Já comentei aqui mais de uma vez que se há algo que me emociona é história de pai e filho. 
Pais atenciosos, presentes e amigos dos filhos - principalmente dos filhos homens -  não é tão comum se compararmos às mães.
No próximo domingo é o Dia dos Pais e o site G1 publicou uma matéria de pais de filhos gays. É mais do que uma prova de amor, pois de nada adianta amar um filho gay se não apoiar, compreendê-lo e, principalmente, se não respeitá-lo.
Quantas vezes lemos ou vimos um pai dizer que ama o filho, mas que não consegue aceitar (ou entender) a sua homossexualidade? Alguns preferem até que os filhos saiam de casa por causa da vergonha.
As frases selecionadas abaixo foram ditas por pais de diferentes classes sociais. 
Vejam vocês, há até um pai, mecânico de profissão, de 53 anos de idade, de Campo Grande. Seu nome é Antônio Luiz dos Santos. Ele confessa ser pai coruja de seu filho gay, Kenidy Palácio, de 28 anos. Na foto acima, Kenidy aparece "colando" uma fita colorida na roupa de Antônio.

Eu não me intrometo na vida pessoal, sempre quis que ele ficasse à vontade.
Antônio Luiz dos Santos, de 53 anos.

Nenhum pai educa o filho para que ele seja assim [homossexual]. No início eu me sentia culpado. Hoje não mais. Se os pais não estiverem ao lado dos filhos, quem estará? Ele é uma pedra preciosa para mim. 
Juarez Martins, 52 anos, um funileiro que saiu de Viçosa e viajou quatro horas até Juiz de Fora, em Minas Gerais, para acompanhar o filho na Parada do Orgulho Gay (foto ao lado).
[Tenho orgulho do meu pai, da origem simples dele, de um homem que trabalhou na roça. Mesmo sem ter o recurso da informação, ele trata bem os meus amigos travestis, gays e lésbicas, contou o filho, Daniel Arruda Martins, de 26 anos]

Exigi estudo, caráter, que não partisse para a vulgaridade e que ele fosse distinto. Sentar, conversar e ouvir meu filho. Isto é o que fiz. Acredito que foi a maior prova de amor que pude dar a ele
Do representante comercial, João Sávio Ferreira Braga, de Cuiabá, que optou por acolher o filho Carlos Eduardo dos Reis Braga e o namorado, ambos de 18 anos de idade.

Na matéria, descobri que existe uma ONG para orientar pais e mães de homossexuais: o GPH - Grupo de Pais de Homossexuais. Foi criado e é administrado há 14 anos pela professora, pesquisadora, mestra e doutora em Semiótica Francesa, pela USP, Edith Modesto
Ela é também especialista em diversidade sexual e questões de gênero. Parece que funciona assim: o interessado entra em contato com o grupo através do site e as "mães facilitadoras" analisam e entram em contato por telefone e podem até marcar um encontro. Veja mais detalhes no próprio site (clique nas iniciais da ONG acima)
Ah, quem disse a frase que intitula essa postagem foi Cezar Augusto Galvão Brandt, 58 anos, que acompanhou a filha Maria Augusta no seu casamento com Leandra Magalhães (foto acima).

7 comentários:

  1. Ju, adorei o post de hoje e aproveito o gancho pra te contar uma histórinha rápida: Sempre morri de medo da minha mãe. Sempre pensei que ela me colocaria pra fora de casa quando soubesse. Sempre pensei errado. Minha maior companheira, confidente e amiga. Descobri a felicidade abrindo o jogo pra ela.
    Bom final de semana querido.

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  2. gente, olha aonde tá o Daniel.

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  3. Oi menino
    Belo post. Eu nunca tive o apoio explicito de meus pais, mas também ,nunca sofri nenhuma forma de pressão , ou critica, por parte deles.
    Bom fim de semana
    Bjão

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  4. Não tenho mais pai, mas acho que os gays muitas vezes são mais intolerantes do que os pais!

    Ps. como a professora consegue ser mestre ou doutora em Semiótica Francesa pela USP se não existe este programa na universidade? kkkk

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  5. Cheguei a perguntar num blog onde fui colunista sobre a aceitação da homossexualidade é maior do pai ou mãe. Ao ler esse texto digo que fiquei surpresamente feliz. bjs!

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  6. Olá tudo bem? Que legal saber que existem pais assim, as vezes eu penso que por causa da moral, certos pais deixam de apoiar as decisões dos filhos, pois estes pais são egoistas e pensam que os filhos são uma extensão do que eles são, e vão realizar o que eles não conseguiram, e quando são diferentes do que sonham, esquecem de ser pais, no verdadeiro sentido da palavra,e muitas se preocupam mais com o que os vizinhos, amigos e outros membros da familia vão dizer, muito bom seu blog, beijos

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  7. Eu mudaria a frase, ficaria bem melhor desta forma: "A gente não entende, simplesmente aceita"

    Foi mais ou menos o que meu pai disse ao revelá-lo minha homossexualidade. Não poderia entender como um homem pudesse sentir atração por outro,mas mesmo não entendendo, me aceitaria por eu ser seu filho e essa, descoberta, não afetar em nada nosso relacionamento. E não afetou mesmo!
    Constantemente ele dá um show de super pai; diferentemente de minha mãe, que reluta ate hoje em aceitar- ela fingi que não a disse nada.

    Enfim, não há o que entender, apenas é amor; acolher e não discriminar são formas de amor também,e, logo, quando meno se espera já terá entendido! ;)

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