Queridos amigos, precisarei de um tempo pra cuidar de um dos meus cachorros que está muito velho e vem apresentando um problema atrás do outro nas últimas duas semanas.
Acordei hoje com uma cena lastimável dele caído no chão. Os detalhes são sórdidos e, por isso, prefiro poupá-los.
Há dias venho tentando escrever no blog, mas não tenho conseguido me concentrar.
Peço desculpa aos leitores e aos amigos blogueiros que não tenho visitado nos últimos dias.
Na próxima semana estarei de volta.
Beijos e abraços a todos.
Obrigado.
Acordei hoje com uma cena lastimável dele caído no chão. Os detalhes são sórdidos e, por isso, prefiro poupá-los.
Há dias venho tentando escrever no blog, mas não tenho conseguido me concentrar.
Peço desculpa aos leitores e aos amigos blogueiros que não tenho visitado nos últimos dias.
Na próxima semana estarei de volta.
Beijos e abraços a todos.
Obrigado.
[para ler a primeira parte, clique aqui]
Lya estava linda!
Cabelos fartos e longos soltos, maquiagem leve, vestidinho justo porém discreto realçando as pernas bem torneadas. A depilação estava perfeita e o perfume suave. Estava, enfim, pronta para uma noite com alguém que a amava. Marcos estacionou na porta e buzinou.
- Lya, pega leve [eu disse].
Da porta ela me olhou, sorriu e deu uma piscadinha. E foi. Como conversamos muito, eu sabia que ela estava cheia de dúvidas e certamente confusa pelo que sentia, pelo que não sentia ou pelo que achava que devia sentir. Torci muito para que tudo desse certo e para que ela voltasse feliz. Custei a dormir mas estava tranquila, pois sabia que ela estava com um cara especial. Mas eu estava curiosa.
Mal amanheceu e Lya chegou. Estava bem e trazia consigo um buquê de rosas e pão quentinho para tomarmos café. Fomos para a cozinha e ela não falava nada. Percebi que se divertia com a minha curiosidade. Fui fazer o café e ela colocou as flores em um balde porque eu não tinha vaso disponível em casa.
-Você vai ou não me contar? Marcos estava calmo, seguro?
Ela riu.
- Olha, ele foi uma graça comigo. Super meigo, carinhoso e preocupado. Eu curti a parte do carinho.
- Como assim, a parte do carinho?
- Ele me acariciou muito, muito mesmo. Passou um tempão me curtindo. Estava bom.
- Tá, mas e o resto? A parte do tesão? E aí, é grande?
- É bem grande. Quando vi, minha vontade era sair correndo.
- Como assim Lya? O homem te adora, é super meigo, tem um pau enorme e você não gostou?
- Aquela coisa entrando em mim e o troço que sai no final. Eu não gosto daquilo não. Ele foi legal, mas, sabe, não senti nojo, quer dizer, até sair aquilo....Mas é tão esquisito! Fiquei enjoada.
- Ele percebeu que você não gostou?
- Percebeu, mas eu disse que o problema era comigo; que eu não me sentia bem com rapazes; que eu não sentia tesão. Passamos horas conversando.
Eu nunca tinha visto uma garota falar daquela forma. Era comum nos decepcionarmos, mas sempre queríamos tentar de novo, conhecer outros, ter vontade de dar certo com alguém. Percebi que o “alguém” da Lya dificilmente seria um homem. Ela queria muito amar e ser amada, mas não por um rapaz.
Nessa época eu fazia análise e o problema da Lya passou a ser meu e o levei para a terapia. Queria ajudar, mas não sabia como. Conversando com a minha terapeuta, ela me sugeriu sair com a Lya para lugares alternativos, onde ela pudesse conhecer outras meninas como ela.
Achei a ideia sensacional.
Na quarta eu volto e conto.
Beijos.
Cassia IG.
(papodemaeig@gmail.com)
[para ler a próxima, clique aqui]
Lya estava linda!
Cabelos fartos e longos soltos, maquiagem leve, vestidinho justo porém discreto realçando as pernas bem torneadas. A depilação estava perfeita e o perfume suave. Estava, enfim, pronta para uma noite com alguém que a amava. Marcos estacionou na porta e buzinou.
- Lya, pega leve [eu disse].
Da porta ela me olhou, sorriu e deu uma piscadinha. E foi. Como conversamos muito, eu sabia que ela estava cheia de dúvidas e certamente confusa pelo que sentia, pelo que não sentia ou pelo que achava que devia sentir. Torci muito para que tudo desse certo e para que ela voltasse feliz. Custei a dormir mas estava tranquila, pois sabia que ela estava com um cara especial. Mas eu estava curiosa.
Mal amanheceu e Lya chegou. Estava bem e trazia consigo um buquê de rosas e pão quentinho para tomarmos café. Fomos para a cozinha e ela não falava nada. Percebi que se divertia com a minha curiosidade. Fui fazer o café e ela colocou as flores em um balde porque eu não tinha vaso disponível em casa.
-Você vai ou não me contar? Marcos estava calmo, seguro?
Ela riu.
- Como assim, a parte do carinho?
- Ele me acariciou muito, muito mesmo. Passou um tempão me curtindo. Estava bom.
- Tá, mas e o resto? A parte do tesão? E aí, é grande?
- É bem grande. Quando vi, minha vontade era sair correndo.
- Como assim Lya? O homem te adora, é super meigo, tem um pau enorme e você não gostou?
- Aquela coisa entrando em mim e o troço que sai no final. Eu não gosto daquilo não. Ele foi legal, mas, sabe, não senti nojo, quer dizer, até sair aquilo....Mas é tão esquisito! Fiquei enjoada.
- Ele percebeu que você não gostou?
- Percebeu, mas eu disse que o problema era comigo; que eu não me sentia bem com rapazes; que eu não sentia tesão. Passamos horas conversando.
Eu nunca tinha visto uma garota falar daquela forma. Era comum nos decepcionarmos, mas sempre queríamos tentar de novo, conhecer outros, ter vontade de dar certo com alguém. Percebi que o “alguém” da Lya dificilmente seria um homem. Ela queria muito amar e ser amada, mas não por um rapaz.
Nessa época eu fazia análise e o problema da Lya passou a ser meu e o levei para a terapia. Queria ajudar, mas não sabia como. Conversando com a minha terapeuta, ela me sugeriu sair com a Lya para lugares alternativos, onde ela pudesse conhecer outras meninas como ela.
Achei a ideia sensacional.
Na quarta eu volto e conto.
Beijos.
Cassia IG.
(papodemaeig@gmail.com)
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Mesmo sendo a morte da cantora Amy Winehouse uma tragédia anunciada, eu me surpreendi. Nunca acreditei na sua recuperação, até aqui, mas não imaginei que o fundo do poço a engolisse tão cedo.
Todos a relacionaram ao clube dos 27, idade em que a tríade Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix faleceu pelo excesso de consumo de drogas. Mas eu não vejo como comparar Amy à essa tríade. Aqueles abraçaram as drogas dentro de um movimento social que propunha mudanças radicais na política, na economia e no social; que pregava o anticapitalismo, a paz, o amor, o abandono do individualismo e a adoção de uma vida comunitária e de uma filosofia transcendente ao material, mais intuitiva, mais sensível e voltada aos valores espirituais.
Naquele momento, as drogas representavam uma ferramenta de libertação e faziam parte do mergulho dentro desse novo mundo. Acreditava-se que elas abriam a mente e expandiam a consciência. O seu uso tinha essa finalidade.
As consequências vieram com o tempo, assim como as informações acerca das consequencias desse uso. A morte da tríade Jim, Janis e Jimi representou a inviabilidade da igualdade que a contracultura da geração da era de aquarius pregou. A tragédia pessoal desses ídolos comprovou que o conceito de liberdade pela expansão da mente baseada no uso das drogas foi um erro. A libertação se transformou em prisão e sentença de morte .
