[Leia a postagem anterior dessa coluna: "Um Pai Saindo do Armário"]

- Mas eu tenho esperança.

Foi essa a resposta que Gaúcho deu quando eu contei para ele que o nosso filho havia me dito claramente que não sentia atração pelas amigas.

Na verdade, isso começou na pré-adolescência de Ju com uma preocupação minha, pois as amiguinhas vêm aqui para casa, ficam dias e dormem no quarto dele. Sempre foi assim. Mas com o tempo passando e essa turminha crescendo e desabrochando, me preocupei. Algumas delas se lamentam:

- Tia, o Ju é um desperdício! Não é justo.....

Me abraçam e dizem que eu sou a sogrinha dos sonhos. Eu acho a maior graça, mas fico preocupada. Ju me garante que nunca sentiu atração por nenhuma menina. De certa forma, me aliviei, pois me preocupava o fato de ele vir a ter algum envolvimento e gerar consequências. Até hoje, lembro a ele que "meninas engravidam" e o faço morrer de rir quando digo que se rolar com rapaz, usa uma camisinha; se rolar com garota, usa duas.

O Gaúcho arregalou os olhos quando contei a resposta do Ju e me perguntou:

- Ele  disse isso?

Fiz que sim com a cabeça e ele soltou aquela pérola:

- Mas eu tenho esperança.

Tudo continuou normal e Gaúcho nunca comentou nada sobre o assunto. Numa noite chuvosa de sábado, dessas chuvas que inundam a cidade, estávamos sem linha no telefone fixo e Ju me ligou pelo celular para pedir para ir a um churrasco na casa de um colega, aqui perto. Como ele havia começado no novo colégio, ainda não conhecíamos os amigos novos. Sempre confiei muito em Ju e autorizei. Só lembrei a ele, como sempre, que desse sinal de vida: um torpedinho de vez em quando para eu saber que estava bem. Como sempre, o pai ficou à disposição para buscá-lo quando quisesse.

A noite foi passando e nada de Ju dar um telefonema, mandar um torpedo, nada...

O telefone dele só dava "fora de área" e os outros que eu tinha, das amigas, não consegui saber nada dele. Isso nunca tinha acontecido e fomos nos preocupando. O pior é que nem sabíamos onde o tal amigo morava. As horas foram passando, o dia clareou  e nós já estávamos à beira de um colapso.

Eu pensei muita coisa ruim, pois Ju sempre, sempre me avisa se está tudo ok. Ele tem toda a liberdade e só o que peço é que mande um sinal (mãe não dorme mesmo com o filho fora de casa), e que não saia de madrugada por aí. O pai vai buscá-lo onde estiver. Então, ele sempre manda uns torpedinhos pela madrugada tipo "tô vivo" ou "oi gatinha, me esperando ligar?"

Naquela noite isso não aconteceu. Conforme as horas avançavam, Gaúcho colocava na cabeça que ele "estava com algum cara". Eu disse que não; que ele até poderia não se sentir à vontade para dizer se estava rolando algo, ou se estava na casa de uma amiga e estar com um cara, mas que nos mandaria torpedos ou ligaria para nos manter tranquilos. Ora, ele nos obriga a fazer o mesmo quando nós saímos. Temos que avisá-lo e mantê-lo informado até a hora de chegar.

Mas Gaúcho empacou. Às seis da manhã, chega um carro trazendo Ju. Quando o pai o viu, nem reparou que o garoto estava pálido, completamente sem cor, e foi logo vomitando um monte de coisas. Falava alto, vermelho, sem deixar ninguém falar. Quase teve um troço. Bem, o Ju ouvia calado e no final Gaúcho disse mais ou menos isso:

- Você não precisa mentir e nem esconder nada. Está por aí, viu um cara, gostou do cara, está a fim de ficar com o cara, vem pra casa,  traz o cara. 

Na quarta eu conto o resto.
Beijocas e carinhos.
(papodemaeig@gmail.com)
[para ler a próxima, clique aqui]

9 comentários:

  1. gente do ceu, naum pode fazer isso comigo, fico morrendo de curiosidade.

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  2. isto são coisas normais dos adolescentes de hoje ... é sofrido mas é assim ... fazer o que né? mas o q gostei mesmo foi da reação final do Gauchão ... OMG!

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  3. Gay ou hétero ele é adolescente e seria muito estranho que ele NÃO tomasse uma atitude como essa.
    Com que cara ele chegaria em casa com outro homem anunciando que o sujeito ia "dormir" com ele ???
    Mesmo que fosse com uma garota...o constrangimento seria o mesmo.
    Vivenciar a própria liberdade subentende também poder guardar alguma privacidade, sobretudo sobre a sua atividade sexual.
    Ele poderia ter avisado? Sim, mas não seria a mesma coisa...para um adolescente avisar colocaria a perder todo o valor da aventura.
    Essa recusa em dar satisfações é parte do processo de crescimento de qualquer adolescente, seja gay, hétero, bi, tri ou "polissexual"...rsrsrsrsrs
    Quantas vezes eu liguei avisando que ia ao cinema ou Shopping e estava entrando num motel ???
    Sobrevivi para contar a história e ele também sobreviverá.
    Relaxe, depois piora e muito.

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  4. Se eu voltar a roer unha,a culpada será a Cássia.kkkkkkk.
    Quero saber tudinho.huahauhu.
    Beijos.

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  5. Concordo com os demais, mas o que me deixou muito feliz foi saber que o pai, mesmo tendo esperanças que ele não fosse, e bravo pela falta de contato, ter ainda assim, dito que poderia trazer o cara pra casa.
    Nossa, eu daria um mega abraço nele, porque ali foi uma prova que apesar de tudo, o amor dele era incondicional.Amando os relatos, bjks!

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  6. Oi queridos! Pois é, mãe sofre....rsrrs. Quarta está chegando e vocês vão saber mais. Beios e
    brigada por estarem aqui.

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  7. Genteeee, cadê post novo do papo de mãeeee, hein, hein, hein?? estamos ansiosos!!!!

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  8. Cadee o post da semana passada???? :(

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  9. Tiago, realmente, fiz o teste e a última postagem da coluna "Papo de Mãe" não aparece quando clicamos na tag "Colunas". Isso vem acontecendo com outras tags também.
    Não sei se é um 'bug' do template, mas, para você ter acesso à postagem "Você Diz Que Seus Pais Não Lhe Entendem...", de 12 de outubro, basta acessar o link que está no final da postagem acima, onde se lê: "para ler a próxima, clique aqui".
    Agora, se vc estiver se referindo à semana passada mesmo, a postagem não foi encaminhada pela Cassia porque ela está com problemas de saúde na família (sua mãe foi internada). Ela pediu que aguardássemos até tudo se resolver. Acredito que amanhã, 26/10/2011, também não teremos "Papo de Mãe".
    Aproveito para desejar força à família e a recuperação de sua mãe, Cássia.
    Bjus.

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