Namoro é como um contrato com cláusulas chamadas pelos americanos e ingleses de "cláusulas implícitas". 

No relacionamento amoroso, assim estabelecido, as regras não são fixadas de forma escrita. E quem seria louco? A maioria dos casais não tem essa noção e menos ainda sai falando coisas do tipo: o objeto desse contrato é validar o namoro das partes para que surta efeitos somente nas condições ora pre-estabelecidas, entre as quais a de promover encontros de, no mínimo, três vezes por semana e obrigatoriamente aos sábados; Não pode haver traição... E por aí vai.

Na prática, não precisa disso porque está implícito. Não raro, o contrato se rompe quando uma das partes descumpre uma ou mais dessas obrigações. A partir de então, estão desfeitos os encontros, os beijos, os meses ou anos de entrega mútua, a paixão e o amor.

Às vezes, há renovação, alteração ou até se assina outro contrato formal e solene: casamento.

Essa analogia jurídica é para chegarmos naquele que pode ser considerado o pior dos inadimplementos de um contrato de romance: traição. 


Dizem que infidelidade faz parte da natureza do homem e que mulheres que se comportam assim são exceção. Um leitor escreveu solicitando opinião sobre o comportamento dos casais gays: há um exagerado "consumismo de corpos" (como ele chamou) no gay lifestyle? São os gays mais infiéis do que homens heterossexuais ou mulheres gays agem de forma diferente das héteros? Leia o desabafo abaixo.
Não parei pra pensar muito e elaborar melhor uma idéia mas, não aguento mais! Tenho 40 anos, Tive quatro namoros sérios de mais ou menos cinco anos cada. Pra todos sou um cara interessante, bonito, corpo legal, cabeça ótima, inteligente, e até "um tesudo" (dizem alguns) o tipo "pra casar". Todo mundo diz querer alguém assim. Mas destes quatro namorados, três viviam na "putaria" sem eu saber. Morei com todos eles. Estou namorando atualmente e lutando muito pra sair da relação, pois ele todo dia está nas salas de bate-papo buscando alguém, uma "novidade". Me ama, quer envelhecer ao meu lado (alguém já ouviu ou falou isso?), mas não abre mão de muito sexo. Pior é que no mais, somos extremamente amigos e temos muitas afinidades. Ele tenta se valer disso pra justificar: "só por causa de fidelidade vai colocar tudo a perder? A gente se completa em tanta coisa!". Nos últimos 20 anos, desde quando me "descobri" gay, tenho vivido de "perdoar". To vivendo a base antidepressivo, terapia e quando minha cabeça parece que vai explodir, tomo um rivotril e durmo. A "cultura gay" assume ao pé da letra o consumismo da sociedade atual, só que de corpos, onde pessoas são descartáveis. As coisas ficam obsoletas, devem ser trocadas por um modelo mais interessante. Inclusive pessoas. Relacionamentos nos ensinam muito sobre nós mesmos e temos a oportunidade de ver nossas falhas e aprender com alguém que realmente nos ama ao nosso lado. Mas quem quer encarar o que tem de "não tão bom" no outro e superar juntos? Passa logo para o próximo (a fila anda). Isso parece mais evidente ainda aqui em Floripa onde todos entram no "cio" no fim do ano, carnaval, feriadões, etc. Não vejo luz no fundo desse túnel, pois cada pessoa que encontro fica mais evidente a naturalidade desde consumo de corpos. Isso que nem frequento lugares gays. Agora me pergunto: existem de fato VALORES que nos tornam mais HUMANOS? Faz sentido buscarmos sermos alguém melhor para o outro e mesmo o mundo em que vivemos? Desculpem o desabafo...

Você perdoaria uma traição?
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8 comentários:

  1. Titchya votou não Junnior. Titchya explica: já tive diversos relacionamentos frustrantes cada um à sua maneira. Todos eles terminaram com uma traição. Consigo ser fiel, sou fiel e nunca paguei na mesma moeda as traições que recebi na fuça. Sei lá, acho que pagar na mesma moeda é indigno partindo do ponto de vista que estaria baixando no mesmo nível, porém acredito que, se eu me torna-se dependente de um Rivotril por exemplo para não explodir, eu estaria sendo mais indigna ainda e com uma pessoa que eu amo primeiramente: EU MESMA! Ao fofo que enviou este desabafo eu gostaria de dar um conselho: Meu querido, que tal esquecermos afinidades, falsas promessas e depressões desnecessárias e começarmos a viver a vida de verdade héin? Tudo bem que o seu tom de descrença nos seres humanos habitantes do mundo gay está evidente, mas não é à eles que você deve um voto de confiança, é a si mesmo. Amor próprio rapaz! Levanta a cabeça, larga o rivotril e entra no cio também. Não precisa fazer a linha "Gretchen" arrastando tudo quanto é homem pra cama (e pro altar), mas curtir um pouquinho sua vida seria um bom remédio pra você. Sabe por que te falo isso? O mundo está cheio de possibilidades amour! Seja feliz, mas de verdade!

