Alguns leitores do blog gostam de comentar que países europeus não podem ser comparados ao Brasil quando nos referimos à civilidade.
Não podemos esquecer que o Brasil, além de estar em desenvolvimento, economicamente é comparado a países de primeiro mundo (ocupamos a sétima posição). Sim, culturalmente temos uma defasagem já que não dispomos dos anos de história do velho mundo, mas nos espelhamos em muitas decisões tomadas pelos governos de países europeus.
É bom lembrar que há também países emergentes na Europa, como a Croácia, Estônia, Georgia, Hungria,  Lituânia, Romênia, Albânia, Montenegro, entre outros.
E pertencer ao continente europeu não significa ter leis civilizadas, avançadas e indiscriminatórias.
Apesar de todos os 51 países da Europa (incluindo o Vaticano) não punirem a homossexualidade - é o único continente do mundo assim -, alguns deles estão mais atrasados do que o Brasil no tocante aos direitos dos gays, pois nem judicialmente os homossexuais conseguem reconhecimento da união estável quiçá o casamento civil - em alusão à decisão do STF, de maio deste ano, que estendeu a união estável aos homossexuais (sobre isso, leia aqui aqui e aqui). Além disso, não protegem os gays contra discriminação (nesse ponto se equiparam ao Brasil). São eles:
Albânia, Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Itália, Macedônia, Montenegro, Rússia, San Marino, Turquia, Ucrânia e Vaticano.
Agora, sim, vamos falar de uma novidade que vem de um dos países da Europa que mais respeitam seus cidadãos indiscriminadamente: a Holanda.
Em todos os Países Baixos, sabemos, o casamento e as parcerias gays são autorizadas, há leis que criminalizam a homofobia e a adoção de crianças por casais gays é permitida.
A novidade eu li no site Radio Nederland Wereldomroep Brasil e lá está escrito que "as escolas holandesas serão obrigadas a dar aulas sobre homossexualidade".
Depois de pressão política, a ministra da Educação e Cultura, Maria van Bijsterveldt, concordou que as escolas deverão dar atenção à existência de gays, lésbicas e transsexuais.
A questão foi debatida e levada à decisão do governos porque estudiosos chegaram à conclusão de que os alunos que assumem sua homossexualidade são com frequência intimidados pelos colegas.
O problema nas escolas é que isso é frequentemente invisível. Normalmente não se toca neste tema e quem quer falar sobre isso logo é rotulado. Há muita ignorância a respeito. Ainda imperam muitos estereótipos negativos sobre os homossexuais, explicou Nebbo Siebum, de 18 anos, que dá aulas de homossexualidade em colégios.
As cifras indicam que dois terços das escolas não dão nenhuma atenção à questão da homossexualidade.
Vera Bergkamp, do partido de defesa dos homossexuais, o COC, explica: Precisamos muito do governo para modificar esta situação. É importante que seja obrigatório, pois os jovens homossexuais têm muitas dificuldades com os colegas e 81% dos jovens homossexuais também acreditam que isso ajudará. Com frequência há um clima de inseguraça para homossexuais nas escolas. É importate para os jovens saberem o que é ser homosexual. Ninguém gosta do que não conhece.
Ainda não está definido como as informações serão passadas aos alunos. Nebbo Siebum espera que seja como em sua antiga escola secundária e que os jovens se sintam suficientemente livres e seguros para assumir sua homossexualidade.
Sobre homossexualidade nos países da Ásia, clique aqui.

5 comentários:

  1. Perfeito! Imagina um projeto aqui depois da polêmica da cartilha? mas chegaremos lá, com certeza!

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  2. bem, no brasil existem projetos como o Educação sem Homofobia da UFMG e o Educação para Diversidade da UFRN q forma professores capazes de lidar com as questões sobre homossexuais.

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  3. Veio-me à memória que à alguns anos atrás a minha afilhada com 13 anos (agora já tem 20) apresentou na escola como trabalho individual "Uma entrevista com um homossexual", em que ela me convidou para a sua aula e perante toda a turma e professora, me entrevistou sobre o que é ser e viver como homossexual. As perguntas de todos os membros da turma após a entrevista, na fase de debate e esclarecimentos de dúvidas, eram bem demonstrativas do interesse dos jovens sobre as questões da sexualidade. Mais que interesse as questões por vezes eram postas como uma necessidade ansiosa de esclarecimento.

    Verdade que todas as nações se desenvolvem a ritmos diferentes, mas mais importante é o empenho do povo em se querer aperfeiçoar e desenvolver culturalmente. Não basta crescer economicamente.
    Os próprios EUA são tidos como a maior economia mundial (ou entre as maiores) e grande parte do seu povo não deixa de ser tacanho e retrógrado. Basta dizer que por lá ainda há pena de morte.

    Beijos

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  4. Vc devia transformar a experiência da escola numa postagem, Man.
    Seria mt interessante.
    Bjaum.

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  5. Discutir a homossexualidade nas escolas é discutir a liberdade.

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