"O sonho acabou”, disse Jonh Lennon.
E parece que nada foi aprendido. Mesmo com os nossos "heróis morrendo de overdose", as drogas viraram uma instituição, com leis e procedimentos próprios. Entraram na lista dos bens que a sociedade de consumo cultua e, pior, respeita. Um traficante tem tanto status quanto um chefe de Estado. A droga se faz cada vez mais presente nas nossas vidas, mesmo quando somos obrigados a assistir "on line" a decadência de um artista que dela faz uso.
E como nada foi aprendido, tantos talentos se perderam.
Cazuza foi um deles, Amy também.
Em comum, além do talento, têm esses dois o fato de não terem qualquer comprometimento com movimentos sociais - ao contrário da tríade sensacional - e o total mergulho no vazio; na busca da satisfação ou do alívio; na inconsequência no descompromisso com qualquer coisa que não seja o seu "eu".
A questão das drogas precisa ser dividida em duas: o tráfico e o consumo. O consumo pode ser ou não um problema. Quando se transforma em um problema, ele é pessoal, de ordem médica, e o seu agravamento atinge o social - falo de escândalos, violência, maus exemplos. O tráfico é um problema sob todos os pontos de vista: é coletivo; de ordem legal. Não acho que o consumo deva se constituir em crime, mas o tráfico sim, e hediondo.
Eu fico me perguntando qual a leitura que a juventude de hoje faz disso e como os pais se sentem dentro dessa realidade, mesmo com todas as campanhas, informação e exemplos que encontramos para onde olhamos.
Como combater as drogas se nos deixamos influenciar por desejos impostos, criados para encher os bolsos dos poderosos, que nos mantém reféns, insatisfeitos e fragilizados?
Como combater as drogas se as pessoas absolvem os seus usuários? Fazendo isso defendem a continuidade desse sistema de educação que não prepara o indivíduo para a vida.
Também há aqueles que festejam a morte de pessoas como Amy porque acreditam que estão acima de todo o mal e que nas suas famílias jamais haverá um adicto, um deficiente, um homossexual. São os adictos da normose, viciados na normalidade vigente e despreparados para enfrentar qualquer coisa diferente do convencional que usam como escudo a condenação sem reflexão.
Todos nós fazemos parte dessa indústria ou das tragédias que as drogas causam. Estimulamos as diferenças e o preconceito porque não aprofundamos nas suas razões. Sequer sabemos o que é ou o que não é escolha.
E não vamos conseguir mudar nada enquanto os pais não forem capazes de criar seus filhos falando a verdade: viver é sentir dor e prazer, mas não há prazer sem dor.
Temos que lutar pelo que queremos, mas para ter o que queremos temos que seguir regras, mesmo que elas não nos agradem. A alegria é real, mas a tristeza também. Viver é padecer no paraíso e o paraíso é aqui. Padecer faz parte de todo e qualquer processo que envolve o ato de viver. As coisas boas e ruins estão em nosso entorno e podem nos alcançar. As drogas, as doenças, os desvios e as diferenças não acontecem apenas na casa ao lado. Não. Tudo pode acontecer conosco, com os nossos e com as próximas gerações.
Amy foi um talento ímpar. Sua presença era ímpar, assim como a sua voz e técnica. Mas não podemos absolvê-la por ter sucumbido às drogas. Amy não merece preconceito, mas a sua decisão de trazer as drogas para a sua vida tem que ter o seu pós-conceito divulgado. É preciso falar, encarar e mudar uma verdade, quando preciso. Essa é a única forma de deixarmos de ser uma sociedade de dominados.
[Cassia escreve para a coluna "Papo de Mãe", publicada às quartas-feiras]
[Cassia escreve para a coluna "Papo de Mãe", publicada às quartas-feiras]
Sinistro, mas é verdade!
O site americano "www.whenwillamywinehousedie.com" (quando será a morte de Amy Winehouse) há algum tempo oferecia um Ipod Touch para o Sr. ou Sra. Morte, ou seja, para a pessoa que acertasse o dia da morte da cantora. Para tanto, os usuários deveriam preencher os dados contidos no cadastro, dentre os quais a data apostada.
O texto já foi atualizado após a morte de Amy e avisa que o nome do(a) vencedor(a) será divulgado em breve.
Talvez seja mesmo somente um ganhador. Neste caso, claro, cada data não poderia ser repetida pelos novos apostadores.
Anteriormente, o que estava lá escrito era o seguinte:
O site americano "www.whenwillamywinehousedie.com" (quando será a morte de Amy Winehouse) há algum tempo oferecia um Ipod Touch para o Sr. ou Sra. Morte, ou seja, para a pessoa que acertasse o dia da morte da cantora. Para tanto, os usuários deveriam preencher os dados contidos no cadastro, dentre os quais a data apostada.
Talvez seja mesmo somente um ganhador. Neste caso, claro, cada data não poderia ser repetida pelos novos apostadores.
Anteriormente, o que estava lá escrito era o seguinte:
Todos nós um dia vamos encontrar com Deus, o nosso criador, mas Amy Winehouse simplesmente não consegue esperar. Ela pode escrever e cantar uma bela canção, mas por algum motivo está se autodestruindo(...). Amy está no seu caminho para outro lado e o mundo está lucrando com esse declínio. Pensamos que é justo você também lucrar com isso. Quem descobrir a data do último suspiro da cantora será coroado. O Sr. ou Sra. Morte será recompensado com um Ipod Touch.Acredito que o vencedor ganhará mais do que o Ipod: um pouco de fama.
Harry Potter acabou e deixou gente famosa e bilionária - neste caso, a escritora J. K. Rowling, claro.
Entre os do 1º grupo, ele, Rupert Grint (fotos).
Aquela cabecinha vermelha de nerd tímido quando criança se transformou.
Analise a foto abaixo. Passei 5 minutos observando e encontrei 7 erros...
Dicas: o maior deles é a soberba. Olhe para a parte de baixo da foto (piso) e encontrará outro: desleixo.
Ele cresceu mesmo, né?
[os demais "erros" ficam por conta da sua imaginação. O corte de cabelo? A roupa?]
[os demais "erros" ficam por conta da sua imaginação. O corte de cabelo? A roupa?]
O filho, de 18 anos, que mora com a mãe em São Bernardo do Campo, região do ABC paulista foi, junto com a namorada, visitar o pai, um agrônomo de 42 anos, que mora numa chácara vizinha a São João da Boa Vista, cidade do interior de São Paulo onde aconteceria uma festa agropecuária.
Já na festa, pai e filho se abraçavam enquanto aguardavam as respectivas namoradas voltarem do banheiro quando foram surpreendidos por um grupo que perguntou se eram gays.
- Claro que não. Ele é meu filho.
- Agora que liberou vocês têm que dar beijinhos...
Houve um pequeno tumulto e pareceu que tudo não havia passado de uma provocação desnecessária. Os encrenqueiros foram embora.
Uma mulher se aproximou, pegou o órgão do chão e o colocou num copo com gelo e foi todo mundo atrás de socorro hospitalar.
Do hospital local para o Hospital das Clínicas e dali para o cirurgião plástico, o médico declarou que o ferimento havia sido causado por um objeto cortante muito amolado, provavelmente uma faca.
Previsão de custo para a cirurgia: entre R$ 25 e 30 mil.
O povo está tão aloprado e acostumado com violência que não entende demonstrações de carinho em público.
E se fossem dois amigos héteros, dois primos, dois irmãos ou mãe e filha?
E se fossem mesmo dois gays?
Mereceriam ser agredidos e ter, cada um, uma das orelhas cortada só porque estariam trocando carícias comparadas às de um pai (que se preze) para o filho, como vimos nesse caso?
Manifestações de amor deveriam ser apreciadas, até exaltadas! Os homossexuais não mantêm apenas relações sexuais, mas também relações amorosas.
