grande número do público LGBT se uniu para colocar um basta nos maus tratos da polícia.

Frequentado por homossexuais, o bar foi cenário de um conflito violento com a polícia de NY que durou vários dias do mês de junho de 1969. Até hoje é considerado o marco dos movimentos em defesa dos direitos LGBT. Esse evento originou o que hoje é conhecido como "Parada Gay" ou Celebração do Orgulho Gay. 

Brasil

Por aqui não há registros sobre movimentos LGBT antes da década de 1970. Nem poderia porque não havia abertura política. A ditadura predominava, a imprensa não tinha liberdade para se manifestar. Os homossexuais sofriam duplamente porque além da liberdade de expressão tolhida eles não podiam exercer sua sexualidade.

Somente após um longo período repressivo e após a abertura política, iniciada em meados da década de 1970, gays no Brasil começaram a sonhar com uma sociedade sexualmente menos repressora. O foco não era a cultura influenciada por outros países, mas sobretudo os movimentos da contracultura dos Estados Unidos e Inglaterra.

Atualmente temos grupos organizados em todos os estados do Brasil e a postura dos homossexuais é completamente diferente da que predominava há 40 anos.

Em 1978 surgiu o primeiro grupo de defesa dos direitos LGBT no Brasil: o "Somos: Grupo de Afirmação Homossexual". Mais conhecido como "Somos", em homenagem ao movimento homossexual argentino (1971-1976), durou até 1987 e teve como objetivo inicial tornar a homossexualidade um tema que pudesse ser discutido publicamente, torná-la visível à sociedade preconceituosa. Um de seus fundadores é o jornalista, escritor e dramturgo João Silvério Trevisan (foto). Dentre outros trabalhos, manteve uma coluna na revista G Magazine

Em 1980 foi fundado pelo ativista, antropólogo, professor Luiz Mott o Grupo Gay da Bahia - GGB. É considerado o mais antigo dentre os que ainda existem na defesa dos direitos humanos dos homossexuais do Brasil e da América Latina. Iniciou-se como sociedade sem fins lucrativos, mas atualmente é uma associação.

Em 1995 foi fundada em Curitiba a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT), considerada hoje a maior da América Latina. Teve no quadro de presidentes o ativista e mestre em filosofia Toni Reis.

No tocante aos principais ativistas LGBT do Brasil, o Google indica o caminho das pedras, especificamente no Portal LGBT (Wikipédia). Esse portal cita outras personalidades importantes para o movimento LGBT, além dos já mencionados.

A finalidade da postagem é despretensiosa e atendeu a um pedido do leitor Lobinho (ex-Intercine Gay). Poderão ser acrescentados outros ativistas porventura omitidos. As fontes estão destacadas nos links.

Confira também: "Nossas Origens. Um Passeio Pela História da Homossexualidade"

7 comentários:

  1. Não nego a importância fundamental de todos os movimentos q reivindicam espaços e respeito a minorias, mas tenho uma visão particular sobre isto aqui no Brasil. Acho q precisavam mudar um pouco o foco, pois além de reivindicar torna-se imperioso conscientizar o mundo gay do q é ser gay. Não concordo com a tendência crescente de super valorizar a vitimização do mundo gay, bem como, esta perspectiva de direitos sem deveres. Falta uma consciência maior neste contexto. Fim dos preconceitos é fundamental, principalmente dentro do próprio segmento gay.

    bjux

    ;-)

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  2. Legal a retrospectiva, dá pra perceber o quanto a coisa foi desandando...rs...Particularmente eu acho que o "movimento gay" atual é descoldado da realidade do gay, não soube atualizar o discurso e continua repetindo uma ladainha de cunho marxista datada, talvez pela submissão à agenda de partidos políticos. E, na maioria dos casos, só fala da homofobia, como se os gays fossem judeus num mundo nazista. É preciso atualizar o discurso, não é à toa que os jovens não dão - felizmente - a menor bola para os militantes.

    Concordo com o que o Paulo falou, mas gostaria de ver um movimento gay mostrando que não há diferenças entre gays e héteros, além da estritamente sexual.

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  3. Muito,muito interessante o post.

    Hoje em dia,me interesso por esses assuntos.
    Meus ex namorados nao se interessavam.

    Obrigadao pela aula,Ju.
    Beijos.

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  4. bem, só faço uma ressalva, a abertura política é da década de 1980. Acho q a expressão mais correta seria uma "tendência a abertura" na década de 1970.

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  5. E ainda hoje é assim, tem sempre aquela que é xingada pra num futuro outras serem respeitas.O que dói é ver que existe preconceito dentro da classe.Abs!

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  6. Concordo com as opiniões que relevam a necessidade de educação. Se queremos lutar contra os preconceitos de que somos vítimas, então temos de nos libertar nós mesmos dos nossos preconceitos.

    Bom trabalho de esclarecimento.

    beijos

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  7. vou tirar 10 no trabalho

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