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Já sentada em frente a Simone, comecei:
- Primeiramente eu quero te dizer que entendo perfeitamente o que você está sentindo. Não tenho raiva de você, pelo contrário, estou incomodada com essa situação porque você é uma moça linda, tem uma família maravilhosa e não precisa passar por uma situação como essa.
Simone me olhava com olhos arregalados e ficou muda. Nem a sua respiração eu consegui ouvir. Continuei:
- Você parou para pensar que, depois de tantos meses de insistência, se o Gaúcho não estivesse decidido a continuar a relação comigo ele já teria voltado para você?
Como ela não se pronunciava, insisti:
- Já parou para pensar, Simone?
Ela não respondeu e eu, da forma mais doce que consegui, continuei:
- A mãe dele adora você e me contou sobre como a sua família a acolheu no pior momento da vida dela. Ela é muito grata e eu sei que faria muito gosto no casamento de vocês. Todos reconhecem as suas qualidades e as de sua família. Eu também. Mas estamos falando de um homem livre para escolher a mulher que ele quer na vida dele. Quero que você saiba que nunca o pressionei a nada. Ele sempre esteve e está à vontade, então, nós temos que resolver isso porque não é justo que eu viva sendo incomodada por você e menos justo ainda é o que você está fazendo consigo mesma.
Simone começou a chorar. Nenhuma palavra, só lágrimas.
Resolvi me calar. Deixei ela à vontade pra isso e, quem sabe, diria alguma coisa. Entretanto, ela só chorava mesmo. Limpava o rosto com a mão, eu ofereci guardanapos e ela aceitou. Mas, nenhum comentário...
- Queria muito ouvir o que você tem a dizer, mas acho que nem precisa. Eu também sou mulher. Compreendo profundamente e sei que você já entendeu que não estou aqui para brigar. A minha tentativa é a de fazer você entender que isso tudo é desnecessário. Ainda assim, se você preferir, eu chamo o Gaúcho e conversamos os três.
Ela balançou a cabeça sinalizando que não.
- Eu também não ia querer passar por isso. Não precisa, não é?
Depois de alguns segundos, ela sussurrou:
- Desculpa.
Foi só o que ela falou e as lágrimas rolaram. Naquele momento, olhei adiante e percebi que Gaúcho estava estacionado do outro lado da rua.
- Simone, eu preciso ir embora. Tem certeza de que não há nada que você queira me dizer?
Ela fez não com a cabeça, enxugando as lágrimas.
- Eu te desejo boa sorte e sei que você vai ter. Obrigada por me ouvir.
Me levantei e fui ao caixa. Paguei a água mineral que consumi, comprei mais duas e segui em direção ao carro. Entrei e dei um beijo no Gaúcho:
- Comprei água para nós. Bem gasosa.
Saímos dali bebendo a nossa água e engrenamos um papo. 
O tempo passou e a vida seguiu normal. Ela nunca mais nos procurou e eu soube, algum tempo depois, pela minha sogra, que ela estava namorando; mais algum tempo depois, que ficou grávida; depois, que teve uma menina. E acho que deve ser linda!
Contei à minha sogra a conversa que tivemos e ela achou que fiz bem. Concluímos que seria melhor não falarmos nada ao Gaúcho. Ele notou que ela nos deixou em paz e comentou que devia ter se cansado. E já que ele não falava mais dela, achei melhor deixar quieto. Se eu falasse, era eu quem passaria a pensar (rsrsrs)....
Bem, agora, quando ele ler a coluna aqui no Identidade G, vai saber.
Gaúcho, beijo querido. 
Um beijo também para todos vocês. Na quarta nos encontraremos de novo.
Cassia IG (papodemaeig@gmail.com)
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3 comentários:

  1. Que maturidade vc teve,Cássia!

    Acho que isso jamais passaria pela minha cabeça.Deu uma aula hoje pra mim.Obrigado.
    Beijos.

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  2. gente, ele vai saber aqui pela coluna?
    =O
    bafão!

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  3. OI queridos!
    Sim, ele leu e .......amanhã eu conto. Beijos.

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