O fato de os gays quererem namorar livremente não pode ser motivo para alguns heterossexuais os odiarem. Afinal, estão manifestando e sendo o que são por natureza: gays.
Entenda de uma vez, seja você hétero, bi ou mesmo homossexual (pode parecer contraditório, mas há gays que consideram absurdo um casal gay se beijar em público): só porque não existe (ainda) lei vigente que permita o casamento entre gays, não significa que eles estejam proibidos de se abraçarem e de se beijarem publicamente.
O código penal brasileiro NÃO tipifica tais manifestações físicas como crimes. Ou seja, os mesmos beijos e abraços que ao casal hétero são permitidos em público se estendem ao casal gay.
Por incrível que pareça, há pessoas (até policiais) que pensam que se dois homens se abraçarem e se beijarem na boca numa fila de cinema - ou em qualquer outro estabelecimento aberto - cometerão crime de atentado ao pudor.
NÃO! Não estarão cometendo crime algum. Sequer será crime de ato obsceno (art. 233 do CP).
Não existe mais a tipificação do crime de "Atentado Violento ao Pudor". O AVP foi revogado em 2009 e, desde então, abrangido na parte da lei que cuida do estupro.
"Ato obsceno", pela lei, consiste na prática de obscenidade em lugar aberto ou exposto ao público. E isso vale para homo ou heterossexuais. Seria praticamente transar em público.
Portanto, não chamem a polícia e, principalmente, não transformem o amor, seja de quem for, em ódio, em agressão ou em fatalidade.
Pode parecer clichê afirmar isso, mas não tem problema: #ChEgA De ViOLênCiA !
Pode parecer clichê afirmar isso, mas não tem problema: #ChEgA De ViOLênCiA !
[para ler a postagem anterior, clique aqui]
Olá queridos!
Hoje vou começar a contar como foi a minha primeira experiência íntima com a homossexualidade. Quando eu acabar de contar, e não será hoje, vocês vão entender muita coisa sobre mim, meu marido e talvez até sobre a homossexualidade do meu filho.
Eu já tinha ouvido umas histórias sobre uma tia bissexual, que morava em outro estado. Mas a falta de contato nunca me fez pensar nisso. Também conheci um primo de segundo grau, que cresceu longe da família, mas que mesmo adolescente já se mostrava gay e assumido. No enterro do pai dele, eu era muito jovem, mas me lembro dos meus tios querendo levá-lo ao médico para “curar” o problema. Mas eu não me envolvia com essa parte da família; já tinha muitos amigos gays, não era envolvida com a causa mas já acreditava que cada um é o que é. Na verdade, eu nunca havia parado para pensar sobre isso. Para mim, o mundo era dividido entre pessoas que eu gostava e pessoas que eu não gostava. Os detalhes nunca importaram.
Eu devia ter uns vinte e tantos anos quando uma prima minha, Lya, dez anos mais nova e muito próxima a mim, tomou coragem e me confessou sentir uma “certa” atração por uma amiga.
Eu já morava sozinha e tinha uma espécie de status dentro da família por ter conseguido fazer a minha independência muito cedo. Ela estava sempre comigo e isso não preocupava a ninguém e nos aproximava ainda mais.
Única filha mulher de três, pai militar e uma avó que era essa tia que queria “curar” o sobrinho gay que citei acima, com o agravante de que isso foi há muitos anos, mais de vinte, a situação era séria.
Quando ela começou a me contar, vivia um conflito enorme e não precisei de experiência para entender o tamanho do problema. Quer dizer, eu entendi que havia um problema e que ele era grande, mas não tinha a menor idéia de como lidar.
Comecei pelo óbvio, lhe aconselhando a experimentar os rapazes. Ela retrucou dizendo que não gostava de nenhum. Eu insisti dizendo que não precisava gostar, só achar bonitinho, cheiroso, agradável. Enfim, eu achei importante ela experimentar para ver como se sentia.
Rolou e ela DETESTOU.
Aí eu expliquei que as primeiras vezes de uma mulher são complicadas, que os rapazes também são inexperientes e não sabem nos tocar. Que ela devia repetir.
- Com aquele cavalo não!
Ela foi enfática.
- Ok, esquece o cavalão.
- Escuta, você tem uns amigos bem gatinhos, super educados, bonitinhos. Escolhe um com quem você se sinta bem, que ache meigo, gostosinho (santa ignorância a minha!).
- Não acho nenhum gostosinho. Não tenho vontade de ficar com nenhum.
Então eu sugeri que ficasse com um em especial. Chamava-se Marcos, não era exatamente um gatinho, mas era louco por ela. Minha tese é que ele faria qualquer coisa para agradá-la.
Acontece que ela não gostava nem um pouco do tal do Marcos, o achava meloso demais. Como nós, mulheres, não damos muito valor a quem gosta da gente, insisti e a conveci a dar uma chance para o rapaz. Eu realmente acreditava que ela precisava ter experiências héteros para ter certeza de que a praia dela era outra.
Marcos ficou encantado com a repentina mudança da Lya. Mal acreditou quando ela tomou a iniciativa de beijá-lo. Segundo ela, ele suou, ficou nervoso, não sabia o que fazer e não rolou.
- Lya, ele ficou assim porque gosta de você. É o cara certo. Liga par ele, convida para um cinema. Ele é tímido, você mudou de repente, sem ele esperar. Deve ter ficado assustado. Investe. Ele te adora e vai fazer qualquer coisa para te agradar.
Ela ligou e marcaram de sair. Ela percebeu a insegurança dele.
No dia, eu a produzi e ela estava realmente linda. E aconselhei a ser mais meiga, a não atacar o rapaz.
O que aconteceu?
Na quarta eu conto.
Beijos.
Cassia IG.
(contato: papodemaeig@gmail.com)
(para ler a segunda parte, clique aqui)
Olá queridos!
Hoje vou começar a contar como foi a minha primeira experiência íntima com a homossexualidade. Quando eu acabar de contar, e não será hoje, vocês vão entender muita coisa sobre mim, meu marido e talvez até sobre a homossexualidade do meu filho.
Eu já tinha ouvido umas histórias sobre uma tia bissexual, que morava em outro estado. Mas a falta de contato nunca me fez pensar nisso. Também conheci um primo de segundo grau, que cresceu longe da família, mas que mesmo adolescente já se mostrava gay e assumido. No enterro do pai dele, eu era muito jovem, mas me lembro dos meus tios querendo levá-lo ao médico para “curar” o problema. Mas eu não me envolvia com essa parte da família; já tinha muitos amigos gays, não era envolvida com a causa mas já acreditava que cada um é o que é. Na verdade, eu nunca havia parado para pensar sobre isso. Para mim, o mundo era dividido entre pessoas que eu gostava e pessoas que eu não gostava. Os detalhes nunca importaram.
Eu devia ter uns vinte e tantos anos quando uma prima minha, Lya, dez anos mais nova e muito próxima a mim, tomou coragem e me confessou sentir uma “certa” atração por uma amiga.
Eu já morava sozinha e tinha uma espécie de status dentro da família por ter conseguido fazer a minha independência muito cedo. Ela estava sempre comigo e isso não preocupava a ninguém e nos aproximava ainda mais.
Única filha mulher de três, pai militar e uma avó que era essa tia que queria “curar” o sobrinho gay que citei acima, com o agravante de que isso foi há muitos anos, mais de vinte, a situação era séria.
Quando ela começou a me contar, vivia um conflito enorme e não precisei de experiência para entender o tamanho do problema. Quer dizer, eu entendi que havia um problema e que ele era grande, mas não tinha a menor idéia de como lidar.
Rolou e ela DETESTOU.
Aí eu expliquei que as primeiras vezes de uma mulher são complicadas, que os rapazes também são inexperientes e não sabem nos tocar. Que ela devia repetir.
