Essa postagem estava pronta há um mês, porém, antes de publicar, perguntei ao leitor que me escreveu se eu poderia contar aqui a sua historia, mas ele não respondeu. Foi ser feliz.

O leitor chamaremos de Leo. Em seu email, ele narrou seu problema com um pedido de conselho. O caso é mais complicado do que acontece com a maioria dos jovens que escondem a orientação sexual dos pais.
Leo tem 19 anos e namora com Ricardo, de 28, há pouco menos de um ano.
Ambos estão apaixonados e Ricardo pediu Leo em casamento. O namorado mora só e é financeiramente independente. Na verdade, o pedido foi para que morassem juntos e oficializassem a união. Como o futuro a Deus pertence, um dia podem se casar.
Leo pontuou os problemas no email: nunca trabalhou, ainda está cursando uma faculdade (paga) e é totalmente dependente dos pais. Seus pais não têm noção de sua homossexualidade e mal conhecem Ricardo. Embora ansioso para aceitar, não sabe como fazê-lo sem abrir aos pais o verdadeiro motivo.
A maneira como Ricardo o pediu em casamento foi, segundo ele, o máximo de romantismo que um ser humano é capaz. Irresistivelmente irrecusável.
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A primeira coisa que pensei foi me projetar aos 19 anos de idade. Me vi contando a meus pais e tentei captar a reação deles diante de uma notícia tão inesperada e fora da realidade.
Me dei conta que seria impossível porque mais de 20 anos nos separam e, de lá pra cá, muita água rolou por baixo da ponte. Épocas e gerações diferentes.
Dizem por aí que a necessidade faz o homem e o homem as oportunidades. Se alguém está certo de que o namorado é a pessoa de sua vida e que jamais viverá algo parecido, deve seguir em frente. Ninguém deve perder a oportunidade de viver, na plenitude, o maior amor da vida.
Por outro lado, se me fosse questionado para revelar aos pais sem um motivo relevante ou apenas porque se estaria desejando mais liberdade, eu não aconselharia. Liberdade se conquista com estudo e trabalho. Até lá, a dependência financeira continuaria e, se os pais forem rigorosos, o sujeito poderá sofrer represálias desnecessariamente.
Não foi esclarecido se Ricardo financiará a faculdade ou outros cursos que porventura Leo queira fazer no futuro. Será que terá condições e/ou disposição par a pagar? Até quando? Isso sim é prova de amor. Somente os pais, a meu ver, têm esse desejo de investir fundo no futuro profissional dos filhos, quando podem.
Conversar com o parceiro é a melhor saída antes de tomar a decisão.
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Encontrei um texto na revista Marie Claire que talvez ajude (mandei pro Leo). Segue um trecho.
Você é quem conhece seus pais, então veja se é o caso de falar abertamente ou se as dicas que deu já são o suficiente. Muitas pessoas se surpreendem com o acolhimento vindo da família quando contam desta condição. Ser lésbica não é problema. Não te deixará menos honesta, menos capaz, menos profissional e nem mais promíscua sexualmente. O problema muitas vezes está em você mesma olhar sua sexualidade de maneira reprovatória.
Para ler a íntegra, clique aqui.
Quando procurava uma foto para ilustrar a postagem dei de cara com a história de um soldado norte-americano. Após o fim da proibição da política americana (Don't Ask, Don't Tell) ele resolveu gravar duas conversas por telefone que teve com a mãe e com o pai. Em ambas, ele confessa que é gay. Os bate-papos foram filmados e se tornaram virais no YouTube.
O vídeo abaixo é a conversa com o pai onde ele pergunta se ele ainda o ama após a declaração. A resposta é positiva. Em sua conta no Twitter, o filho diz que a reação do pai foi "melhor do que ele imaginava". Já sobre a mãe, ele não tem certeza.
- Pai, você me ama incondicionalmente?
  • Sim.
  • Haa....Eu sou gay.
  • [silêncio]
  • Você ainda me ama?
  • [Muitos segundo após]
  • Sim.


