Permita-me confabular, mas se ajeite na cadeira porque o texto é longo.

Sbornius é um jovem de 22 anos. É hétero e "subsexual" não assumido - denominação usada pela sociedade local para os habitantes que dão ao sexo uma importância acima do comum e do permitido pela igreja e pelas leis.

Solteiro, estudioso, trabalhador, inteligente, saudável e com o tesão a flor da pele, a única forma de aliviar sua tensão é se masturbando no banheiro de casa, com medo que seus pais e irmãos percebam algo.

A infelicidade e maior preocupação de Sbornius são, respectivamente, ter nascido e continuar vivendo em Kastygadhus, minúsculo, atrasado e religioso País cuja esmagadora maioria da população - cerca de 90% - parece frígida ou assexuada, demonstra pouco ou nenhum desejo sexual.

Quase todos em Kastygadhus são "sobressexuais", inclusive a família de Sbornius.

Sexo é praticado somente com intuito de procriação pelo bem e subsistência da humanidade, seguindo a orientação da igreja católica. A influência da igreja é enorme, principalmente nas questões políticas, elaboração de leis e no padrão comportamental da sociedade - quase igual ao período da idade média.

Todas as pessoas subsexuais como Sborniius fingem uma vida sobressexual por medo de rejeição da sociedade, principalmente políticos e governantes.

Sborniius faz parte dos 10%. Os hormônios sexuais estão em plena atividade e em funcionamento, mas ele não sabe o que fazer com essa "anomalia". Seus amigos parecem todos "normais". Para piorar, ele se apaixona por Lesânia, colega de trabalho.

Sbornius percebe interesse de Lesânia, porém sabe que a loira de olhos azuis e dona de corpo escultural não é como ele. É educada, polida nos gestos e palavras. Lesânia enxerga Sbornius como investimento: o homem com quem poderá casar e ter um filho.

Sbornius se apavora quando Lesânia lhe conta que sexo será necessário durante o casamento apenas para possibilitar o nascimento do filho que pretende ter com seu futuro marido. Após isso, nunca mais, enfatiza a loira para um arregalado par de olhos.

Bem diferente, Ninfas é uma bela morena de olhos verdes, 25 anos, com quem Sbornius se envolveu há cerca de um ano numa rua do centro da capital.

Sbornius percebeu no olhar de Ninfas que a moça era subsexual como ele. Dava pra perceber uma pessoa enérgica, vigorosa.

Assim que se conheceram, trocaram algumas palavras e foram para um prédio abandonado no centro da cidade, muito conhecido dos subsexuais como um lugar de pegação.

Lá se entregaram ao prazer carnal. O medo de serem flagrados por policiais se misturava com prazer liberado. Sbornius estava duro como rocha, molhado. Ninfas enlouqueceu ao sentir Sbornius escorregar e invadir suas coxas.

Com as calças e cueca arriadas, Sbornius fazia o clássico movimento vai-e-vem em Ninfas que ainda estava de calcinha, mas não deixou Sbornius tirá-la. Se avançar, o risco de  gravidez é grande. Ninfas sabe que, se acontecer, pode ser condenada pela sociedade.

Mães solteiras em Kastygadhus são marginalizadas; se tornam prostitutas porque não conseguem outro trabalho. Prostituição é crime no País.

Ambos foram ao orgasmo sem penetração, ela com os dedos de seu macho na vagina. Depois disso, trocaram número de celular, mas não se falaram mais. As lembranças serviram para muitos prazeres solitários que sucederam após aquele encontro casual cheio de remorso.

Na maioria das vezes, subsexuais associam uma imagem suja e pecaminosa um do outro. Ambos sentem medo que amigos e familiares percebam algo.

Não há muitos locais em Kastygadhus para promover encontros com o intuito sexual, como boates, bares, etc. A maioria dos lugares é de restaurantes, lanchonetes. Ainda assim, são frequentados pelos sobressexuais.

Trocar carícias exageradas em público é algo indecente e chocante. Alguns casais de bairros violentos são até expulsos e apedrejados quando ousam enfatizar seus desejos ardentes em público.

A lei permite alguns lugares para que essa classe menor da sociedade se encontre e conheça seus iguais. Mas são frequentados por pessoas de nível social muito baixo.

Os que mantêm relações extraconjugais e geram filhos são considerados pervertidos e criminosos. Em alguns Estados, a traição é punida com pena de morte.

Nos estados onde as penas são mais brandas, o indivíduo fica à margem da sociedade. É  visto como péssima influência para qualquer ambiente familiar ou laboral. Motivo suficiente para demissão por justa causa. É comum a rejeição em entrevistas de emprego caso o entrevistador note traços de subsexualidade no entrevistado.

Inconformada, essa parcela da sociedade resolveu lutar para mudar as leis e exercer o direito natural de serem o que são; de se relacionarem em paz. Ser diferente não pode ser motivo para marginalização, crime ou viver uma vida de pecado eterno, gritam os "subsexuais" nas passeatas.

Sabe-se que essa minoria tem alcançado algum progresso, mas a luta continua. O o preconceito ainda é grande.
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Os homossexuais são aproximadamente 10% da população mundial. Era assim nas épocas repressoras e continua sendo atualmente com essa "moda de gays", termo que vem sendo usado para definir esse período de conquistas de direitos. 
É claro que quanto maior a aceitação social, maior será o número de gays assumidos. Mas nada tão significativo a ponto de ameaçar a existência da raça humana, como é também comentado. Gays são a esmagadora minoria e sempre serão, mesmo que todos os gays do mundo resolvam sair do armários. 
A incompreensão é cultural devido ao longo período de repressão. Todos sabem que homossexuais viveram tempo demais escondidos num mundo paralelo, reprimiram e acumularam instintos e desejos sexuais para somente os liberarem nos guetos da vida. Aos poucos, isso vem sendo substituído por modos mais saudáveis de vida. Essa diferença significa liberdade e não proliferação. 

Um comentário:

  1. Realmente quando leio posts sobre o tema, penso que devo se grato por ser bem aceito onde moro, porque é triste essa realidade.Bjks!

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