- Com aquele cavalo não!
Ela foi enfática.
- Ok, esquece o cavalão.
- Escuta, você tem uns amigos bem gatinhos, super educados, bonitinhos. Escolhe um com quem você se sinta bem, que ache meigo, gostosinho (santa ignorância a minha!).
- Não acho nenhum gostosinho. Não tenho vontade de ficar com nenhum.
Então eu sugeri que ficasse com um em especial. Chamava-se Marcos, não era exatamente um gatinho, mas era louco por ela. Minha tese é que ele faria qualquer coisa para agradá-la.
Acontece que ela não gostava nem um pouco do tal do Marcos, o achava meloso demais. Como nós, mulheres, não damos muito valor a quem gosta da gente, insisti e a conveci a dar uma chance para o rapaz. Eu realmente acreditava que ela precisava ter experiências héteros para ter certeza de que a praia dela era outra.
Marcos ficou encantado com a repentina mudança da Lya. Mal acreditou quando ela tomou a iniciativa de beijá-lo. Segundo ela, ele suou, ficou nervoso, não sabia o que fazer e não rolou.
- Lya, ele ficou assim porque gosta de você. É o cara certo. Liga par ele, convida para um cinema. Ele é tímido, você mudou de repente, sem ele esperar. Deve ter ficado assustado. Investe. Ele te adora e vai fazer qualquer coisa para te agradar.
Ela ligou e marcaram de sair. Ela percebeu a insegurança dele.
No dia, eu a produzi e ela estava realmente linda. E aconselhei a ser mais meiga, a não atacar o rapaz.
O que aconteceu?
Na quarta eu conto.
Beijos.
Cassia IG.
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Era um jovem de 22 anos vindo de um Brasil subdesenvolvido de 1988 deslumbrado com as novidades e diferenças culturais de Montreal, Canadá.
Fui para aperfeiçoar o inglês num lugar onde se fala oficialmente duas línguas. Havia muita coisa nova para ver, sentir, aprender e a expectativa me enchia de ansiedade.
Após alguns dias, já devidamente instalado e fazendo alguns cursos, fomos, eu e uns colegas do curso de francês, curtir uma balada na rua Saint Catherine, a principal artéria comercial do centro de Montreal. Imensa!
Éramos oito: seis caras e duas mulheres. Todos estrangeiros. Na verdade, somente eu e uma garota punk (alemã) não éramos americanos naquele grupo.
Ninguém conhecia a cidade, muito menos tinha referências de lugares específicos. O objetivo era entrar no primeiro lugar movimentado que aparecesse pra beber, dançar e curtir. Enfim, ser feliz.
No primeiro que notamos um agito na porta, estranhamos porque a maioria esmagadora era mulher. Isso animou alguns caras, mas não as meninas. Nem a mim, claro.
- É o paraíso [disse um deles].
Fomos pro final da fila e o empolgadinho foi azarar duas garotas na nossa frente. Levou um fora. Elas respondiam tudo em francês e só falaram em inglês pra dizer que homens não eram bem vindos porque a boate era das lésbicas.
Saímos e, poucos metros adiante, encontramos o lugar que a gente idealizou: homens e mulheres bonitos por todo lado. E melhor, todos bem animados.
Definitivamente era a minha noite de sorte. Assim que entramos vimos dois caras se beijando e ficamos sabendo que a boate era GLS. Ninguém pareceu se importar. Nos disseram que era também frequentado por homens e mulheres héteros, além do que o som era muito legal, o local espaçoso, com bom astral e bonito. Havia mulheres e caras lindos desacompanhados ou com galera, mas o principal era que todos pareciam muito simpáticos.
A gente ficou de cara.
Linda Blair, de " O Exorcista". O filme! Lembra quando ela faz um giro de 360º com a cabeça? Era eu naquele lugar.
Sentamos numa mesa, conversamos e ríamos de tudo e de nada.
Me levantei para ir ao banheiro. Na volta, um cara dançando sozinho me fez parar na margem de uma das duas pistas de dança [a mais afastada da mesa onde estava o grupo].
Hipnotizei com a cena. Era linda demais. Com gestos discretos e másculos, um copo numa das mãos e outro braço erguido pro alto, o cara balançava aquela cabeça linda no ritmo do som. Parecia que se sentia o único ou que era muito autossuficiente.
De repente, começou a tocar Beds Are Burning, da banda australiana "Midnight Oil". O povo enlouqueceu. Muitos partiram pra pista de dança e pareceu que o dj aumentou ainda mais o volume.
Que som maneiro! Que lugar e que pessoas! Aquele cara, que agora estava a apenas um metro de distância de mim, cantava a música inteira do "Midnight Oil" com um sorriso e um olhar discretos na minha direção. Meu Deus, obrigado! Como estou feliz. Pensei arrepiado.
Quando chegou no refrão, ele, que naquele minuto estava de costas pra mim, deu um giro, apontou o dedo indicador com o braço esticado na minha direção e berrou:
How can we dance when our earth is turning?How can we sleep while our beds are burning?[2]. The time has come to say fairs fair, to pay the rent, now to pay our share...
[Todd, saudade! Onde estiver saiba que foi responsável por um dos momentos mais felizes da minha vida].
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| Foto: Saulo Cruz |

Taí um programa legal para os cariocas ou para quem vem ao Rio no próximo final de semana: prestigiar a segunda Parada Gay da maior comunidade do Brasil, a Rocinha. Acontecerá no domingo, dia 24 de julho, a partir das 10 h.
O tema é "Contra a Homofobia Defendendo a Cidadania. Uma Celebração da Liberdade de Ser, Estar e Amar".
Este ano a produção do evento colocou à venda um kit com três 'tickets' de cerveja, preservativos e um abadá. Para mais informações, acesse a página do site "Rocinha.org".
Assista ao vídeo com imagens da primeira parada, em 2010, postado no canal da comunidade do YouTube, aqui.
Acho que irei dar uma pinta por lá e aproveitarei pra tirar fotos ou filmar.
Acho que irei dar uma pinta por lá e aproveitarei pra tirar fotos ou filmar.
Quem tá afim? #Meliga.
Bjux.
Bjux.
[ouça abaixo a chamada oficial para o evento]
Você é daquelas pessoas que adoram dizer pra todo mundo que ingere litros e litros de água? Ou, ao contrário, fica se remoendo no final do dia porque não bebeu, no mínimo, aqueles tão recomendados dois litros diários?
Se se insere no primeiro grupo, não vai curtir a novidade. Já aos que se identificaram com a segunda pergunta, essa preocupação vocês podem eliminar do seu dia a dia.
Pelo menos é o que afirma o estudo publicado no conceituado "British Medical Journal", escrito pela Dra. Margareth McCartney, de Glasgow - Escócia.
A médica classifica a recomendação de 'nonsense" ou sem-noção - como a gente costuma falar na gíria. Segundo ela, não há qualquer evidência cientifica de benefício ao organismo na quantidade acima. Pelo contrário. O costume pode ser até prejudicial porque pode causar deficiência de sódio no sangue.

Confesso que, essa parte do sódio, não entendi muito bem. Ou melhor, se o que eu entendi procede, a água em demasia pode eliminar o sódio do organismo.
E isso não é bom?

Sim, pelo menos para as pessoas que consomem alimentos ricos em sódio: salgadinhos industrializados; ketchups; refrigerantes e etc.
Médicos, nutricionistas e profissionais do ramo nos aconselham tanto a moderar o consumo deles justamente por causa do excesso de sódio!
Logo, conclui-se que a água, neste caso, é um santo remédio, né não?
Pelo sim ou pelo não...
Ah, não exagerem no relaxamento. Devemos ficar atentos às necessidades do corpo e corrermos para a geladeira ou ao filtro toda vez que sentirmos sede. Cuidado com a desidratação!
