Tem momentos que até ateu ora.

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Sempre me pego pensando no quanto a vida dá sinais e nos aponta caminhos. Tudo na vida é uma questão de prestamos a devida atenção.

Tive pais muito especiais. Eles me ensinavam até quando não conversávamos sobre determinado assunto, pois o exemplo é a linguagem que fica para sempre.

Eles também erraram muito entre eles e talvez até comigo. Um exemplo foi quando me envolveram em sua separação. Eu era uma criança de apenas cinco anos quando aconteceu. Por outro lado, sempre houve estímulo, elogios, apoio, muita atenção, respeito, investimento, muita demonstração de afeto e aceitação.

Acho que minha preparação para ser mãe começou quando nasci, com uma base afetiva forte. Durante a infância tive algumas conturbações mas, apesar delas e ao contrário do que acontecia com as minhas amigas, fui uma adolescente também feliz.

Em que pese ter estudado teologia por mais de dez anos - estudei em colégio religioso até entrar para a faculdade -, sou uma pessoa ligada às artes, à ciência e sou ateísta. Tudo isso por influência paterna. Ainda assim, nesse exato momento em que estou perdida entre muitos pensamentos, lembranças e devaneios, meu sentimento é de profunda gratidão à vida. Se eu tivesse um Deus, rezaria para ele.

Como prestei e passei em concurso público muito jovem, me tornei independente cedo demais. A vida, há 30 anos, era muito mais barata e fácil. Com o alicerce forte que eu tinha, com pouco mais de vinte anos, já vivia como adulta. E aproveitei.

Escrevo sobre isso porque estou às vésperas de completar 30 anos de trabalho ininterrupto em uma respeitada instituição a qual me oportunizou tudo. Não pretendo, mas já estou completando o tempo necessário para a aposentadoria.

É estranho pensar nisso. A sensação é que o tempo passou e eu não vi. Mas quando avalio melhor, vejo que vivi muito bem esses trinta anos. A segurança material me proporcionou experiências incríveis, como a que vivi com Lya, por exemplo.

Foram essas experiências que me complementaram, me ensinaram o que faltava saber para me tornar mãe de um filho gay, para ser completa, realizada e feliz.

Os amigos que tive e tenho também são muito importantes, mas vivenciar a questão homossexual com uma prima, conversando sobre as emoções, inseguranças, incertezas, dúvidas e aprendendo sobre ser gay com ela, foi um divisor de águas.

Foram anos de convívio e ajuda mútua, muita diversão, muitas viagens, também muita preocupação, mas eu vivi e vi, encantada, o desabrochar de Lya. Ela se tornou uma pessoa bem resolvida e feliz.

É isso o que vivo hoje com o meu filho: o seu desabrochar. E podem acreditar, apesar de ser muito difícil este momento de homofobia exacerbada que vivemos - e é essa a minha maior preocupação com meu filho -, Ju nunca me deu trabalho com nada. O mais complicado até aqui foi descobrir o momento certo de contar para ele o que eu já sabia.

Diante de tudo isso, tive o melhor de todos os companheiros: o pai do meu filho. E é sobre ele que escreverei na próxima semana.

Aguardo vocês. Até lá.

Cássia IG (contato: papodemaeig@gmail.com)

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4 comentários:

  1. Ah,concordo com vc que a vida dá sinais.But,as vezes,nos iludimos.
    Beijos pra vcs.

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  2. Cássia, Toda vez que leio os seus textos eu me emociono. Recentemente eu e minha mãe tivemos uma conversa a respeito de "sexualidade". Foi o tipo de conversa que demorei muito tempo pra ter coragem de ter com ela, pura e simplesmente por medo, e ela mesma me confessou que aceitou tudo da maneira mais fácil possível devido à sua vivência. Bom deixo aqui meus parabéns pelo texto, pela história de vida e também um convite: conhecer a casa nova da mente por trás a personagem
    Alda Bittencourt do Blog Abapha. Será um prazer recebê-la. Um grande Abraço!

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  3. Tbm acho q a vida nos oferta pistas para mudarmos, transformarmos o nosso destino...mas, me detendo apenas ao título do seu post, e espero da vida apenas uma coisa, FELICIDADE! bjoxxxxxxxxxx querido!

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