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  2. Realmente um assunto pra se refletir;eu nem consegui responder a enquete pelo motivo que pra mim, e sempre procuro abordar isso com clientes de tarot, o que interessa é como está a sintonia dentro de uma relação.
    Quais os sentimentos e atitudes que rolam seja no namoro, ou como no relato acima, no convivio diário, em caso de pessoas que moram juntos.
    Porque eu penso que se pararmos pra analisar, sexo é diferente de amor, embora transar com quem se ama seja infinitamente melhor.#Fato.
    Mas também como bom escorpiano possessivo, não conseguiria viver uma relação séria, de morar junto, com uma pessoa que apesar de viver bem comigo, fosse procurar outras pra transar e pedir minha compreensão.De fato é banalizar muito a relação estável no meu entender.Alguns dirão: pelo menos ele joga limpo, mas eu diria:o que os olhos não ve o coração não sente.Prefiro morar com um cara super legal, que me faz sentir feliz, e se ele pula a cerca, prefiro não pensar, e muito menos saber, também não vou dizer.
    Por outro lado, a traição quando não abordada por esse lado, pra mim indica como anda uma relação, porque tem os que traem por saber separar e querer variar, como os que tem algo a dizer, tipo, ei, não estou legal com você, acorda!
    É muito complexo. Eu não posso dizer que não perdoaria uma traição, caso amasse mesmo uma pessoa, tentaria antes ver o que de fato se perdeu na nossa relaçao que abriu uma brecha, acho isso o mais importante.
    Eu morei com um cara jovem, que certa vez veio com sinais de traição (chupão no pescoço) que me feriu muito, mas fui muito maduro pra tentar entender o que se passava entre a gente, porque até isso acontecer, tava tudo bem. Terminei a relação não por nao perdoar a traição, mas porque ambos chegamos a conclusão que o sentimento tinha mudado.
    Floripa ta bem dificil pra relacionamento serio sim, as pessoas tao meio voltadas nao só nos dias festivos, mas no geral, para o contato fisico, e ai so olham corpo, por isso essa banalização do amor.Mas to confiante que ainda encontrarei alguém legal de verdade.Desculpe o texto enorme, mas esse assunto e fogo!

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  3. Ju,vc pegou pesado com essa pergunta.Já perdoei muito no passado,por medo de perder a pessoa.
    Com o tempo,aprendi a me amar e me respeitar,Claro,aprendi apanhando da vida.
    Respondi sim na enquete,pq entendi como uma traiçao.Nao várias.

    Analisando o caso desse e-mail,eu já teria caído fora.Ju,ele vai ficar esperando o cara amadurecer?Já passei por isso.Saí fora e até hj essa pessoa nao amadureceu.Olha q isso faz anos,hein.
    Os caes ladram e a caravana passa...
    beijos,Ju.

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  4. Junnior, faltou a opção "depende". Num primeiro momento eu responderia "não", mas acho que seria capaz de perdoar, dependendo do que tivesse acontecido. Só não esqueceria, é claro...

    Sobre o contrato do qual você falou, na semiótica chamamos de "contrato fiduciário". Não é um "contrato de confiança" mas sim um "contrato imaginário", no qual a modalidade do /crer/ garante o /saber/, ou seja, baseado em crença.

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  5. Traição no conceito corrente eu perdôo. Coloco neste contexto aquela eventual aventura sexual. Para mim [digo nós ... eu e a marida] traição verdadeira e q não se releva é a traição do sentimento ... não sei se me fiz entender ...

    Desculpe a ausência estes dias, mas já de volta às atividades de BlogsVille ...

    Obrigado pelo carinho de sempre por lá no Enfim ...

    Bjão do Bratz

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  6. Caro responsável pelo blog, não encontramos uma forma de contatar você diretamente.
    Criamos uma rede social dedicada ao público LGBT e gostariamos de contar com sua presença em nosso espaço. E se a rede for de seu agrado, contamos com sua divulgação.
    Por favor entre em contato conosco pelo email contato@gpride.net

    Não divulgamos a URL diretamente pois respeitamos seu espaço.

    Esperamos você lá!

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  7. Continuando...de fato é algo complexo. Uma eventual análise deve ser contextualizada. Generalismos não se aplicam. No meu caso o que percebi: Ele não considera traição, apenas sexo (me pergunto: quanto? todos os dias tá valendo também?). Ele diz "apenas sexo, as vezes nem sei o nome da pessoa". (Um dia acabei conhecendo um cara que ele transou que falou estar se relacionando com ele há mais de 1 mês e contou coisas de mim sem saber quem eu era - sexuais inclusive. Pra quem nem pergunta o nome...aí encontrei a "traição de sentimento", que desconsiderou a cumplicidade, o acordo tácito). Bom, agradeço os comentários de todos, para mim enriquecedores. Sobre as "puladas de cerca", apenas acho que quando fica muito simples e fácil, se banaliza o sentimento alheio (e próprio porque não dizer). Ass.: O cara do rivotril (aliás, como as mulheres queimaram seus sutiãs, vou queimar meu rivotril...I'll be free!)

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  8. Assunto assaz interessante e pertinente.

    Fidelidade e posse. Prefiro observar a questão sob esse prisma. Seria bom que nos questionássemos sobre a origem do conceito/sentimento de fidelidade conjugal.

    A fidelidade ERA importante quando ainda não haviam métodos de determinação de paternidade (teste do ADN), para que as heranças fossem verdadeiramente transmitidas de PAI para FILHO e não para algum bastardo filho de outro macho com quem a esposa tivesse fodido. Vinquei propositadamente os masculinos pois se trata duma circunstância de lesa-propriedade em sociedade machista.

    A meu ver amor não deverá ser apropriação. Desapego é prova de confiança; tanto no outro como própria. O amor não se perde; a paixão sim. Mas a paixão é mesmo fugaz por natureza.

    Aplicado ao universo dos relacionamentos homossexuais o tema da fidelidade é ainda mais disparatado, por ser revelador do desequilíbrio de personalidade dos envolvidos; pois carecem de uma prova quase irracional para se sentirem dignos de serem amados.

    Em relação ao caso específico do desabafo, faço coro com a Titchya: "larga o Rivotril e faz-te à vida!"

    Beijos

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