Fonte: Folha.com
[para ler a postagem anterior, clique aqui]
Antes quero saber se estão todos bem? Estão? Ótimo! Titchya 'is doing fine, thanx'.
Repito: BONDADE NÃO DEVE SER CONFUNDIDA COM BURRICE! E acrescento: UM POUCO DE APEGO, NÃO ATIRA NINGUÉM NAS GELEIRAS PROFUNDAS DO INFERNO! Afinal, acredito que ninguém deve ser feito ou se fazer de trouxa!
Antes quero saber se estão todos bem? Estão? Ótimo! Titchya 'is doing fine, thanx'.
Vamos finalizar o nosso papo sobre a "Gay Helper", com uma pergunta: até que ponto a nossa própria felicidade é importante?
Como disse anteriormente, deve existir um equilíbrio pra tudo. Atentem a esse fato: um grupo de amigos, que todo final de semana sai junto para as baladas e para as ferveções dignas. Dois deles trabalham, um não. Um desses dois ganha bem e derrete o pouco que tem durante a semana ficando sem um centavo nos finais de semana, porém, esse cara é uma excelente companhia: divertido, espontâneo e louco do edí em 220 volts.
O outro, que ganha mal e economiza até o último centavo, gasta todas as suas economias para agradar o amigo e o amigo do amigo que, por sua vez, não trabalha.
Resumindo: a coitada da 'helper' se estrepa o mês inteiro, ganha pouco e, no final das contas, banca todo mundo! Além do que vocês podem pensar: Ah, mas as outras chupins devem viver atrás dela pra saírem de casa. NEGATIVO! É a 'helper' que procura essas duas “lazy bitches” toda vez que há uma ferveção! Chega beirar o cúmulo, mas é a mais pura verdade, pessoas assim existem. Volto novamente naquela questão do equílibrio: ser bom é bom. Ser burro é mau, muito mau. E não preciso frisar que quando se trata de gay tudo é ao cubo, não é?
Não faz mal a ninguém cuidar um pouco de si próprio e respeitar as suas vontades e desejos.
Por exemplo, no primeiro texto, falei da gay na balada que ajuda a BF pegar o bophinho que ela quiser, mesmo que seja o bophe dela (O_o). Lembram?
Fiz, durante muitos anos, essa linha. O motivo: se ele não me quer, pelo menos com a minha melhor amiga, estarei próxima dele!
"Gays helpers", lindas da titchya, vamos falar seriamente agora: deixar a sua felicidade de lado ou viver em função dos outros é estupidez. Primeiro porque ninguém está colado ao cordão umbilical da senhora. Segundo porque, como indivíduos únicos, devemos ter, sim, um certo individualismo (não estamos falando de individualidade), sabem, do tipo: MINHA PERUCA, MEU BOPHE, MINHAS COISAS, MEU AQUÉ, MINHAS PREFERÊNCIAS, MEU VIBRADOR EGÍPCIO 440 VOLTS...
Sejam felizes sempre!
Semana que vem titchya volta.
Beijos
Alda.
(Blog Abapha).
Está acontecendo há mais de uma semana na Califórnia, E.U.A., o julgamento do adolescente Brandon McInerney, 17. Ele é acusado de matar, aos 14 anos de idade, o seu colega de escola, gay assumido, Lawrence King, de 15.
As leis do direito penal americano são diferentes das do Brasil no que tange aos menores de idade. Lá, até crianças são julgadas como adultas se acusadas de crimes hediondos, como o que está sendo imputado a McInerney: homicídio premeditado motivado por ódio ou vingança. Neste caso, a promotoria pleiteia a pena mínima de 53 anos ou a prisão perpétua ao adolescente.
Lawrence, Larry ou Letícia, eram nomes relacionados à vítima. Os amigos o chamavam de Larry, porém, nos últimos dias de vida, quando começou a frequentar as aulas usando adereços femininos, maquiagem e sapatos de salto alto, Larry assinava documentos escolares como Letícia e chegou a pedir a um professor que o chamasse dessa forma.
Anos atrás, a grande maioria - pelo menos os que não podiam esconder os fortes traços de feminilidade e se comportavam como pessoas do sexo oposto, como Larry - evadia-se do ambiente escolar por não suportar o 'bullying'. Alguns eram até transferidos pelos pais para instituições dedicadas a alunos problemáticos porque se recusavam a voltar aos estudos.
Larry era conhecido por ser corajoso; um jovem que enfrentava as situações. No seu caso, o jogo se inverteu. Foram os professores e alguns alunos que começaram a se sentir incomodados.
Enquanto Larry era alvo de críticas e gozações pelos colegas de escola por ser afeminado, a situação era 'normal' para os professores. Porém, quando começou a se vestir de menina e a comparecer as aulas maquiado e de salto alto, tudo mudou.
No primeiro dia, um dos "mestres" pediu para ele se retirar da sala por causa da regra escolar que impedia o uso de adereços que causam distrações aos demais alunos. Larry obedeceu, mas procurou a direção da escola e lá mesmo, através de Joy Epstein, uma das diretoras da escola - lésbica assumida -, tomou conhecimento de que havia uma lei do Estado da Califórnia que impedia a discriminação de gênero.
No dia seguinte, King compareceu ainda mais maquiado e produzido e se defendeu quando o professor o repreendeu. Alegou que estava no seu direito e que não podia ser expulso da sala de aula porque, naquele caso, sim, haveria uma infração, mas do professor que estaria lhe restringindo a liberdade.
Um comunicado chegou a ser divulgado pela direção da escola aos professores, em 29 de janeiro de 2008 - 14 dias antes da morte de King -, nos seguintes termos:
Temos um estudante no campus que escolheu expressar sua sexualidade através do uso de maquiagem. É um direito seu fazê-lo. Algumas crianças estão descobrindo que é divertido, outros se incomodam com isso. Desde que não cause interrupções em sala de aula, ele está dentro de seus direitos. Pedimos que conversem com seus alunos sobre civilidade e não-julgamento. Eles não precisam gostar, mas precisam dar-lhe o seu espaço. Pedimos também que prestem atenção aos possíveis problemas. Se quiserem falar mais sobre isso, por favor procurem por mim ou por Joy Epstein. (fonte: Wikipédia)
A partir de então, ninguém mais conseguia inibir Larry. Ele sequer se incomodava com as zombarias. Numa delas, durante o intervalo entre aulas, ele cantarolou a música "Somewhere Over The Rainbow" e foi motivo de gargalhadas e provocações pelo grupo de colegas ao seu redor. Um deles pediu para o grupo parar, mas foi censurado por Larry: Deixa. Isso não me incomoda. Sei que todos se arrependerão quando eu me tornar famoso.
Em outra ocasião, no refeitório da escola, de salto alto e bandeja na mão, se dirigiu à cadeira vazia na mesa onde estavam os alunos mais populares e perguntou em voz alta, quase gritando: Se incomodam se eu me sentar aqui? A julgar pela sua esperteza, Larry quis mesmo chamar a atenção com o objetivo de obter testemunhas, caso algo desse errado.
Porém, como é previsível em situações assim, um dos alunos se sentiu mais incomodado.
Larry despertou o ódio de Brandon McInerney, de 14 anos, porque decidiu externar a atração física que nutria pelo jovem, sem imaginar - neste caso, não era previsível para ninguém - que se tratava de seu algoz.
Tudo começou quando os professores incentivaram os alunos a procurarem os seus pares pela escola para a grande festa que aconteceria no "Valentine's Day", o dia dos namorados nos E.U.A.. Cada um deveria se aproximar de seu interessado e perguntar: "Wanna be my valentine? (Quer ser meu namorado?).
De salto alto e maquiado, Larry invadiu a quadra de basquete durante um treino, se aproximou de McInerney e lhe fez a pergunta. Os colegas que presenciaram o ato teriam zombado do escolhido dizendo que o 'casal' teria muitos filhos gays.
