Banheiros Masculino e Feminino. Qual o Seu?

Ele acorda e vai dormir travestido de mulher, desde roupas e sapatos até acessórios. O cabelo longo é natural. Foi a primeira providência.
Laerte Coutinho não se define uma travesti ou uma transexual, mas um 'crossdressing' que curte e namora mulher.
Na noite da última terça-feira, 24.01.2012, o famoso cartunista foi impedido de usar o banheiro feminino de uma pizzaria paulistana. Uma das clientes o reconheceu e reclamou ao gerente. Este se aproximou do crossdressing e pediu para que usasse o banheiro masculino da próxima vez.
Ato contínuo, Laerte foi ao Twitter e narrou o episódio aos seguidores. Conseguiu, quase em tempo real, causar no mundo real e no virtual. Enquanto batia boca na pizzaria, seus seguidores se engalfinhavam na rede social.
O cartunista se apresenta à sociedade dessa maneira há três anos. Ele costuma brincar com o fato ao dizer que é uma pessoa com 'dupla cidadania', mas fala sério quando afirma que, como tal, possui direitos - após o incidente da pizzaria, a coordenadora de políticas para a diversidade estadual de SP, Heloísa Alves, o procurou para informar que ele poderá reivindicá-los, de acordo com o teor da lei estadual 10.948/2001.
Pergunta que não quer calar: o que diferencia Laerte de uma travesti ou uma transexual? Ou o que falta para ele assumir?
Se ele não se considera uma transexual nem travesti, então aquela senhora da pizzaria teve razão ao reclamar. Já pensou se os homens heterossexuais que se vestem de mulher durante o carnaval resolvessem usar o banheiro feminino? Ah, eles estão 'crossdressings' naquele momento. Ou não estão?
A sua justificativa para se apresentar à sociedade travestido de mulher é que 'tudo é uma questão de contexto' e que não quer seguir regras sem abrir mão de seus direitos.
Pergunta novamente: há como viver em sociedade sem regras? E, cá entre nós, os direitos aos quais ele quer reivindicar para usar banheiros femininos não seriam gerados por leis, regulamentos, etc, e, portanto, não seriam regras que ele não deseja seguir?
Não complica, Laerte. Dessa forma, quantos banheiros públicos mais precisaríamos criar para atender tanta demanda? Bom, imaginemos: (1) masculino, (2), feminino (3), transexuais e travestis (4) crossdressings (para incluir também os homens fantasiados durante o carnaval). Pelo menos, quatro. 
Não seria mais fácil assumir a transexualidade e passar a se chamar Laertina Coutinho? Famoso como é, bastaria anunciar em algum programa de tevê e ninguém mais incomodaria. 

12 comentários:

  1. O Laerte está sendo ridículo. Aliás, eue estou achando esse negócio de crossdressing ridículo desde o início. Acho uma forma velada de preconceito que inibe o transexualismo. Laerte é um senhor, um grande cartunitsa, mas dessa vez perdeu o bom senso.

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  2. É na verdade eu também acho que faltou a ele postura para se assumir, porque o crossdressing tem seus momentos de se vestir, mas ele vive dessa forma, entao acho que o termo ja nao cabe mais a ele. De fato se formos reinvidicar banheiros para cada forma de expressão, pra nao dizer rotulos criados a cada geraçao, vao ter que criar um andar so de banheiros.

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  3. vc está sendo preconceituoso, eu concordo que se Laerte é homem, e é isso que define o crossdressing que ele é um HOMEM QUE SE VESTE DE MULHER ele deveria usar o banheiro masculino, pois as roupas q ele usa não definem sua sexualidade, o caso do travesti ou transexual não é uma simples roupa, é uma identidade de gênero, que com o Laerte continua sendo de homem. acho q o Laerte erra em qrer usar o banheiro feminino, principalmente pq ele enfraquece o movimento pela visibilidade trans fazendo com q pessoas esclarecidas como vc construam discursos tão retrógrados.

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  4. Foxx, por favor, aponte aonde está o meu preconceito.
    Antes, porém, aqui vai um esclarecimento. Não que eu ache necessário, mas estou supondo que não tenha lido todo o texto -talvez somente a primeira e a última linhas?
    O fato de o Laerte Coutinho se autodenominar 'crossdresing' ou 'crossdresser' não é suficiente para eu acreditar nele. Eu costumo analisar mais o comportamento do que palavras.
    Na minha opinião, ele é uma transexual que não assumiu por causa dos filhos, da família, fãs e contratante$.
    Ele se diz uma 'cd' porque, para todos os efeitos, passa a imagem moderna, de um homem 'cool' que rompeu barreiras e transgrediu regras.
    Se se declarasse uma transexual logo que surgiu travestido há 3 anos, ele poderia perder ainda mais trabalhos, contratos e fãs do que perdeu (vi uma entrevista na qual ele disse que perdeu alguns).
    Os fãs e alguns contratantes encararam a sua transformação mais ou menos como eu descrevi acima, ou seja, meio como coisa de artista.
    Só que, como vc comentou, isso prejudica a imagem das travestis e das transexuais cuja maioria nem emprego tem. E, claro, confunde a sociedade nas questões sociais, como foi o exemplo do banheiro.
    Enfim, continuo aqui tentando imaginar aonde está o meu preconceito e aonde eu fui retrógrado.

