Children walking way froma man...- Robert E Daemmrich (Getty Images)E ainda há quem relacione homossexualidade à pedofilia. Até cardeal (o secretário do Vaticano) que deveria ficar de boca fechada por morar sob um telhado enorme de vidro veio com essa no ano passado.
Pelo que leremos adiante, essa relação só teria sentido se estivéssemos falando de  crianças gays do sexo masculino e vítimas de abuso sexual dos próprios pais ou padrastos (sem contar os demais graus de parentesco os quais não apareceram no levantamento: tios, primos e etc). E, sim, as crianças demonstram comportamento que denotam a sua futura orientação sexual. Se você não quer enxergar isso há um problema com você e, se for o pai ou a mãe, pior ainda: o problema maior será dela. Uma pena.
De volta ao tema, quem revelou essa estatística foi a 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal. Os dados são extensivos ao ano de 2010 e efetuados pelo Centro de Referência Para Violência Sexual - CEREVS.
De acordo com os números apontados, quase 80% das crianças e adolescentes abusadas sexualmente por homens adultos são do sexo feminino - repetindo o padrão verificado no ano de 2009 - e eminentemente intrafamiliar. Os padrastros aparecem com 34% e os pais com 22%.
A relação parental explica porque a violência normalmente acontece dentro dos lares. A residência da vítima foi o local de maior incidência do abuso (52%) e a casa do autor aparece em quase 29% dos casos, geralmente quando as crianças visitam os seus pais, divulgou a matéria publicada pelo portal do  Conselho Nacional de Justiça - CNJ, fonte desta postagem.
  Lonely Boy - Rob Friedman (Gettyimages)Lonely Boy - Rob Friedman (Gettyimages) A supervisora do CEREVS, Viviane Amaral, advertiu que a criança vítima de abuso sexual passa a ter um comportamento diferente do que apresentava antes: retração ou agressividade, medo de ficar só, baixo autoestima, choro fácil, alto nível de ansiedade, terror noturno, entre outros.
Os dados, embora limitados a amostra do DF, demonstram que a realidade é outra: os homens heterossexuais são os mais relacionados à pedofilia. Existe tarado de toda a espécie. A indecência ou a sem-vergonhice, conforme vimos acima, está ligada ao caráter (ou falta de) e não à orientação sexual do indivíduo.
Não sei foi abuso sexual porque foi com um primo adolescente de 15 anos e nessa idade todos associam o caso ao famoso “troca-troca”, mas ele abusou sexualmente de mim quando eu estava com uns 9 anos. Fato. E você? Sabemos que é de foro íntimo e nem sempre as pessoas gostam de tocar no assunto, porém, se preferir não comentar, responda, por favor, à enquete a seguir. Você não será identificado(a).



Enquete encerrada. Confira o resultado abaixo.

Você foi vítima de abuso sexual ou tentativa na infância ou adolescência?
Sim, sou gay do sexo masculino. Foi com parente (pais, tios, primos etc). 9,59% (14 votos)
Sim, sou gay do sexo masculino. Foi com pessoa de fora da familia. 4,11% (6 votos)
Sim, sou gay do sexo feminino. Foi com parente. 0,68% (1 voto)
Sim, sou gay do sexo feminino. Foi com pessoa de fora da família. (nenhum voto)
Sim, sou hétero, homem. Foi com parente do sexo oposto ou do mesmo sexo que o meu. 0,68% (1 voto)
Sim, sou hétero, homem. Foi com pessoa do mesmo ou sexo oposto, mas fora da família. 2,74% (4 votos)
Sim, sou hétero, muher. Foi com parente do mesmo ou do sexo oposto. 6,16% (9 votos)
Sim, sou hétero, mulher. Foi com pessoa do mesmo ou do sexo oposto, fora da família. 4,79% (7 votos)
Sofri tentativa, mas não se consumou. 6,16% (9 votos)
Não, eu sou gay e nunca passei por isso. 16,44% (24 votos)
Não, eu sou hétero e nunca passei por isso. 48,63% (71 votos)
Total: 146 votos



5 comentários:

  1. Já tinha lido sobre esse assunto.Cheguei a debater com minhas irmãs.
    Acho que esse negócio de gay estar envolvido é preconceito enraizado.Qdo eu era criança,minha mãe tinha medo que eu tivesse contato com um gay perto de casa,devido a pedofilia.