Antes disso, pelo que a mídia revelou, Brandon McInerney já havia passado por outro constrangimento na frente de colegas quando, ao tentar provocar e constranger Larry no corredor da escola por causa de seu comportamento feminino, teve como resposta um "I love you, Brandon".
McInerney, durante uma aula de educação física, tentou convencer alguns colegas a darem um lição em Larry, mas não logrou êxito. Entretanto, o episódio da quadra de basquete lhe desencadeou muito ódio a ponto de, horas mais tarde, ao cruzar com um dos amigos de Larry, avisar: despeça-se hoje do seu amigo porque nunca mais o verá.
E assim aconteceu. No dia seguinte, durante a aula de informática, o professor pediu para os alunos se dirigirem para outra sala. Larry sentou-se no meio e McInerney logo atrás com um livro na mão. Simulando uma leitura, o estudante não parava de olhar para King. Minutos depois, se levantou, retirou o revólver calibre 22 de dentro da mochila, apontou para a nuca de King e deu o primeiro disparo. O professor perguntou aos gritos o que ele estava fazendo e, ato contínuo, Brandou atirou pela segunda vez na cabeça de King.
Assim que viu o corpo do colega deitado no chão, jogou a arma ao lado e saiu calmamente da sala e da escola, mas foi capturado na rua pela polícia, minutos após o crime. Os tiros foram ouvidos por todos os presentes na escola naquele dia: 12 de fevereiro de 2008.
Há muitas outras nuances relacionadas aos envolvidos no crime. Ambos, acusado e vítima, durante a infância, tiveram pais separados, envolvidos com drogas e foram alvos de litígios por causa da guarda. Larry chegou a ser diagnosticado com hiperatividade e de ter sido supostamente alvo de agressões pelo pai. Foi transferido para uma casa de menores.
A mãe de McInerney perdeu a guarda do filho após ter sido internada pelo uso de drogas e, antes dos 14 anos de idade, ele teria feito aulas de tiro, incentivado pelo pai.
[para ler a postagem anterior, clique aqui]
O pai continuava paralisado e olhava para ele de uma forma estranha, com cara de quem não estava entendendo nada.
Como eu já relatei para vocês, meu marido sempre achou tudo muito normal em nosso filho e considerava fantasiosas as minhas observações ou, como ele dizia, "coisas da minha cabeça". Ele sempre apoiou, defendeu e seguia o que a psicóloga aconselhava, mas sempre acreditou piamente que era tudo "coisa de criança". Aí chegou o Natal.
Uma noite, Ju e o pai conversavam sobre o presente de Natal e o Ju não sabia o que pedir. Normalmente ele só pedia livros ou eletrônicos.
- Pensa aí, cara [disse o pai].
Depois de muito pensar e papear, o Ju falou:
- Já sei o que eu quero, pai: uma prancha da Gama, linha profissional. Uma que tem tecnologia "infra-red"; que emite uns íons e eliminam a eletricidade estática do cabelo. Muito legal!
O pai olhava para ele com os olhos arregalados. Paralisado, parecia não acreditar no que ouvia. De repente, uma reação:
- Você quer o quê? De onde?
- Uma prancha pai. Essa da Gama tem tecnologia de íons e esses íons negativos neutralizam os íons positivos gerados no atrito da prancha com o cabelo. É isso que faz eliminar a eletricidade estática. Pai, o cabelo fica muito lindo!
Eu assistia calada, de certa forma, apreensiva. Não tinha como imaginar a reação do meu marido àquele pedido. Depois de alguns minutos (olha, foram minutos mesmo), Ju continuava empolgado falando das propriedades da prancha e o pai paradão, com olhos arregalados.
De repente, ele vira para o Ju e fala:
- Filho, dá para a gente comprar "isso" junto?
Marcaram e foram comprar a prancha. Eu juro que daria tudo para estar presente e ver a cara dos dois fazendo essa compra.
Só sei que tudo foi bem natural, muito embora o pai continuasse a não emitir uma só palavra sobre o assunto. Mas, desde então, o pai se tornou companheiro do Ju em suas compras de cosméticos e perfumes.
Muita coisa já aconteceu depois disso e eu contarei aqui em uma dessas quartas-feiras.
Beijo amores. Até quarta.
Mesmo após a decisão do STF que reconheceu, em maio deste ano, por unanimidade, a união estável entre pessoas do mesmo sexo - a qual, a partir de então, passou a ter os mesmos direitos previstos no Código Civil aos casais de sexos opostos -, o deputado André Zacharow (PMDB-PR (foto)) apresentou Projeto de Decreto Legislativo (de nº 232/11) que propõe um plebiscito nacional para os eleitores responderem à seguinte pergunta:
"Você é a favor ou contra a união civil de pessoas do mesmo sexo?"
O plebiscito, segundo o projeto, seria incluído nas próximas eleições (em 2012 ou em 2014) e tem como fundamento, veja só, a pacificação dos ânimos da população, a qual, segundo o nobre deputado, vem despertando aguerridos posicionamentos diametralmente opostos e até enfrentamentos físicos por envolver mudanças de costumes milenares.
Não custa lembrar que ele e os demais deputados e senadores estão lá, no Congresso, porque foram eleitos pelo povo para representá-lo. Portanto, o povo sabe que eles decidem pelo povo.
Deixem o plebiscito às questões que envolvem interesses pessoais dos parlamentares. Quais? Os salários, por exemplo.
Nada mais justo que nós, o povo, decidíssemos se seria possível - e condizente com a nossa realidade - o aumento de quase R$ 19 mil do salario dos deputados federais e senadores em doze anos (o do salário mínimo não alcançou nem 4% desse valor).
De 1999 até 2011, o salário de deputados e senadores passou de R$ 8.400,00 para quase R$ 27 mil. Hãã?
Sem falar que a câmara recentemente aprovou (em 01/06/2011) a proposta de emenda constitucional (do deputado Nelson Marquezell - PTB/SP) que estabelece salários idênticos para o presidente e vice-presidente da república, ministros, senadores e deputados aos dos ministros do STF (que são o teto do funcionalismo público).
Atualmente, todos esses aí citados já ganham praticamente a mesma coisa, mas o deputado Marquezell está pensando no futuro. Há um projeto tramitando no Congresso que pleiteia reajuste dos subsídios dos ministros do STF, assim, em breve, eles terão aumento e, via de consequência, os deputados e senadores também. Automaticamente.
Finalmente o sol esquentou a cidade. Céu azul lindo como há muito tempo não via. A temperatura variou entre 26º e 28º. O dia foi na praia e esse foi o momento em que estávamos indo embora, por volta das 15:30h.
Delícia de dia.
Para quem está carente de filmes gays, o 29º Outfest, que acontece em Los Angeles desde o dia 7 de julho e vai até o dia 17, trouxe nada menos do que 163. São 67 longas e 97 curtas.
É claro que, para a maioria dos cinéfilos de outros países, não dá pra pegar o primeiro avião para L.A. e lá permanecer por, pelo menos, dez dias e curtir a temporada. Por outro lado, assistir aos filmes, ao menos os mais assistidos, comentados e criticados, é uma questão de [pouco] tempo. Logo, logo estarão disponíveis e legendados na internet para o nosso deleite. Lobinho, prepare-se.
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| "Leave It On The Floor", de Sheldon Larry (um dos que prometem) - Clique na imagem para ver o trailer. |

Merece destaque também o longa August, dirigido por Eldar Rapaport. O diretor promete um filme diferente que aborda emoções de pessoas que, por acaso, são gays. Mas, ao que parece, ele não deixou de lado o belo e o romântico. O cenário é formado por belas praias e muito calor.
A relação sólida de um casal gay masculino é ameaçada quando o ex de um deles surge com proposta de negócios. Clique na imagem à direita para assistir ao trailer.
