Sabe o quê? Tô cheio desse papo de bullying!
Essa palavra, que estão tentando aportuguesar, mascara a nossa realidade ou os fatos.
Nos E.U.A., ela tem sentido próprio. Serve para crianças, adolescentes e adultos; se estende a qualquer ambiente, inclusive o do trabalho; e os menores infratores são tratados no rigor das leis americanas.

Aqui, no Brasil, não. Bullying é na escola e assédio moral no ambiente de trabalho. E não é só isso. 

Cerio 1
João vive 'tirando sarro' do(a) garoto(a) gordo(a) de sua classe, do afeminado, do tímido, etc, e os deixam constrangidos na frente dos demais colegas, deprê em casa e alguns se tornam improdutivos na escola (notas baixas). João tá errado?
Sabemos que sim. Esse sem-noção pode passar o período escolar praticando o bullying (e ainda não chegamos nas porradas) com professores e diretores fazendo vistas grossas porque consideram aquilo coisa de crianças/adolescentes, e os pais dizendo em casa: "meu filho é macho".

Cerio 2 - Agora, sim, vamos incluir as porradas nisso.
E se João, além da moral, assediasse fisicamente os seus 'companheiros' de classe? Seria bullying
Aqui, no mundo real e fora dos limítrofes dos muros que cercam as "terras do nunca" (as escolas), isso tem outros nomes: lesão corporal, tentativa de homicídio ou homicídio propriamente dito. Dependerá dos golpes e do grau das lesões que o "colega" causar em suas vítimas. E não venham dizer que a surra é um fato isolado. Ela é praticamente o golpe de misericórdia naqueles infelizes que já eram psicologicamente  massacrados.
Cerio 3 - João completou 18 anos e foi trabalhar.
Em seu ambiente de trabalho, repete o comportamento escolar com os colegas que ele acredita o ameaçarem ou puxarem o seu tapete. Estuda os pontos fracos de seus "desafetos" e dia a dia os assedia moralmente.
Carlos, sujeito inteligente, tímido e aparentemente gay, é o coordenador da área em que João atua e se nega a fazer o trabalho que João deveria exercer. Em consequência, Carlos é constantemente humilhado na frente dos outros que acham graça da situação, inclusive alguns dos que também sofrem, em menor proporção, o assédio moral de João. Por medo, tentam se unir ao algoz. 
Carlos é ameaçado ao tentar conversar a sós com João, então ele simulou outra conversa para gravar pelo celular. Gravou também alguns constrangimentos desrespeitosos que sofreu na frente dos outros e tentou resolver o impasse. 
Ele procurou o chefe e expõs as ocorrências. Mesmo João tendo sido advertido, nada adiantou. O desajustado mentiu ao se defender e ainda acusou Carlos de impedir o seu crescimento profissional. Alegara que lhes foram negados os ensinamentos cruciais para o cumprimento das tarefas que lhes eram passadas. 
Não aguentando mais, Carlos procurou um advogado e acionou a empresa. 
O sem-noção do João foi o paradigma para o assédio moral - horizontal, porque não houve superior hierárquico diretamente envolvido - e Carlos foi indenizado com uma boa grana pelo dano moral sofrido pelo seu empregador negligente que permitia aquele ambiente insalubre no local de trabalho.
Carlos poderia também enquadrar o sujeito na prática de crime de calúnia e difamação, de acordo com o previsto nos artigos 138 e 139 do Código Penal - parece que há um projeto de lei que visa incluir o assédio moral no Código Penal. 
[A Justiça do Trabalho poderia acrescentar, no valor da indenização (danos morais), o adicional de insalubridade extensivo ao período no qual a vítima sofreu assédio moral. Afinal, ela esteve sujeita a doenças como depressão e todas as oportunistas daí advindas. Fica a dica.]
Cerio 4 - João completa 20 anos e é demitido daquele emprego. 
Mesmo com a experiência ruim do primeiro trabalho, ele ainda não se deu conta de que a "terra do nunca", onde permaneceu a maior parte de sua vida, não é eterna como parecia. Ninguém ainda o alertou do mundo real e seus pais ainda pensam que ele foi injustiçado no trabalho.
Enquanto não consegue outro emprego, João vai curtindo a vida nas boates e bares da vida, sem perder o hábito de xingar e/ou bater nos desavisados que encontra em seu caminho.
Cerio 5
O final dessa estória a gente já conhece. A esta altura, João já responde por crimes como lesão corporal grave e até tentativa de homicídio quando se desentendeu e se enfureceu com um homossexual com quem se deparou numa madrugada qualquer, motivado pelo ódio (talvez pelo trauma do Carlos).
Agora a pergunta que não quer calar: A culpa é somente do "colega"? 
E aqueles professores que fingiram não entender; aqueles pais que se orgulhavam; aqueles companheiros de classe/trabalho que, ao invés de o denunciarem à diretoria/chefe, riam da "brincadeira" enquanto assistiam passivamente as vítimas serem massacradas? 
E o Estado que tem a mania de achar que adolescentes infratores (os pobres) merecem pena máxima a reclusão de três anos?

