A pregação da igreja católica contra a homossexualidade é uma estratégia tão antiga, tão capciosa!
Ela funcionou lá, na Grécia/Roma antigas. 
Causa espanto o catolicismo não se dar conta que precisa modernizar, criar planos igualmente audaciosos ao da idade antiga, mas com outras bases que não a segregação. 
Que tal agregar? Que tal chamar os homossexuais para fazerem parte integrante da religião incluindo a feliz e abençoada celebração dos casamentos gays? 
Leia as declarações de dom Odilo Pedro Scherer (foto), cardeal arcebispo de São Paulo ao jornal "O São Paulo" (da arquidiocese de São Paulo).
Sobre a decisão recente do STJ que autorizou o matrimônio entre duas lésbicas
Saem perdendo e ficam banalizados a família e o casamento, que têm um papel antropológico e social insubstituível. A união homossexual não cumpre o mesmo papel e não é justo equipará-la à família e ao casamento.
Significados, segundo o dicionário Houaiss, das palavras acima grifadas por mim:

Banalizar: tornar(-se) banal, comum; vulgarizar(-se), trivializar(-se).
Antropologia: ciência do homem no sentido mais lato, que engloba origens, evolução, desenvolvimentos físico, material e cultural, fisiologia, psicologia, características raciais, costumes sociais, crenças etc.
Família (uma das três principais acepções do dicionário): pessoas ligadas entre si pelo casamento e pela filiação ou, excepcionalmente, pela adoção.

Como vimos, segundo Houaiss, a "evolução" e "os costumes sociais" - para não falar em "fisiologia" porque seria controverso demais - são partes dessa ciência do homem que é a antropologia. É claro que a homossexualidade sempre esteve presente na sociedade humana, portanto sempre foi costume de um povo, em qualquer época. E é justamente por causa da "evolução" social que o mundo hoje está reconhecendo e estendendo (tardiamente) os direitos - já existentes aos heterossexuais - aos homossexuais.
E por que  não é justo equiparar a união homossexual à família? Uma das definições de família (acima) é a união  de "pessoas" pelo casamento. Os gays estão casando, padre! 
É lastimável chamar o casamento entre dois homossexuais de vulgar. Não acredito que é o religioso falando, mas o homem comum, puramente elitista e discriminatório.
"Justo" para esse padre é a situação dos gays de anos atrás, quando eram confinados em guetos, longe dos olhos da sociedade que sabia, mas não queria saber e preferia fingir que não sabia. Isso pra mim tem outros nomes. Um deles é hipocrisia.
[o casamento gay] é contrário à natureza e também, objetivamente, contrário à Lei de Deus e, por isso, a Igreja nunca poderia dar a sua aprovação.
A diferenciação sexual tem um sentido e revela um desígnio de Deus, que nós devemos acolher e respeitar. A união de duas pessoas do mesmo sexo quebra esse sentido.
Pode-se dar o nome que se queira, mas isso nunca será verdadeiro “casamento”
Seria até engraçada, se não fosse uma afirmação audaciosa. 
Cadê os historiadores? Foxx ("Estórias do Mundo"), me corrija se algo estiver fora do contexto.
Está nos registros da história mundial que a homossexualidade deixou de ser encarada como natural e até sagrada (Grécia e Roma antigas) e passou a ser nociva graças ao cristianismo. Para contrapor a existência de vários deuses, passou a pregar contra a homossexualidade. 
A estratégia foi brilhante, pois, que outra forma teria o cristianismo de conquistar uma sociedade aculturada ao politeísmo, senão atacando os rituais sagrados dos vários deuses que ela combatia?
Os reis e os heróis praticavam a homossexualidade porque era um ritual sagrado "ensinado" pelos deuses e logicamente, eram copiados pela sociedade; pelos bem-nascidos.
Quando o plano começou a surtir efeito, passou a disseminar graves penalidades aos homossexuais e a sociedade mudou substancialmente sua mentalidade, passando a associar homossexualidade ao comportamento dos animais, na época, considerados impuros.
Depois, na Idade Média - época da mais perversa penalização a prática homossexual - a Igreja Católica, por meio da Santa Inquisição, foi a maior perseguidora dos que mantinham relações sexuais com pessoa do mesmo sexo. O III Concílio de Latrão, de 1179, tornou a homossexualidade crime e o primeiro código ocidental prescreveu a pena de morte à sua prática. Nesse contexto, a sodomia era considerada o maior dos crimes, superando, inclusive, o incesto entre mãe e filho. (Trecho extraído do artigo escrito por Eveline de Castro Correia e Giovanna Dodt Sales, in "Da Possibilidade de Alimentar nas Relações Homossexuais", IBDFAM, 27/01/2011). 
Usando o mesmo nome e conceito que se emprega para o casamento entre um homem e uma mulher, acaba sendo introduzida uma confusão antropológica, jurídica e ética muito grande. Para coisa nova, nome novo. Se fosse usado um outro conceito, em vez de “casamento”, e uma outra convenção social para esses casos, em vez a da “família”, pelo menos a família e o casamento, no seu sentido verdadeiro, estariam preservados. Infelizmente, o Brasil está adotando a mesma confusão já introduzida em outros países.  É lamentável e não creio que isso seja um passo adiante na civilização. O tempo dirá.
OK. Que tal matrimônio ao invés de casamento? Tá bom assim?
Quanto à famíla, que outro nome se poderia dar, meu Deus, àquilo que é formado pela união estável, pelo casamento e adoção/geração de filhos, independentemente de orientação sexual? Até os animais constituem famílias. Mais uma discriminação absurda. 
Sobre direitos 
O direito ao patrimônio, constituído pelo esforço comum, já está assegurado pela legislação corrente; da mesma forma, o direito a se associar, para partilhar patrimônio e herança, também está assegurado. Não é preciso recorrer ao “casamento gay” para alcançar esses objetivos.
É preciso recorrer a todos os direitos constitucionais. Por que com o casamento seria diferente? Como dito, são declarações elitistas, discriminatórias e até legal e religiosamente contraditórias.

