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Lya estava linda! Cabelos fartos, longos e soltos, maquiagem leve, vestidinho justo porém discreto realçando as pernas bem torneadas. A depilação estava perfeita e o perfume suave. Estava, enfim, pronta para uma noite com alguém que a amava. 

Marcos estacionou na porta e buzinou.

- Lya, pega leve - eu disse.

Da porta ela me olhou, sorriu e deu uma piscadinha. E foi. 

Como conversamos muito, eu sabia que ela estava cheia de dúvidas e certamente confusa pelo que sentia, pelo que não sentia ou pelo que achava que devia sentir.  Torci muito para que tudo desse certo e para que ela voltasse feliz. Custei a dormir mas estava tranquila, pois sabia que ela estava com um cara especial. Mas eu estava curiosa.

Mal amanheceu e Lya chegou. Estava bem e trazia consigo um buquê de rosas e pão quentinho para tomarmos café. Fomos para a cozinha e ela não falava nada. Percebi que se divertia com a  minha curiosidade. 

Fui fazer o café e ela colocou as flores em um balde porque eu não tinha vaso disponível em casa.

- Você vai ou não me contar? Marcos estava calmo, seguro?

Ela riu.


-Olha, ele foi uma graça comigo. Super meigo, carinhoso e preocupado. Eu curti a parte do carinho.
- Como assim, a parte do carinho?
- Ele me acariciou, muito mesmo. Passou um tempão me curtindo. Estava bom.
- Tá, mas e o resto? A parte do tesão... E aí, é grande?
- É bem grande. Quando vi, minha vontade era sair correndo.
- Como assim Lya? O homem te adora, é super meigo, tem um pau enorme e você não gostou?
- Aquela coisa entrando em mim e o troço que sai no final. Eu não gosto daquilo não. Ele foi legal, mas sabe, não senti nojo, quer dizer, até sair aquilo.... É tão esquisito! Fiquei enjoada.
- Ele percebeu que você não gostou?
- Percebeu, mas eu disse que o problema era comigo, que eu não me sentia bem com rapazes e que eu não sentia tesão. Passamos horas conversando.

Eu nunca tinha visto uma garota falar daquela forma. Era comum nos decepcionar, mas sempre queríamos tentar de novo, conhecer outros, ter vontade de dar certo com alguém. Percebi que o 'alguém' de Lya dificilmente seria um homem. Ela queria muito amar e ser amada, mas não com um rapaz.

Nessa época eu fazia análise e o problema de Lya passou a ser meu e o levei para a terapia. Queria ajudar, mas não sabia como. Conversei com minha terapeuta e ela sugeriu que eu saísse com Lya para lugares alternativos, onde ela pudesse conhecer outras meninas como ela.

Achei a ideia sensacional.

Na quarta eu volto e conto.
Beijos.

Cassia IG.
(papodemaeig@gmail.com)

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2 comentários:

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