Maria Gadú (à esquerda), no palco, deu um beijo no cantor Leandro Leo durante a apresentação de um de seus shows.  Julho de 2010.
Gente, o que tá acontecendo com as lésbicas famosas? Não bastasse a Diana - a modelo notoriamente gay que a 11ª edição do programa Big Brother Brasil (parei de ver) escolheu (mal) para representar a classe - ficar o tempo todo repetindo que não gosta de ser rotulada porque não se considera lésbica e que gosta de se sentir livre para "pegar" quem ela quiser, há poucos dias a cantora Maria Gadú (adoro) afirmou numa entrevista à "Folha de São Paulo" que não curte nomes para se definir:
Não dou nome ao que sou. Por que vou falar que viado é do caralho? É do caralho mesmo, mas hétero também é. Além do mais, eu não sei quem vou conhecer amanhã.
No seu caso querida Gadú, não é "viado", é "sapatão" (seguindo a sua pejoração). Repita comigo: sa-pa-tão. E, sim, as 'sapatas', os "viados", as "travas", os héteros e quem mais assume o que é de verdade, são mesmo "do caralho".
Tudo bem que ninguém é e nem deve se sentir obrigado a assumir sexualidade porque não quer ou porque não se sente maduro(a). Mas, creio, avocar pra si próprio é o mínimo pra  se viver melhor, né não? Igualmente, negar a falar sobre a sexualidade é digno; é um direito, entretanto, se sentir quase ofendido(a) porque alguém pergunta se você é gay e, ainda por cima, em tom blasé querer passar a idéia de que gosta de transar com o sexo oposto, vamos combinar que é meio retrô e muito mais ofensivo à classe, ou estou errado? Como diria o nosso deputado federal, Jean Wyllys  (quando se manifestou a respeito do cantor Ricky Martin), até as pedras já sabem que ela é gay.
Já cansei de falar aqui no blog que demorei bastante pra falar "eu sou gay" quando era abordado e que me sentia um covarde ao negar para alguns héteros, porém, não fazia a linha pegador de mulheres ou demonstrava ser isto uma vantagem.
Não estou negando a existência da bissexualidade. Longe de mim. Porém, o comportamento e as atitudes de uma pessoa famosa revelam traços da personalidade. do gosto pessoal e até da sexualidade ao público. Ou alguém já viu a Maria Gadú ou a Ana Carolina serem flagradas aos beijos ardentes e apaixonados com um homem?  Nem com uma mulher, tudo bem, mas, aí, é por outra razão: o benefício da dúvida quando a proposta é não comprometer a carreira.
Quanto ao fato de não dar nome ao que se é ou de não gostar de rótulos, isso é bem relativo, afinal, vivemos em sociedade e a linguagem escrita é repleta de nomes, senão, como iríamos nos comunicar?
- Maria Gadú, que espécie de animal é você?
- What? Hã?
- Desculpe, não é o que está pensando. É apenas um teste de conhecimentos gerais (faz parte da entrevista): você e da espécie racional ou irracional?
- Ah bom, cara, pensei que estava me ofendendo...
- Que é isso? De forma alguma...
- Racional, claro, né?
- Como você se definiria numa palavra?
- Sou uma pessoa legal.
- Em qual espécie de sexualidade você se encaixa? Homo, bi ou hétero?
- Não gosto de falar da minha sexualidade.
Nesta fictícia entrevista, ainda que as repostas pudessem ser um pouco diferentes, provavelmente a cantora teria que dar nomes ao que ela é nas duas primeiras respostas: "racional" e "legal". A última acima seria mais interessante do que a que ela usou na verdadeira entrevista à "Folha".
[Gostaram do Oscar/2011? Dormi cedo e não vi]

6 comentários:

  1. Cara,ri muito com o trecho:repita comigo...

    Já nao me surpreende mais famosos gays brasileiros amarelarem.#Prontofalei.

    Mudando de assunto,esse ano,eu nao assisti ao Oscar.Nao pude matar trabalho(ano passado,faltei para ver.Abafa.).Nao li direito as reportagens sobre os vencedores.Muito sono hj.
    Beijos.

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  2. Não vejo o menor problema nestes casos, acho que a dimensão que a história da Gadu vem tomando é um exagero. Há uma diferença entre assumir uma identidade gay - seja lá o que isso signifique- (que é algo cultural, portanto, uma escolha) e uma sexualidade gay (que é natural, e a única escolha que se coloca é colocar em prática ou não).

    A sexualidade humana é muito mais ampla do que os rótulos que tentamos criar. Já transei, beijei e tudo mais muito mais mulheres do que homens, e, tirando o fato de estar casado, nada me impediria de fazer isso hoje, sem maiores dificuldades.

    Confesso que entendo ela não querer ficar restrita a um gueto, já que sua música se mostrou capaz de atingir a todos os públicos. O que seria estranho, e eu condenaria, seria ela vir a público e dar declarações homofóbicas, o que, não é definitivamente o caso. No mais, ela é livre para fazer suas escolhas e viver do modo que a faça feliz. Ninguém representa ninguém, a menos que tenha sido eleito para tal.

    Neste ponto, sou muito mais uma frase do grande Morrissey: "As pessoas são apenas sexuais. O prefixo é irrelevante."

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  3. Amore!
    Eu sei que talvez não tenha nada a ver o que estou escrevendo, mas eu tenho uma dúvida no quesito "o que as lésbicas querem?"
    Pense comigo: Se lésbica que é lésbica não gosta de pênis... porque usam os "dildos" em suas relações sexuais? Não estou generalizando mas... é um caso a se pensar. No caso da Gaduzão, eu acho mesmo é que ela quer é se aparecer!

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  4. Não concordo com você. Tem gente que curte de tudo e assumir um rótulo seria limitar-se. Se ela for do tipo que fica atraída por heteros, homos, travas, mulheres, transexuais, nem o próprio termo bissexualidade seria suficiente pra definir esse comportamento sexual. Acho sim retrô definir "eu sou gay", auto-afirmação e bla-bla-bla-bla. Vamos viver nossa sexualidade de forma livre. Ròtulos pra quê? Pra fazer parte de uma "classe"? Nossa sexualidade é única e não somos igual a ninguém. Se ficarmos presos em definições, uma porção de riquezas são perdidas.

    Sim, ninguém nunca viu Maria Gadú aos beijos com uma mulher, mas precisa ver pra saber que ela é 80% homem e 20% mulher? rsrs Vai ver que sua parte homem é gay!!!

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  5. eu já escrevi um texto sobre a Gadu, acho ela uma menininha blasé que quer chocar a sociedade, e sabe q se dizer gay hoje não choca tanto qnto não falar nada. O silêncio dela incomoda mais.

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  6. Quem é Maria Gadu mesmo? não curto ou melhor não suporto ... um porre daqueles outros tantos q criam e alimentam pela mídia ... daí tudo vale para estar em foco ...

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