Veja no vídeo abaixo as imagens da chegada das celebridades na noite de gala do Outfest/2011. Para obter mais informações e imagens, visitem o site do festival, aqui.
Foi um rompante. Veio do nada. O garoto bonito se aproximou de seu amigo, ambos combinaram algo e, de repente, estava eu numa emboscada na festa de uma amiga no condomínio onde morávamos.
Na manhã daquele mesmo dia, eu o vira pela primeira vez quando passou por nós na praia e Simone o chamou:
- Vinícius!
Conversaram, ela me apresentou e o convidou para a sua festa. Meu queixo caiu. Creio ter sido a primeira vez que alguém exercera tamanho encanto em mim. Não sei se pensara algo concreto, tipo: que gatinho... Acho que não. Naquela época, não aceitava qualquer resquício de homossexualidade. Meu esforço era provar ser macho e os caras não podiam imaginar.
Santa ingenuidade de adolescente que acha que consegue enganar todo mundo. Eu não acreditava que era gay, então, não era e pronto.
Não me dava conta que euzinho não estava no campo da minha visão. O meu mundo era de dentro pra fora e lá fora, entre as dezenas, centenas e até milhares de pares de câmeras naturais (olhos), eu não podia filmar a mim mesmo e dizer: Junnior, fecha a boca; Junnior, que bandeira é essa?
Ele percebeu. Além de bonito, gostoso e surfista, era ligado.
O amigo (cúmplice da emboscada) se aproximou. Sentou-se na mesma cadeira onde eu estava sentado no braço:
- Ei, dá pra você sair daí?
- Qual é, cara? Eu tava aqui primeiro. Você chegou agora aí....
Vinícius se aproximou:
- Cadeira é pra sentar que nem homem. Se quer encostar, vai procurar outra coisa.
[morri naquele momento. Cor: amarelo pálido / Olhos: arregalados / Estado do cadáver: em decomposição]
Me empurrando, provocando e se preparando pra brigar, Vinícius perguntou:
- Que foi? Perdeu a língua?
- Não. É que eu tava ali.....
- Cara, tu é gay?
As pessoas se aproximaram e separou a gente, ou melhor, ele de mim.
Apesar do clima tenso, meus olhos me traíram novamente. Enquanto ele me fitava com ar de reprovação, até de ódio, as minhas câmeras naturais davam um 'close' naquele rosto lindo de menino-homem. Até do seu cheiro eu lembro hoje.
Sim, Vinícius, eu sou gay.
Dica de filme: Love Of Siam. Um filme lindo, cuja mensagem é abordar as formas de amar. Dois garotos nutrem uma forte amizade que é interrompida por um drama familiar. Anos mais trade, os dois se reencontram e se permitem viver um grande amor. Para baixá-lo, clique aqui.
Dica de filme: Love Of Siam. Um filme lindo, cuja mensagem é abordar as formas de amar. Dois garotos nutrem uma forte amizade que é interrompida por um drama familiar. Anos mais trade, os dois se reencontram e se permitem viver um grande amor. Para baixá-lo, clique aqui.
Ícones do cinema morreram muito cedo, no apogeu da fama e do sucesso. São até hoje imitados e até idolatrados pelos mais jovens que os consideram símbolos de beleza, de juvenilidade, de determinação e de rebeldia.
Somente com essas palavras já podemos pensar em personalidades como James Jean, a melhor personificação da rebeldia e angústias próprias da juventude da década de 1950; Marilyn Monroe, símbolo de sensualidade e apontada como ícone de popularidade do século XX; ou Bruce Lee, responsável pela popularização dos filmes de artes marciais no mundo e considerado o artista marcial mais importante do século XX.
Na contramão, há também os que foram eternizados não pela juventude ou pela arte, mas pelo horror que causaram à humanidade. É o caso de Adolf Hitler que suicidou-se aos 56 anos, após ter escapado quase ileso de, nada menos, 42 graves atentados contra sua vida. Devido a isso, ele acreditava que a Divina Providência intervinha a seu favor.
Mas, enfim, como seriam eles se a vida terrena lhes tivesse prolongado a existência?
Quem possibilitou essa proeza foi o fotógrafo polonês, Phd em física quântica, Andrzej Dragan.
Em seu sinistro e belo site, há muitos trabalhos interessantes, porém, para fazer jus ao que foi aqui abordado, trago imagens de três das figuras públicas acima mencionadas. Confiram e digam se não é um trabalho primoroso.
Em seu sinistro e belo site, há muitos trabalhos interessantes, porém, para fazer jus ao que foi aqui abordado, trago imagens de três das figuras públicas acima mencionadas. Confiram e digam se não é um trabalho primoroso.
Mais abaixo, o vídeo com a música (e tradução) “Forever Young” (Alphaville), a qual serviu de inspiração para o título desta postagem.
Lembra daquele projeto "#EuSouGay" da jornalista Carol Almeida? Até o dia 1º de maio ela e a sua equipe receberam várias fotos de pessoas com um cartaz escrito à mão: "eu sou gay" e selecionaram algumas para o vídeo. O IdG fez uma postagem na ocasião (aqui).
Advinha quem também saiu no vídeo? O nosso Bratz, O Paulo Braccini, do "Enfim! É o que tem pra hoje..." (foto).
O vídeo está muito, mas muito legal. Confira clicando na imagem maior, acima.
[clique aqui para ler a postagem anterior dessa coluna]
Quantas coisas conversamos com amigos mas não conversamos com os nossos pais?
Estive hoje na Confeitaria Colombo, no centro do Rio, e pensei no meu pai e nesta coluna, no que comecei a contar, nos comentários de vocês e decidi voltar ao assunto.
Me lembro de várias tardes passadas nesse lugar mágico com ele, lugar que fazia brilhar os meus olhos de menina, encantada com a beleza e a elegância que eu não via em nenhum outro lugar. Foi ali, com 11 anos de idade, lanchando com o meu pai, que parei os meus olhos em um casal que se beijava na boca. Meu pai notou e comentou sobre aquela cena. Ele disse que eu ia crescer, namorar, beijar e comentou que era muito gostoso.
Foi a primeira vez que conversamos sobre o amor e sobre gostar de alguém. Foi naquela tarde que ele revelou que teve um filho na juventude, fruto de uma relação não séria, mas que seu filho faleceu com um ano de idade. Ele explicou o que era uma relação não séria ao falar, superficialmente, das suas aventuras na juventude.
Aquela tarde marcou porque, a partir dela, passamos a conversar sobre sexo. Na verdade, conversávamos sobre tudo e nunca me dera conta de que somente um assunto nunca fez parte dos nossos papos: a homossexualidade.
Lembro que uma vez estranhei e comentei sobre uma menina na praça porque se parecia muito com um menino. Ele respondeu que algumas meninas nasciam assim e que eu ainda veria alguns meninos que parecem meninas. Não emitiu opinião, não prolongou a conversa e nunca mais falamos sobre isso.
Hoje, pensando em como ele era, em como gostava de ler e de saber sobre tudo, tenho certeza de que o seu pensamento era liberal sobre a homossexualidade. Creio que ele achava normal; que a pessoa nasce assim. Mas, por alguma razão, nunca conversou comigo sobre isso. A razão é óbvia: tabu.
Acho que, pela mesma razão, nunca conversei com ele e ainda me preocupei em poupá-lo em relação ao neto.
Ele conversava com a Maria, porém ela nunca teve coragem de me contar. Tabu é assim: um constituinte do consciente coletivo e está presente dentro de cada um de nós. Não falar sobre algo diz tanto quanto conversar horas sobre o assunto. Tabu é o que determina; o que é sagrado; profano numa sociedade.
Quando comecei a conversar sobre sexo com o Ju, ele dizia que não se sentia bem falando sobre isso. Eu não era específica, mas sempre insisti porque o pai não fala sobre o assunto. Ele simplesmente aceita, ama e o protege.