As escolas devem agir com rigor e nunca negligenciar o tal bullying. Se o aluno já fora advertido algumas vezes e reincidiu, ele deverá ser expulso da escola (analogia à justa causa da CLT). 
Se a sua reincidência gerar danos físicos - graves ou não - além da expulsão, ele deverá ser denunciado à autoridade policial competente, independentemente da anuência dos pais. 
Assim funciona o mundo para os que, até ontem, tinham 17 anos. Assim eles serão tratados ao se tornarem maiores de idade e desprotegidos.
O vídeo acima é o mais recente caso de assédio moral/físico americano. Aconteceu na "Ohio High School".
O agressor aguardava ansiosamente (e aguardou muito, vários minutos) dentro da sala enquanto um de seus 'capangas' vigiava o corredor para avisá-lo da aproximação do colega e vítima, Zack, de 15 anos. Assim que entrou, Zack foi, segundo disse, atacado sem entender a razão, com empurrões e vários golpes direcionados na cabeça e teve alguns dentes quebrados.
A mãe do adolescente ferido, entretanto, diz saber muito bem o motivo e foi à público clamar por justiça e pela aplicação do agravante crime de ódio (aumenta a pena), pois acredita que seu filho foi atacado por ser gay. Leia mais aqui.

7 comentários:

  1. Aqui,chama-se Ijime.
    Nao pode esquecer que os pais devem observar o comportamento dos filhos.Muitas vezes,a criança tem medo de contar para a família.
    Beijos,Ju.

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  2. só tenho palmas a vc.
    saiu uma notícia recente agora, não sei se foi nacional, de uma menina que foi atacada pelos colegas da escola por racismo. os professores da escola não fizeram absolutamente nada! as meninas que atacaram a menina vão responder por racismo, mas e os professores? pq eles não vão responder por negligencia?

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  3. ou seja, voltamos ao ponto que eu sempre falo: nossa educação está morta e com isso todos aqueles que deveriam prover os meios para que ela exista foram junto. professores, diretores de escola nada fazem, porque? porque já sei foi o tempo em que estes mesmos eram tratados com dignidade! já se foi o tempo em que eles tinham o respeito de toda uma comunidade. é triste mas os valores se foram!
    pro ralo!

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  4. Olá! Acompanho o seu blog faz um tempo e gosto muito dele. Parabéns pelo trabalho!
    Só uma coisinha: a medida socioeducativa de internação para adolescentes pode durar até três anos, e é mais aplicada do que se imagina. E três anos é uma porcentagem grande da vida de um adolescente, pode acreditar. Já visitei centros de cumprimento de medidas socioeducativas em meu trabalho e imagino o quanto é terrível.
    Infelizmente, o alvo do Poder Judiciário é sempre o adolescente pobre e estigmatizado, como você disse.
    Eu nunca vi um autor de bullyng ou porrada sendo responsabilizado por seus atos.

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  5. Oi Nina. Obrigado pela colaboração e pela mensagem incentivadora.
    Sim, é mesmo de três anos a penalidade máxima para os menores infratores.
    O texto acima foi retificado.
    Bjaum pra vc. :)

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  6. no nordeste há o termo "bulir" que significa a mesmíssima coisa. Bullying sempre existiu, mas as gerações anteriores resolviam tudo "na hora da saída".

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  7. Além dos professores que hoje se tornaram negligentes, tem a questão principal que é justamente a forma com que a familia cuida dos seus filhos. Tem pais que acham graça quando o filho fala os primeiros palavrões.Dão risada! E ai cobram da escola um milagre em alguns casos.Tá bem complicado, grande abraço!

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