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Eu e Lya começamos a sair à noite e foi assim que descobri as boates gays. Nossa, bem melhores do que as convencionais.

Com a orientação de minha terapeuta, ingressei nesse mundo levando comigo a prima querida.

Mas não foi assim tão fácil. Como ninguém sabia, ninguém mesmo, eu me sentia responsável e temia que alguma coisa acontecesse (eu tinha vinte e poucos anos há vinte e muitos anos atrás).

Lya me preocupava demais. Largou o curso de direito na PUC e começou biologia - que eu achava que tinha menos ainda a ver com ela. Estava solta no mundo querendo descobrir, experimentar e viver tudo.

Eu ia com ela aos lugares mas ficava tomando a maior conta (empatando mesmo), estabelecia uma série de regras. Ela, coitada, estava nas minhas mãos e tinha que obedecer à prima chata e preocupada com absolutamente tudo. Ainda assim, nos divertimos.

Lya conheceu muita gente, muitas garotas, experimentou do jeito que deu e, com o tempo passando, se certificou do que realmente gostava e queria para a sua vida. Pelo menos para a vida afetiva, mas continuava meio 'porra louca'. Eu preocupada com as drogas, bebidas e com a inexperiência de nós duas.

Eu ia para minha terapia e o assunto era Lya.

Aos poucos, fomos aprendendo mais sobre a vida e as pessoas. Fizemos amigos e, no meio disso tudo, um ano depois, algo muito bom aconteceu: Lya conheceu Bia e as duas colaram. Primeira relação séria.
Graças aos deuses gays do Olimpo acabou aquela coisa de ficar experimentando.

Naquela época, eu brincava que ia acender uma vela multicolorida do tamanho dela para todos os deuses, tal era o meu alivio. Tudo o que queria era vê-la numa relação segura. Rolou. Aleluia!

Bia era um doce, uma pessoa mais madura e com uma história de vida completamente diferente da nossa. Advogada, trabalhava e sustentava a família humilde. Tinha valores muito sólidos e se integrou a nossa família como a melhor amiga de Lya. Todos adoraram Bia. Eu principalmente.

Foi Bia quem fez Lya retornar à PUC e terminar o curso de direito. O passo seguinte foi estudar para um concurso público. Lya, extremamente bem dotada intelectualmente, passou entre os primeiros lugares.

Naquela época era comum sair de casa e morar com amigos. As duas montaram um apartamento e se mudaram, porém não tão rápido. O namoro foi longo e o futuro bem projetado.

É claro que existiam os burburinhos na família. As duas viviam juntas e nunca estavam com namorados. Entretanto, Lya era respeitada, tinha um empregão e se tornou independente.

Na casa das meninas eu convivi com os gays mais gostosos do mundo (nessa hora, eu lamentava. São sempre os melhores). Foi lá que conheci João que eu reputava ser o meu sonho de consumo.

Cheguei para almoçar em um domingo e eles tinham voltado da boate e estavam meio largados pelo apartamento. Quando passei pelo corredor, pela porta entreaberta do quarto, vi João deitado, dormindo.

Eu vi tudo porque estava tudo ali para ser visto. Parei,  olhei e petrifiquei. Algo não me deixava sair dali. Era um negro sarado de feições finas. Fomos apresentados quando ele acordou e ficamos amigos. Mas iera o máximo que podíamos ser.

Muito tempo passou. A relação de Lya acabou e hoje ela vive um casamento feliz de muitos anos.

Antes disso acontecer, eu conheci o meu primeiro marido. Me separei dele muito rápido e conheci o segundo, o pai de meu filho.

Nossa casa era o cenário das festas de aniversário de Lya, Bia e amigos. Muitas histórias de amor começaram nestas festas que eu e meu marido dávamos. Nossos amigos gays nos acompanham até hoje.

Quando engravidei de Ju, convidei Lya para ser madrinha e a cerimônia foi linda. Mal sabia o quanto essa escolha seria acertada. Melhor que isso, adequada.

Beijos amores e até quarta.
Cassia IG.
(contato: papodemaeig@gmail.com)

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6 comentários:

  1. O primeiro post dessa série,vc estava meio tímida.Em compensaçao,liberou na fase final.huahuahuau.

    Acredito que a pessoa é para o que nasce.
    Beijos.

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  2. que sorte da Lya, fato! ter vc na vida dela!

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  3. Relatos que prendem o leitor até o fim. Estou adorando.
    Bjux

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  4. Prende mesmo, mas acho que é instintivo isso, a gente atrai as pessoas muitas vezes sem um porquê.
    A irmã do meu melhor amigo apadrinhou todos os filhos com gays, eu sou de uma de suas filhas.

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  5. Legal essa sua ideia de criar esse relato. De fato, concordo com o comentário feito acima, pois o primeiro post desse série estava um tanto quanto tímido, mas esse faz jus ao que foi lido antes...

    PARABÉNS querido! bjoxxxxxxxxxx

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  6. Queridos, obrigada pela força. É que é complicado escrever sobre fatos reais quando as partes envolvidas estão lendo e acompanhando também....
    Mas estou feliz por vocês estarem aqui.
    Beijos

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