Hoje, sei que ele ainda não se sente completamente à vontade, mas noto que se aproxima cada vez mais e comenta sobre sexo. E como ele tem sido específico, conseguimos conversar abertamente sobre alguns assuntos do mundo gay e percebo a sua necessidade de se abrir.
Simplesmente deixo acontecer e fico feliz. Conto para ele sobre o avô; sobre o fato de ele ter falecido preocupado conosco: comigo e com ele. Sei que ele gostaria de nos ajudar e que se tranqüilizaria se me ouvisse dizer que estava tudo bem.
Eu gostaria muito de ter tido essa conversa com meu pai e não vou perder a oportunidade de conversar com o meu filho sobre qualquer assunto que nos diga respeito. Essa lição eu aprendi.
Na próxima quarta eu volto queridos. Beijos.
Cássia IG
(contato: papodemaeig@gmail.com)
[para ler a próxima postagem dessa coluna, clique aqui]
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O blog de humor "Jacaré Banguela", criado em 2004 por Rodrigo Fernandes (foto) e mais três amigo, é um dos mais acessados do País: algo em torno de 130 mil novos visitantes diários e mais de 70 milhões de páginas acessadas anualmente.
Rodrigo é hoje o único dono e, com certeza, está feliz com o sucesso alcançado, pois vive exclusivamente do (e para o) blog.
Há várias declarações na entrevista à TVT, mas uma é lição de perseverança aos blogueiros. Perguntado sobre o que achava de um blog com três mil acessos diários, ele, com muita sinceridade e pé no chão, revelou que o Jacaré Banguela demorou três anos para ter mil visitas por dia. E arrematou com a seguinte dica: é só você atualizar todo dia, criar algo original no blog e não desistir dele.
A entrevista durou 15 minutos, mas nem senti o tempo passar. Fiquei com gosto de quero mais.
"Preconceito de homofóbico o faz chafurdar no ódio".
PELA 1ª VEZ, MINISTRO CONHECIDO POR CITAÇÕES POÉTICAS E VOTOS PROGRESSISTAS NO STF DEFENDE PUBLICAMENTE A CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA
FELIPE SELIGMAN
JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA
Entrevista à Folha.
Conhecido por citações poéticas e votos progressistas, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto, 68, defende, pela primeira vez publicamente, a criminalização da homofobia, ao entender que quem a pratica "chafurda no lamaçal do ódio".
Protestos de congressistas da bancada evangélica acabaram paralisando a tramitação do projeto de lei anti-homofobia, que está estacionado há dois meses no Senado.
Para o ministro, não são necessárias novas leis para garantir aos casais gays os mesmos direitos dos heterossexuais já que a Constituição é "autoaplicável".
Em entrevista concedida à Folha na beira do lago Paranoá, em Brasília, Ayres Britto disse que vê o debate sobre as drogas como uma questão de "saúde pública".
Afirmou ainda que "se nós, os homens, engravidássemos, a autorização para a interrupção da gravidez de feto anencéfalo estaria normatizada desde sempre".
[observação: algumas citações do ministro são uma aula de direito homoafetivo. Foram elas grifadas por este blogueiro]
FOLHA - O STF tem sido acusado de usurpar a competência do Legislativo. O sr. concorda com essa afirmação?
CARLOS AYRES BRITTO - Não concordo. Veementemente respondo que o Supremo não tem usurpado função legislativa, principalmente do Congresso. O que o STF tem feito é interpretar a Constituição à luz da sua densa principiologia. O parágrafo 2º do artigo 5º autoriza o Judiciário a resolver controvérsias a partir de direitos e garantias implícitos.
E por que essa crítica ao STF?
As pessoas não percebem que os princípios também são normas e com potencialidade de, por si mesmos, resolver casos concretos quando os princípios constitucionais têm os seus elementos conceituais lançados pela própria Constituição. islativo, O Judiciário está autorizado a dispensar a mediação do Legislativo porque, na matéria, a Constituição se faz autoaplicável.
No caso das uniões estáveis homoafetivas isso aconteceu?
Aconteceu, fizemos o saque de princípios constitucionais, tanto expressos quanto implícitos. Como fizemos quando proibimos o nepotismo no Judiciário e nos demais poderes. Porque o nepotismo é contrário a princípios constitucionais, até explícitos, como o princípio da moralidade. E cumprimos bem com o nosso dever: tiramos a Constituição do papel. Também no caso da homoafetividade, interpretamos os artigos da Constituição na matéria à luz de princípios como igualdade, liberdade, combate ao preconceito e pluralismo.
Qualquer nova lei virá confirmar o que foi decidido, mas nunca para criar regra diferente do que foi debatido?
Exatamente. A isonomia entre uniões estáveis heteroafetivas e homoafetivas é para todos os fins e efeitos. Em linha de princípio, é isso. Assim foi pedido pela Procuradoria-Geral da República quando propôs a ação. Não pode haver legislação infraconstitucional, parece evidente, que amesquinhe ou nulifique essa isonomia.
O que exatamente o STF decidiu sobre homoafetividade?
Pela possibilidade da união estável entre pessoas do mesmo sexo. Possibilidade jurídica, lógico. Em igualdade de condições com as uniões estáveis dos casais heterossexuais. União estável com a força de constituir uma entidade familiar.
Qual a diferença entre a decisão que negou a união estável em Goiânia e a que permitiu o casamento civil em Jacareí?
Como desfrutam de independência técnica, além da política, os magistrados são livres para equacionar juridicamente as controvérsias, desde que fundamentem tecnicamente suas decisões. Natural, portanto, que dois juízes projetem sobre a mesma causa um olhar interpretativo descoincidente, cabendo às partes insatisfeitas os devidos recursos ou, quem sabe, reclamações para o próprio Supremo.
Sem entrar no mérito de decisões específicas, qualquer decisão que diferencie a relação entre o homossexual e o heterossexual vai contra o STF?
Sim. A decisão foi claramente no sentido da igualdade de situações entre os parceiros do mesmo sexo e casais de sexos diferentes.
O Congresso precisa fazer alguma lei complementar?
Entendo que a Constituição é autoaplicável na matéria. Entretanto, há aspectos de minúcias que ficam à disposição da lei comum.
A questão deve voltar ao STF?
A Constituição atual, caracterizando-se como redentora dos direitos e garantias, e não como redutora, estimulou muito a judicialização das controvérsias, inclusive as de natureza política. Daí a expectativa de que a matéria tem potencialidade para retornar ao tribunal.
O sr. é a favor de criminalizar a homofobia?
Tenho [para mim] que sim. O homofóbico exacerba tanto o seu preconceito que o faz chafurdar no lamaçal do ódio. E o fato é que os crimes de ódio estão a meio palmo dos crimes de sangue.
Recentemente o STF decidiu sobre o direito de organização para a defesa da legalização da maconha. Será assim para todas as marchas?
A decisão se circunscreveu à chamada Marcha da Maconha, mas os respectivos fundamentos se prestam para a discussão a céu aberto de toda e qualquer política de criminalização das demais substâncias entorpecentes.
O sr. tem opinião sobre o tema?
Minha inclinação pessoal é para ver o tema como uma focada questão de saúde pública. Me inquieta o fato de que temos tantas leis de endurecimento da resposta punitiva do Estado e, no entanto, a produção, o tráfico e o uso de tais substâncias não param de crescer.
Outro tema polêmico é o do aborto em caso de feto anencéfalo. O sr. já expôs opinião favorável à prática, certo?
No voto que proferi na discussão sobre o cabimento da ADPF [ação que trata do tema] manifestei opinião de que se nós, homens, engravidássemos, a autorização para a interrupção da gravidez de feto anencéfalo estaria normatizada desde sempre.

