11 comentários:

  1. bem, já que fui convocado...

    o cristianismo não é tão vilão quanto parece, durante a antiguidade, por exemplo, nas pregações que ainda estão registradas na bíblia como Paulo, por exemplo, não existe nada que prove que a Igreja católica era contra as práticas homoeróticas entre seus membros. a Igreja costumava utilizar a mesma política do império romano e aceitar os costumes do lugar q ela estava, então a frase da Igreja seria "em Roma, faça como os romanos", sabe? Pra Idade Média, primeiro É MENTIRA esse papo de que a Igreja mandava em tudo no Medievo, esses discurso foi inventado pelos Iluministas para taxarem a idade média de época das trevas enquanto eles eram a luz. Outro ponto sobre a Idade Média, certo a sodomia era um pecado horrendo, mas primeiro SODOMIA não significa práticas homossexuais, sodomia pode existir entre um homem e uma mulher. Explicando, Sodomia são qualquer tipo de relações sexuais sem fins reprodutivos, isto é, sexo oral e sexo anal. ou seja, sodomia é o oposto do mandamento "crescei-vos e multiplicai-vos", nos tempos de hoje, usar camisinha e tomar pílula tb seriam enquadrados como sodomia. o que quero dizer com isso é que o foco da igreja católica não é o comportamento homoerótico, e sim o sexo sem fins reprodutivos. a sodomia não é uma condenação ao "homossexual", mas a um descompridor de uma ordem direta de Deus de reproduzir-se.

