Embora estejam todos assistindo àquela cena inusitada, alguns se questionam se é para crer.

É uma brincadeira de mau gosto? Pergunta Sara quase gritando para para sua irmã, ao perceber um rapaz se debruçar sobre o caixão onde está o corpo de seu marido, Roberto, 44, vítima de latrocínio.

O estranho faz um carinho na face do defunto, beija leve e carinhosamente os lábios quase sem cor, solta um forte suspiro com lágrimas e, como se não aguentasse mais ficar em silêncio, sussurra: adeus, meu amor...

Sem direcionar o olhar para mais nada além do caminho que lhe tire logo dali, o jovem se apruma, dar a volta e sai.

Embora pouca feminilidade se observe na maioria de seus gestos durante a inóspita e surreal despedida, algumas pessoas não conseguem parar de olhar na elegância de seu andar. Com maestria, ele conduz seus passos até o táxi, que o aguarda na porta do velório.

Assim ele desaparece diante dos mais variados e expressivos olhares.

Aqueles eram os saltos, incrivelmente altos, preferidos de Roberto.

8 comentários:

  1. Já viu o filme "Morte no Funeral"? Mas a versão britânica, não a refilmagem americana? Recomendado a quem ler este post...

    ResponderExcluir
  2. nossa, me deixou com água na boca!

    ResponderExcluir
  3. Belelérrimo! #FATO ... vc deveria escrever mais no gênero ...

    bjão

    ResponderExcluir
  4. Adorável narrativa! Diria, até, nelsonrodrigueana!

    ResponderExcluir
  5. Pessoal, obrigado. Esse texto continua...

    ResponderExcluir
  6. Lobinho, é um devaneio. Tenho mais alguns prontos que guardo como plano "B" (rsrs).
    Acho que vou seguir o conselho do Bratz e publicar mais alguns de vez em quando.

    ResponderExcluir

Para se cadastrar, preencha o formulário na coluna do lado direito do blog.
Seu comentário é bem vindo, desde que:
1. possua nome e link válidos;
2. não contenha cunho racista, discriminatório ou ofensivo a pessoa, grupo de pessoas ou instituições;
3. não contenha cunho de natureza comercial ou propaganda.
Grato pela compreensão.