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7 comentários:

  1. Acho importante o Blog ter abordado esse Assunto que para algumas pessoas é muito Delicado! Me identifiquei pois eu também me enquadro nesse Grupo de Jovens que ainda não se assumiram e só se sabe o quando é Difícil quando se passa por essa Situação!

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  2. Eu, passei pela dificuldade de me revelar tb e só fui abrir por completo as cortinas aos 30 anos. Aí foi q eu vi toda a inutilidade do sofrimento e dos medos q eu vivi até então. Não tive o menor problema com ninguém ... família, amigos, colegas de escola, colegas de trabalho, enfim ... o medo é muito maior q a realidade dos fatos ...

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  3. Putz, difícil comentar esse post! Acho muito complicada essa estória de aconselhar, mesmo porque a gente só aprende, na vida, passando por todas as instabilidades, barreiras e desequilíbrios que a própria vida nos proporciona. Vida é adaptação... e essa capacidade de se adaptar está muito ligada à carga de nossas experiências.

    Um fator muito relevante é a dependência financeira. Queiramos ou não, isso pode não fazer diferença na esfera (ideal) do sentimento, mas, no chão duro do dia a dia, faz toda a diferença.

    Outra coisa: olha, pra mim é um pouco “balela” essa história de que ter 19 anos hoje é diferente do que era ter ontem... por mais distante que esse ontem esteja. Eu tenho 28, me considero bem informado e, às vezes, me pego tendo crises iguaiszinhas às que eu tinha com os meus 19.

    Ter mais dados disponíveis hoje não significa ter mais informação ou, o que é pior, não significa ter mais capacidade de discernimento. Costumam me acusar de “devagar, quase parando”... mas eu gosto de respeitar o fluxo natural de todos os meus confrontamentos e possibilidades.

    Beijão, Junnior.

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  4. Muito complicado mesmo!
    A cada geração novas mudanças de comportamentos, de hábitos, é difícil comparar a realidade de um garoto gay de 19 anos de hoje com um de 10, 20 ou 30 anos atrás.
    As coisas mudam, as cabeças mudam.
    Hoje eu vejo que muitos problemas que enfrentei na minha aceitação, muitos garotos tiram de letra hoje.

    Essa questão de contar aos pais ainda é delicada. Ninguém, por mais que conheça os pais, consegue prever a reação deles.
    Eu penso às vezes que minha mãe entrará em depressão e pensará até em suicídio, irá se culpar e tudo o mais, mas depois o amor pode fazer a diferença.
    E penso às vezes que ela não fará tanto estardalhaço.
    Só vendo pra saber.
    Mas ainda prefiro estar independente financeiramente pra isso.

    Abração!

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  5. acho q nesse caso o único problema é ele não trabalhar, mas isso pode ser resolvido, não é?

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  6. Vejo da seguinte forma o Leo , não consegue resolver o problema dentro da sua própria casa com seus pais ( revelar a sua sexualidade ) o que dirá dos problemas que surgirão no dia a dia e um relacionamento ...

    Acho que isso não tem a minima chance de dar certo !

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  7. Realmente e complicado falar, porque de fato e preciso estar preparado para nao ser bem aceito, isso falando em todos os sentidos, ate memso financeiramente, ja que mesmo que tenha alguem, ter seu salario pra se juntar a nova vida seria bem melhor.
    eu me assumi aos 14 anos, e foi um grande alivio, embora tivesse muito medo da reação da minha mae, porque sempre se portou com uma certa rigidez. ela de fato ficou triste, mas a minha vontade de querer ser Eu mesmo falava mais alto, e eu tava na epoca afim de correr o risco ate mesmo de ser mandado embora, o que graças a Deus nao ocorreu. eu sou suspeito em falar, sempre opto pelo conte, mas nao porque surgiu alguem, e sim por uma questao de indentidade.Mas que esteja preparado para o bom ou ruim que vem depois desse grande passo.Bjks!

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