Imagem: Alfredo Rodriguez.
Falar sobre a violência física contra os homossexuais nos dias de hoje é complicado devido as tantas manifestações homofóbicas que vimos e continuamos vendo nos noticiários e, por isso mesmo, todo o cuidado é pouco na hora de abordar o tema para não desencadear o efeito contrário, ou seja, ao invés de combatê-la corremos o risco de apologizá-la.
Estamos falando de pessoas sem juízo de valor algum. Quem comete essa modalidade de crimes - os contra as pessoas (lesão corporal, homicídio, etc) - em geral, são indivíduos desprovidos de senso crítico, de moral, de ética, de respeito a si e ao próximo e, principalmente, de equilíbrio emocional.
Li uma matéria muito boa na Veja (aqui) sobre um estudo do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp, denominado Aspectos Afetivos e Cognitivos da Homofobia no Contexto Brasileiro, no qual aponta que o crescimento de homossexuais assumidos no Brasil, bem como a sua  inserção na sociedade, é lento se comparado ao da intolerância.
Dentre os vários aspectos abordados, o que mais se adequa à proposta desta postagem é o fato de que os homofóbicos costumam agir em grupo. Cristina Lasaitis, a coordenadora do estudo, acredita e enfatizou que:
o grupo tem um papel fundamental nas agressões. Sem o respaldo dos amigos, a chance de uma pessoa partir para a violência é muito menor, ainda que a vítima também esteja sozinha. E esta espécie de amparo, que lhe dá até a sensação de poder dividir a culpa, é visto como uma “vantagem” em ser homofóbico. Durante a agressão, predomina um forte sentimento de confraternização, de pertencimento, de coesão de grupo, além da adrenalina natural do momento. É quase como um banquete, cabendo à vítima, ironicamente, o papel mais dispensável.
Muito se fala por aí que os homossexuais não devem se deixar abater com as ameaças dos agressores que perambulam as ruas. Acredito não ser este o melhor conselho durante o carnaval quando grupos de homens, na maioria jovens irresponsáveis e metidos a machões, estão aos montes dando show de incivilidade. Por isso, ao invés de provocar a bestialidade destes seres zoofágicos, que tal se precaver e curtir a festa até o último dia sem surpresas desagradáveis, pra dizer o mínimo? 
Durante festas de grande apelo popular como é o carnaval, creio, não é um bom momento para medir forças ou dar lição de moral e/ou de civilidade a ninguém. Melhor mesmo é sair de fininho antes de a coisa engrossar. Seja nos blocos de rua, nas quadras das escolas, nos desfiles, nos bares e boates, enfim, ao sair de casa, tenha em mente que a melhor coisa a fazer é:
  • dar preferência ao grupo. Convide o máximo de amigos para curtirem juntos;
  • gravar no celular ou anotar no bolso o nome e o número de serviços de utilidade ao público LGBTs, como o Disque 100 (todo o Brasil), o 0800-023-45-67 begin_of_the_skype_highlighting            0800-023-45-67      end_of_the_skype_highlighting (Rio de Janeiro) ou mesmo o da Polícia Militar: 190;
  • anotar também endereços e telefones de pronto-socorros e hospitais da sua cidade.
  • procurar órgãos competentes disponíveis nas ruas, como a Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual - CEDS, ligada à prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. A CEDS instalará na Praça Gal Osório, em Ipanema, um posto especialmente montado para orientar a população sobre direitos LGBT. Além disso, ele servirá como um canal que intermediará eventuais denúncias de violência da população gay e o encaminhamento às autoridades competentes (Fonte: A Capa).
Caso perceba que um de seus amigos se envolveu numa discussão ou briga sem se dar conta do perigo, não titubeie nem pense duas vezes: ligue imediatamente, denuncie e peça socorro. Se se verificar depois que tudo não passou de um mal entendido, não fique constrangido por ter feito o que parecia ser o certo. Melhor assim do que a sensação de que algo poderia ter sido feito no caso de uma fatalidade.
Para ler mais sobre os serviços de utilidade ao público LGBTs, clique aqui.
Para conferir a agenda sugerida para o carnaval carioca, clique aqui.

8 comentários:

  1. Concordo totalmente com a pesquisa, acho realmente que o que temos é maior visibilidade, tanto dos homossexuais quanto dos casos de intolerância. E cresceu mais a visibilidade do que a violência. Quem é da velha-guarda sabe que já foi muito mais complicado ser gay assumido, pois o preconceito era muito mais difundido na sociedade como um todo. Um exemplo que sempre me vem à cabeça está no documentário "Meu Amigo Cláudia": repórteres, nos anos 80, saem às ruas perguntando sobre uma onda de violência contra homossexuais. Sabe o que jovens e adultos comuns respondem? "Tem mais é de matar mesmo". Faça a mesma pergunta hoje em dia. Duvido que essa resposta não seja a exceção - se é que alguém vai dizer isso.

    Eu sou daqueles que dizem que o pessoal tem mais é de viver sua vida mesmo, sem neurose em relação à homofobia. Não quer dizer ser imprudente, mas apenas ser senhor da própria vida, e não ficar esperando o mundo ideal surgir para começar a viver.

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  2. DPNN sempre bom de contextualização ...

    os dados conferem com a realidade e não mentem ... mais visibilidade é isto o q acontece hoje ...

    mas isto não impede a luta ... pelo contrário ela torna-se cada vez mais necessária e oportuna ...

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  3. Excelente advertência!
    Em qualquer circunstância o bom senso é a melhor defesa. Alegria não tem de ser inconsciência e imprudente descuido.

    Lutar por direitos deve começar na revisão dos pequenos gestos e atitudes do quotidiano. A consciência de quem se é do seu lugar na sociedade por direito.

    Beijos

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  4. Concordo, melhor mesmo sair de fininho, porque querer debater ou dar lição de moral sendo que o agressor cetamente estará sob efeito de alcool, e sabe lá se nao for armado.
    Valew pela dica do numero nacional, espero nao precisar,mas e sempre bom ter a mao.Bjs e bom carnaval a todos!

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  5. Carlinhos23@uol.com.br :São vagabundos, sem caráter, que não se aceitam como são, bando de falsos FAKE viado e FAKE, nunca seus desgraçados vão ser mulheres, no fundo e o que vcs querem ser... mas pro azar de vcs nunca vão ser... ohhhhh chora Desgraças!!! da terra bando de falsos... infelizes e isso que vcs sempre vão ser!!!

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  6. Gay tem mais é que apanhar para aprender a ser homem!

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  7. Por que alguém que diz que "veado tem que apanhar pra virar homem" entra num blog contra a homofobia? Achou que veria homens transando e ficaria excitadinho? Te liga, idiota!E espero que tu seja estéril, pra não passar esta mentalidade adiante, nem matar uma criança que não seja o que tu acha normal!

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