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  2. Foxx, isso que vc falou sobre sodomia ter sido outrora aceitável e de não ter o significado dos dias atuais foi antes da idade média, foi na Grécia e Roma antigas, quando era praticada pelos reis e heróis como ritual sagrado dos deuses. Esse conceito está no texto original do qual eu transcrevi apenas um pedaço.
    Mas pode ser lido aqui:
    "No Império Romano, o tratamento dado a homossexualidade - conhecida como sodomia - era similar ao da Grécia Antiga. Desta forma, também era vista de forma natural quando acontecia entre um adulto e um adolescente, sendo igualmente censurada a passividade quando ocorriam relações sexuais entre dois homens mais velhos. Ademais, é de bom alvitre elucidar que, dos últimos quinze imperadores, apenas um, Cláudio, não deixou referências quanto a sua homo ou bissexualidade."
    Foi na idade média e graças aos cristianismo, segundo os autores do texto acima, que a sodomia passou a ser perseguida, condenada e penalizada.

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  3. Postagem antológica a sua, Junior. Por essas e outras que não me considero mais católico. A Igreja hoje em dia vive no passado e só aceita repensar o que lhe convém. Talvez por isso venha perdendo tantos fiéis.

    Abcs!!

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  4. Postagem antológica mesmo como bem colocou o Raphael e muito bem enriquecida pelo Foxx.
    Religião enquanto instituição é tudo merda ... fede ... não sou contra espiritualidade e tenho a minha calcada no cristianismo católico mas isto não quer dizer q concordo com a instituição ... muito antes pelo contrário, tanto na questão do homossexualismo como em outros temas polêmicos.

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  5. Não sou adepto de nenhuma religião, justamente pelo seu conceito absurdo de involução. Esperar uma decisão favorável aos gays partindo do cristianismo, ou catolicismo que seja, é o mesmo que esperar os milagres que eles dizem operar através da fé...

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  6. Eu andei cá com meus botões e parece que a cada dia amadurece uma ideia que a seguinte: crença e religião são coisas mais diferentes que a vã filosofia imagina.

    O que parece muito óbvio, não é? Mas não é óbvio a uma massa de milhões (quiçá bilhões) de pessoas!

    Crer ou ter fé é uma potência, uma capacidade. A base dessa crença, é discutível, ainda... Há uma corrente forte insistindo na consciência da morte (e, portanto, no MEDO) para justificá-la.

    Porém, uma coisa é ter essa capacidade. Outra é atribuí-la a uma religião, que é uma ideologia sempre; É uma produção cultural sempre!

    Mas se uma pessoa crê no Sol, o "nível" de sua crença é tanto quanto o de outra que acredita em Buda, em Jesus, no dinheiro ou na Ciência.

    A questão que está na base do cristianismo antigo é, ainda que não queiramos ver desta forma, uma queda de braço entre um povo oprimido e outro, dominador.

    Observemos que esse jogo não parece novo, não é? E como caminhamos pouco! Isso fica claro quando é possível fazermos algumas reduções sensatas...

    Sendo uma questão política e tendo se firmado como religião do Estado, nada melhor que aproveitar a deixa e torná-la, por sua vez, um novo instrumento de manutenção de uma certa mentalidade.

    Esse movimento, em mais de vinte séculos, não foi sempre o mesmo em particular, mas sim em linhas gerais. Infelizmente (e que nossa vaidade não nos cegue) ainda somos muito animais, muito suscetíveis ao nosso EGO.

    É capital admitirmos que a inteligência a favor do "mal" na Igreja foi tamanha para resolver a questão da "humanidade" (falível, discutível) da fé:

    "E se fosse criado um deus v.2.0?"

    Bingo!

    Assim, aqueles Homens poderiam em nome de algo inalcançável, impor nova ordem.

    Pois não há como entrevistar deus para tirar a duvida do que ele pensa ou deixa de pensar em relação a um monte de coisas. Sequer SABEMOS se ele existe.

    Aliás, se existe, pode não ter nada a ver com esse que tantos pintaram e pintam nas doutrinas.

    Desconfio que se existe, ele não é esse rascunho de Homem que fizeram. Um deus que precisa ser louvado. Como? É ele que precisa do Homem e não o contrário? Vai entender?

    SABER se existe assim como SABER se não existe, não podemos. Pode-se é TER ou NÃO TER fé nele.

