O Supremo Tribunal Federal (STJ) decidiu: a união estável entre pessoas do mesmo sexo está inserida no contexto legal de família. A adoção, via de regra, seria um direito incluído e os processos em andamento poderiam simplificar a vida dos casais gays e das crianças que estão sendo adotadas. Porém, não é bem assim. Pelo menos quando verificamos a conduta do Ministério Publico na ação judicial movida por um casal de homossexuais para obter o direito de adotar um bebê.
Nas instâncias em que passou, as decisões foram favoráveis ao casal, porém, o Ministério Público (MP) pretende recorrer do acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ/MG) proferida neste mês de maio, ou seja, mesmo depois de o STF ter colocado uma  pá de cal em cima da controvérsia. E ainda tem o problema do tempo. Quando o próximo tribunal julgará o novo recurso do MP? Daqui a três, quatro ou cinco anos?
A ação tramitava na primeira câmara cível de Belo Horizonte e os desembargadores decidiram por unanimidade o que já havia sido decidido pelo juiz de 1ª instância.
O promotor do caso, exercendo o seu ofício, claro, contudo justificando de maneira díspar e reacionária, apresentou recurso da decisão do juiz singular, alegando que:
...a adoção do menor por homossexuais pode gerar-lhe constrangimentos futuros, pois terá que se apresentar como filho de duas mulheres...
O relator do processo, desembargador Armando Freire, parece ter atingido em cheio o fundamento ultrapassado que o Ministério Público usou. E foi de uma sensatez de causar constrangimento ao promotor: 
...Tenho 30 anos de exercício da judicatura e fico imaginando se, no início, decidiria da mesma forma. Acho que dificilmente seria a mesma decisão, mas é importante percebemos e acompanharmos a evolução do Direito. Sinto-me recompensando neste meu exercício de poder, conscientemente, decidir dessa forma...
Plá, plá, plá, plá [palmas, tá?].

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