A esperança é mesmo a última que morre.

Para entender melhor essa postagem, leia a anterior "O Que Passa na Cabeça dos Pais de Adolescentes Gays"

Naquela manhã percebi que Gaúcho finalmente enxergou a realidade. Como é típico, ele destruiu o armário emocional, social e psicológico. Não sobrou nada. E como é típico também, Ju não ouviu a parte boa da 'bronca'. Ficou revoltado com o pai e os dois ficaram um tempão 'de mal'.

Naquela noite, Ju foi convidado para um churrasco na casa do Fábio, um colega novo do colégio.

Os pais do rapaz reuniram a galerinha do colégio para uma confraternização. Naturalmente, como nós também fazemos aqui, o objetivo era divertir, entrosar e principalmente conhecer as novas amizades dos filhos. Fabio tem uma irmã que também é do colégio.

Ju me disse que começou a se sentir meio estranho à tarde. À noite, já no churrasco, começou a sentir dor no corpo e diarreia. Como não dava para segurar, usou o banheiro várias vezes, mas ficou com muita vergonha e não falou nada para ninguém.

Quando estava indo mais uma vez a um banheiro do lado de fora da casa, ele escorregou no chão molhado e se machucou. Ficou com mais vergonha ainda, mas a mãe de Fábio veio cuidar dele e ele contou como estava se sentindo.

Tentaram nos ligar, mas só dava fora de área. A mãe do amigo o colocou em um quarto, disponibilizou um banheiro e cuidou dele. Ju me disse que ela fez soro caseiro para ele beber. E a noite foi assim: ele passando mal e a mãe do amigo se dividindo entre ele os outros 14 convidados. Ju estava aflito porque sabia que eu e o pai devíamos estar desesperados. Quando amanheceu, o pai do Fábio o trouxe aqui.

Conversei com ele e não duvidei de uma só palavra. Conheço meu filho. Mas tem uma coisa:  mesmo sabendo que se trata de adolescente e do caráter aventureiro de certas experiências, eu não aceito irresponsabilidade e falta de consideração. Sempre brinquei dizendo que só a morte justifica a falta de notícias. Ele foi criado assim. Tem liberdade e pode usá-la como quiser, mas tem que ter consideração conosco. Aproveitei o incidente para deixar isso claro e esclarecer que, se rolar algo por aí, ele não precisa entrar em detalhes, é só avisar que está tudo bem.

Peguei o telefone da casa do Fábio e liguei naquela tarde para a mãe dele para agradecer o cuidado com meu filho. Batemos um longo papo e mencionei que fiquei preocupada porque não temos o hábito de ficar sem contato por toda uma noite. Não fiz drama. Apenas sinalizei que nos preocupamos um pouco, afinal não sabíamos onde procurá-lo. Agradeci muito.

Bem, aquilo foi uma virose. A birra de Ju com o pai durou bem mais que esse tempo. Ju ficou muito aborrecido com as acusações e o escândalo que Gaúcho fez e o que mais me surpreendeu foi que nem se deu conta da prova de aceitação e amor que recebeu.

Mas se você pensa que a história acabou, se enganou. Na próxima em contarei o que é um gaúcho saindo do armário.

Beijos.

Cássia IG.
(papodemaeig@gmail.com)

Para ler a próxima, clique aqui.


4 comentários:

  1. ah, Cássia, convenhamos, o Ju doente e ser acusado de qualquer coisa, ele nunca lembraria dessa prova de amor, só da acusação.

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  2. Concordo com o Foxx Cássia! Seria difícil. mais um belíssimo texto como sempre!
    Um grande beijo!

    Sr.JUNNIOR NERY! POR ONDE O SR. ANDA HÉIN QUE SUMIU DO DSL?

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  3. Oi rapazes!
    É, isso aconteceu mesmo. Ainda assim, foi "escandalosamente" lindo...rsrsr

    Preciso passar no seu blog FOXX.

    Hoje estive no do Muñoz. Lindinho você pequeno, viu?

    Jr,
    Linda a sua arte no avatar do PAPO DE MÃE e adorei a homenagem ao Renato Russo. Amo-o ( ao Renato e a você). Beijão.

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  4. Acho natural os adolescentes se afastarem dos pais na adolescencia.Tivemos problemas com minha irma caçula,que é adotiva.Foi uma fase de muita paciencia.
    Beijos,Cássia.

    Ju,estou enviando um e-mail pra ti.

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