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Ainda perplexa!!!

Fui à escola de Ju, meu filho, para pagar a mensalidade. Eu havia perdido o prazo para efetuar o pagamento com desconto devido a uns contratempos.

Cheguei na escola no sábado. Após resolver as questões burocráticas, fui conversar com uma das inspetoras que está na escola há mais de 20 anos e adora Ju.

Nessa conversa, ela me relatou o quanto ele é querido e o quanto a sua conduta é apreciada por todos. Claro que babei.

O papo evoluiu e acabamos falando sobre as questões ligadas a estudantes homossexuais. Ela me contou a história de um deles, que sempre visitava o colégio.


Seu nome é Marcos, fez o ensino médio ali e passou no vestibular onde cursa artes cênicas. Segundo ela, ele sempre se apresentou maquiado, usava lencinhos coloridos na cabeça, adornos como pulseiras, brincos, tornozeleiras, além de possuir dotes artísticos e ser muito inteligente. Todos o adoram na escola.

O lado triste da história é que o pai nunca o aceitou. Devido à rejeição, o homem abandonou o casamento cortando todo e qualquer laço com a família. A mãe se tornou superprotetora. Assumiu para si a tarefa de criá-lo e parece que tem sido muito bem sucedida nessa empreitada.

Confesso que saí do colégio perplexa. Já ouvi várias histórias, até de violência contra o filho gay, mas nunca que um pai se divorciou da esposa por não aceitar a realidade do filho.

E aí voltamos à questão do despreparo das pessoas para a maternidade e paternidade, a dificuldade de lidar com frustrações e a enorme covardia que representa um ato desses. Fico me perguntando o que faz um homem abrir mão do relacionamento com um filho inteligente, produtivo, bem quisto e de bom caráter, pelo simples fato de ser afeminado.

Na contramão, quando os filhos se envolvem com drogas, a maioria dos pais compra a causa e tenta ajudá-los de todo jeito - o que eu faria também.

Quando esses filhos vão presos por algum ato ilícito, os pais são os primeiros a contratar advogados, pagar fiança e abafar o caso, dando muitas vezes apoio insano aos filhos, como acontece no caso dos jovens que roubam, atropelam e não prestam auxílio, nos que agridem os homossexuais.

Entretanto, um filho maravilhoso, estudioso, com quem seria interessantíssimo um relacionamento, é rejeitado pelo simples fato de ser gay.

Isso está me fazendo refletir sobre o tamanho e a profundidade dessa questão. Vou mais longe, acho que o kit anti-homofobia não é suficiente. Não basta educar apenas os jovens. É necessário e urgente educar os pais.

Deixo esse pensamento para a reflexão.

Até a próxima quarta-feira.

Cassia IG.
(contato: papodemaeig@gmail.com)

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4 comentários:

  1. vc não consegue entender, Cássia, porque seu filho é amado incondicionalmente, infelizmente, nem todos os pais e mães pensam da mesma forma. Vc acaba por imaginar que todos os pais pensam como vc. O meu pai, por ex, não pensa como vc; e alguns pais que eu denunciei nas escolas que já trabalhei tb não pensam oomo vc, tenho estórias de alunos meus que deixariam vc chocada!

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  2. esse é pro Junnior: #comassim diminuir candidatos a me namorar? Zero pode diminuir ainda? como seria número negativo de candidatos?

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  3. é isto ... existem pais e pais ... felizmente no meu círculo de relações a maioria é legal e lidam bem com todas as circunstâncias ...

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  4. Por aqui to relembrando minha fase de escola, que saudades!
    Quando fiz o ensino médio e fui pro noturno, já assumido, apesar de alguns não gostarem, fui muito bem aceito e tive a sorte de ter mais amigos gays então era muito legal.
    E os professores todos eram bem maduros quanto a esse assunto.
    Mas infelizmente não acontece com todos.
    Lembrei também que tive um professor de Filosofia muito engraçado, nao era assumido, mas claro que o povo sabia.
    Anos depois o encontrei numa boate gay e foi legal falar sobre aqueles tempos.Beijos!

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