    Ju,o filme Oraçoes para Bobby foi um dos mais baixados essa semana.Tudo isso devo ao seu post.
    Arigatoo,ne!
    Beijos.

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  2. Junnior,

    muito bom você trazer o assunto à discussão. As vítimas já nascem mais propoensas ao abuso, creio. E, quando está próxima de um abusador, geralmente pai, padrasto, primo, irmão, tio, acaba tendo um destino muito diferente do que poderia ter tido.

    Já coloquei o devido voto e dou um rápido depoimento, sem detalhes, claro. No meu caso, eu fui abusado por um primo várias vezes, entre os sete e os oito anos. Lembro bem porque coincidiu com a preparação pra primeira comunhão (eu era educado na igreja católica), minha primeira confissão, carregar aquele pecado mortal sem poder contar pra ninguém... Puta que pariu! Infelizmente, não tive forças à época pra me levantar. Acho que seria exigir demais de um menino daquela idade e que tinha, bem sei, certas vulnerabilidades. Passei a acreditar que eu era mesmo aquela coisinha horrenda que ele passou a espalhar pra cidade inteira que eu era. Claro, depois dele acabou vindo outro caso, este, felizmente, não chegando à violência física propriamente. Mas não sei qual delas foi pior pra minha história. Hoje, há algum tempo, depois de muita terapia, tenho consciência de que minha vida foi, em grande parte, determinada por aqueles eventos. Eu não tinha como escapar, ele estava na minha casa o tempo todo. E todas essas manifestações mencionadas no texto (baixa autoestima, agressividade, choro fácil, terror noturno, altíssimo nível de ansiedade) eu vivi. Vivo, de certa forma. Sei que minha vida não foi aquela que poderia ter sido, muito melhor, menos sofrida, se não tivesse ocorrido aquilo.

    Claro, sobrevivi, fiquei adulto fisicamente íntegro, e procurei levar a vida. Hoje, não guardo mais mágoa de meu agressor, mas fico ainda triste sempre que me lembro. Embora não tenha raiva dele (não muita, só um pouquinho), e nunca mais o tenha visto desde que me foi possível me afastar fisicamente dele, não há como não ficar triste e chorar quietinho quando me lembro. Sei que muita coisa que eu sempre imaginei serem coisas minhas, defeitos congênitos da alma, foram consequentes de um evento que eu, sinceramente, não pedi pra acontecer... Devia ter uma curiosidade exacerbada, que ele usou pra me atrair e abusar. Ele sabia o que estava fazendo. Eu, ainda nem sabia que as pessoas tinham bilaus e xoxotas. Inocente completo dessas coisas.

    Parabéns! Adoro quando você levanta essas bolas. Assunto desagradável, mas necessário discutir, lembrar. As pessoas, geralmente, quer vítimas, agressores ou simples espectadores, preferem fazer de conta que não existe esse tipo de coisa. É mais fácil jogar a culpa pra cima das vítimas, né! Dizer que o agressor foi provocado por uma bichinha ou uma putinha, como se o fato de alguém nascer assim ou assado justificasse a violência. Covardia! A criança é a parte mais fraca, incapaz.

    Meu agressor, por exemplo, é, sempre foi, heterossexual (será?), hoje casado, pai de família, homem socialmente respeitável. E ainda por cima é profissional da saúde! Pauzudão, exemplo de macho pra sociedade, procriador. Gerador de infelizes, isso sim. Eu não terei sido a única vítima de sua tara!

    E eu é que sou a bichinha, o errado, o que não deu certo na vida! Fracamente!

    Obrigado pela oportunidade!

    Forte abraço

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  3. Extremamente oportuna a questão levantada ... já votei ... não passei por este constrangimento em minha vida mas conheço pessoas q passaram ...

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  4. acho que até a proximidade física explica a incidência maior dentro do ambiente de casa. É triste, mas é algo que deve acontecer com maior frequencia do que a gente imagina, já que o silêncio impera. O que me deixa realmente p. da vida é ver que muitas mães ainda culpam os filhos/filhas pelo estupro e ficam do lado dos companheiros.

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  5. Seu blog é realmente excelente: parabéns pela criatividade... to seguindo a partir de agora!! Abcs!!

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