    Fato é que nesse novo cristianismo, não se podendo saber direto de deus qual é a sua vontade e, muito pelo contrário, "havendo contrato exclusivo com algumas religiões", ocorre que temos de pedir a elas que nos digam qual é a PALAVRA.

    Hoje essa palavra não funciona tão bem. Mais um indício apontando que o contrato foi forjado. Ora: Os cristão brigam entre si para saberem quais dentre eles são mais fraternos. Isso faz sentido?

    De outro modo: Guerrear para saber quem é mais da paz?

    E essas coisas fabricadas, que não requerem uma crença inteligente mas - pelo contrário! - bem elaboradas para os fins de alienação e dependência emocional (lembremos do medo da morte e a consolação e as histórias belíssimas de pacificadoras para a hora do desfecho)... Essas coisas serviram como código moral de um tempo.

    A bíblia nunquinha antes fora a bíblia que temos hoje. E menos possível ainda é que ela fora a PALAVRA de deus!

    ...

    De forma geral, A Igreja não é nada cristã! Ela já é uma empresa há muito tempo.

    Por outro lado, há muitos cristãos - no senso primitivo - dentro e fora da Igreja e são eles que fazem que algo ainda valha a pena.

    Separemos, por uma questão de justiça, a política da Igreja. Pois enquanto a última mantém seus arrogantes e desumanos "donos", há quem acredite em alguma renovação, respeitando as diversidades.

    Aff, deu uma tese. Sorry!

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  7. E uma excelente tese. O pior que não só a religião católica se tornou uma empresa, mas as religiões em si estão se pautando nisso.

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  8. MENSAGEM PARA O FOXX:

    Creio que você está um tanto equivocado. Com certeza sodomia pode ser para homem e mulher também, mas é óbvio que serão os homens que fazem sexo com homens que serão mais afetados. É óbvio também que a igreja não era contra os homossexuais, pois esse conceito sequer existia. Ele só vai surgir no século XIX.
    E Igreja não era tão tolerante com os costumes locais. Você já leu o que os cristãos fizeram com a religião egípcia quando ela chegou lá? Não teve nada de tolerância, nem de aceitar costumes locais.
    Essa sua observação sobre a Idade Média também me parece meio absurda! Os Iluministas tederam a pintar uma imagem muito ruim da Idade Média, mas dizer que a Igreja não tinha tanto poder é muito mais mentiroso! Houveram papas que foram mais poderosos que imperadores e reis. Os Iluministas não inventaram isso!
    Por último: o Cristianismo não se pauta apenas pelo Novo Testamento, mas também pelo Antigo. E nele há condenações claras à relação sexual entre pessoas do mesmo sexo, por mais que hoje em dia tenha cristãos que façam malabarismos para tentar "absolver" a Bíblia.

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  9. AGORA MENSAGEM PARA O JUNNIOR:

    Não se usava o termo sodomia na Grécia e na Roma antigas. Esse termo tem origens no nome Sodoma, cidade bíblica.

    Tenho que discordar quando diz que foi só o Cristianismo que fez com que ocorresse uma mudança no tratamento ao homoerotismo.

    A partir do século III ocorrem mudanças culturais que possibilitariam uma visão negativa do homoerotismo. O Cristianismo foi só um dos movimentos nesse sentido, mas não o único.

    Sugiro que leia História da Sexualidade, Vol. III, de Michel Foucault.

    :)

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  10. POR ÚLTIMO:

    A Idade Moderna e até a Contemporânea, foram muito mais sanguinárias e repressoras para os gays do que a Idade Média!

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  11. Ti Carioca:
    1 - o nome que se dava eu não sei, mas o que disse é que a sodomia, portanto a prática, vem desde a Grécia e Roma antigas.
    2 - Não escrevi em nenhum lugar do texto que foi "só" o cristianismo o responsável pela mudança no tratamento da homossexualidade, mas, aí sim, somente ele foi citado na postagem porque é uma matéria sobre a igreja católica.
    Adorei a sua participação, pois enriqueceu a postagem.
    Agradeço à indicação bibliográfica.
    Abraços.

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