Sim, mesmo que sejamos heróis, à nossa maneira, e disciplinados guerreiros, parecemo-nos todavia com as mulheres, porquanto o que nos leva é a paixão, e nossa aspiração será sempre o amor. Nisso se resumem a nossa delícia e a nossa vergonha. Percebes agora que nós, os poetas, somos incapazes de ser sábios ou dignos? Que necessariamente andamos sem norte, que forçosamente nos entregamos e sempre à devassidão e às aventuras dos sentimentos? À maestria do nosso estilo é mentira e bobagem. A nossa glória e honorabilidade não passam de uma farsa. A confiança que as massas depositam em nós é sumamente ridícula, e a educação do povo ou da juventude à base da arte é um empreendimento arriscado que mereceria ser proibido. Pois como pode ter aptidão para educador quem tiver por índole uma propensão natural, incorrigível, para o abismo?                           
Ele era mais bonito do que as palavras podiam exprimir, e Aschenbach (o homem de meia-idade) sentiu dolorosamente, como tantas vezes antes, que a linguagem pode apenas louvar, mas não reproduzir, a beleza que toca os sentidos. (...) Tadzio (o rapaz polaco) sorriu; (...) E recostando-se, com os braços caídos, transbordando de emoção, tremendo repetidamente, segredou a formulação tradicional do desejo - impossível, absurda, abjecta, idiota mas sagrada, e mesmo neste caso honrada: "Amo-te!"

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Os trechos acima remetem você para qual obra artística? Eles são o reflexo do sentimento de um homem solitário, um artista já consagrado, que vive até o extremo o seu amor platônico por um adolescente. Durante o processo, ele trava interessantes e profundos diálogos consigo próprio.
A obra pode ser admirada em livro (que livro!) e em filme. E que filme! [o link levará você a baixá-lo no Intercine Gay, mas, antes disso, dê o seu palpite]
A quinta sinfonia de Gustav Mahler é a música mais importante do filme, porém, deixarei o vídeo da Bittersweet Symphony, da banda The Verve (com tradução) para vocês curtirem. Adoro.


6 comentários:

  1. ah, preciso ver o filme antes...
    depois comento

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  2. ah, mas antes, comentando seu comentário no meu blog:

    bem, aqueles são os únicos dados q eu tenho. se algo foi omitido, não foi pq eu quis...

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  3. Vou fazer o mesmo que o Foxx, vou ver o filme antes. Mas o texto é lindíssimo.

    Bjos bom final de semana meu amor.

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  4. Esse post veio a calhar com O rei de copas que saiu no meu blog, afinal, ele é sonho, expressão da arte, amor, mas irei ver o filme também, bom fim de semana a todos!

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  5. Morte em Veneza é legal, mas o livro mais "homoafetivo" do Thomas Mann é o "Tonio Kröger" - teve até uma edição brasileira com ambos juntos, bem fácil de achar nos sebos. O filme eu não curti muito, mas acho que foi por termos passado quase um mês discutindo o livro na universidade, antes de assistirmos ao longa, então as diferenças chamaram mais a atenção.

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  6. Morte em Veneza é lindo,lindo.
    Sabia que para a escolha de Tadzio foi feito vários testes?A tal da busca da perfeiçao.Com esses testes foi feito um curta.
    Beijos,Ju.

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