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  5. Um complemento: até este episódio, eu achava o Laerte um HOMEM diferente. Escrevi aqui no IdG duas postagens sobre ele, elogiando a sua postura. Creio que vc até comentou.
    Pensei que ele realmente estaria rompendo barreiras com a sua atitude.
    No entanto, ao tomar conhecimento de que ele acha válido recorrer às leis para usar um banheiro feminino, me poupe, né?
    Se realmente pretende levar isso às últimas consequências, logo, não é é uma questão difusa, de quebrar paradigmas, mas, uma questão pessoal, de transexualidade mesmo.

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  6. Gente! É só um banheiro! As mulheres não ficam peladas no banheiro (só na cabine privativa).

    O povo EXIGE que o cara tenha coerência, que ele esteja preparado pra lidar com a própria sexualidade/identidade de gênero... Nem todo mundo resolve essas questões numa boa.

    Se o cara se sente identificado a utilizar o banheiro feminino, qual o problema? Ele não seria uma ameaça de estupro então...

    Se a gente pensar, a senhora que o denunciou não o fez porque ele estrava cometendo algo que fosse abusivo da parte dele (ficar espiando as mulheres no banheiro, por exemplo). Ela o denunciou por puro preconceito porque o reconheceu e isso bastou.

    Sei lá. Não consigo ver o que ele fez de tão errado...

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  7. Bons dias.

    Um ligeiro pitaco pela manhã (ainda sonado): eu não vi preconceito no seu texto. Muito pelo contrário... Falando do meu jeito “bocó” e mineiro de ser: acho que o Laerte tava querendo aparecer! E da pior forma possível, brincando com um assunto sério. Eu vi em uma entrevista, da sua própria boca, que ele se diz sexualmente atraído por mulher. Pra mim a questão dele se vestir como uma (tenha a porra de nome que queiram dar) é pura vontade de querer chamar a atenção.

    Do meu jeito tosco, eu só creio no que as pessoas sentem de fato. Se tem a tal da mulher “encarcerada” dentro do corpo, tudo bem... mas, ficar fazendo viadagem pra aparecer na midia... tem dó. Tenho vontade de mandar tomar no cool... é isso!

    Beijão, Junnior.

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  8. Infelizmente concordo com Cesinha!
    Isso tudo parece coisa de pessoa que quer um spotlight na cara!
    Acredito que o Laerte deva sofrer com problemas bem mais sérios do que a sua sexualidade.....talvez um narcisismo do tamanho de um bonde habita dentro do homem, mulher, papagaio, periquito, cobra ou sei lá o que é esse grande cartunista!
    Bjs

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  9. Ps- Seu texto de maneira nenhuma é preconceituoso!
    É um texto de uma pessoa naturalmente irritada com os excessos da chamada "liberdade de expressão da diversidade"!

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  10. acho que o caso do Laerte é bem emblemático do que acontece em geral no chamado "movimento gay", em que se perde um pouco a noção do que se deve reivindicar. Ele não tem o direito de usar o banheiro feminino, é claro. Ele mesmo diz que é bissexual e só se veste para contestar os limites sociais do gênero. Se é uma causa política pessoal dele, tem de saber que a sociedade tem direito de se opor a ela.

    No caso dos travestis ou dos transexuais, acho que é diferente. Até a postura é diferente, eles não vão ao banheiro feminino para experimento sociológico, vão para usar o banheiro e pronto. E a gente vê que as mulheres entendem isso e não costuma dar problema algum.

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  11. Como já disse em outros locais: identidade sexual é uma coisa e os genitais dentro da cueca são outra. O Laerte tem todo o direito de usar o banheiro feminino quando encarna o seu perfil feminino e o banheiro masculino quando encarna o seu perfil masculino. Independentemente dos genitais que porta no topo das pernas.
    Mas como já cansei de argumentar peço que escutem a Professora Maria Berenica Dias que diz exactamente tudo aquilo que eu penso sobre o assunto.
    http://www.youtube.com/watch?v=9B05snna7Qo&list=FLHsWT953iSVxj_B-JUq2Wmg&index=3&feature=plpp_video (é uma entrevista dada por ela sobre o assunto à TV Actualidades do Direito)

    Ah! Só mais uma coisa! Era bom que a população LGBTIHRLOPDSR.... e o abecedário todo por aí fora, começasse a pensar mais fora dos padrões convencionais da mentalidade machista e retrógrada que herdaram dos pais e demais sociedade.

    Amo a todos!

    Beijos

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  12. ARG, QUANTA MERDA REUNIDA. SABE, EU ESPERARIA ISSO DE ALGUEM ASSUMIDAMENTE TRANSFÓBICO, MAS DE UM SITE GAY?? WTF?? VOCES ESTÃO SENDO TRANSFOBICOS E CISSEXISTAS AO DIZEREM QUE APENAS TRAVESTIS E TRANSEXUAIS SÃO FEMININAS O SUFICIENTE PARA USAREM O BANHEIRO, NÓS TRANS NÃO PRECISAMOS DE MAIS CISSEXISMO, TEMOS QUE MUDAR A LOGICA DA OPRESSÃO EM SUA BASE. LAERTE TEM O DIREITO SIM DE USAR O BANHEIRO, QUEM VCS PENSAM QUE SAO PRA JULGAR A IDENTIDADE ALHEIA? DIE CIS SCUM POR FAVOR

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