Na última quarta-feira foi noticiada a morte de Eric James Borges (foto), de 19 anos. Ele é o segundo jovem que se suicida após gravar um vídeo em apoio à campanha americana antibullying It Gets Better. Eric era voluntário do The Trevor Project, uma organização que presta serviços de prevenção à juventude LGBT, e instrutor suplementar de um colégio.

O primeiro caso foi do adolescente Jamey Rodemeyer, de 14 anos. Ele se matou em setembro último, dias antes de ter gravado um vídeo no qual narra parte de seu problema, gerado pela perseguição e pelo abuso que sofria pelos colegas de escola. Ao mesmo tempo ele incentiva, com mensagens otimistas, outros jovens gays a persistirem e a lutarem por dias melhores (leia a matéria aqui).

Em 11/01/2012, Eric não suportou a pressão após revelar sua homossexualidade publicamente. Em dezembro de 2011, gravou o vídeo para a campanha It Gets Better e contou sua história. 
Fui criado por uma família cristã extremista e fui expulso de casa. Minha mãe sabia que eu era gay e realizou exorcismo em mim na tentativa de me curar.  A minha família me chamava de repugnante e dizia que eu estaria condenado ao inferno. Fui constantemente intimidado e tive que abandonar a escola. Era perseguido, cuspido e me agrediram fisicamente. Meu nome não era Eric, mas viado. Quando estava no armário, nunca sonhei que seria capaz de expressar minha sexualidade e ter um relacionamento normal.
Borges já havia gravado outro vídeo (o segundo abaixo), em outubro de 2011, que parecia trazer o seu sonho à vida. O vídeo, compartilhado no YouTube, exibe beijos e abraços de três casais, um heterossexual e dois gays. Um dos casais parece ser Eric e seu namorado. Eles se abraçam, se beijam carinhosamente e todos parecem curtir o por-do-sol à beira de uma rodovia movimentada. Há risadas entre eles e muitas buzinas dos motoristas que passam. Numa cena, Eric e o suposto namorado se beijam enquanto ouvem a única mulher do grupo dizer ao fundo: que lindo.

Enquanto o vídeo segue, as seguintes mensagens vão surgindo:

O subtexto sublinhando deste vídeo é o amor é universal.
Ele tem a força para dizimar o limiar de todos os preconceitos e de todas as desigualdades das relações humanas. Aqueles que entram em nossas vidas têm a capacidade de moldar quem somos. Não há importância em amar uns aos outros na maneira como cada um de nós realmente merece.
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Começo a pensar que as expectativas geradas através de campanhas LGBT como a It Gets Better podem causar frustração a muitos jovens os quais, por um rompante, revelam a homossexualidade à família, aos amigos e até a colegas de escola que lhes causam danos morais. É como se eles imaginassem que nada poder ser pior do que o armário quando se deseja loucamente sair dele, mas a realidade encontrada os surpreende negativa e, às vezes, irreversivelmente.

Pode ser que alguns adolescentes têm a certeza mais clara da homossexualidade. Alguns não conseguem esconder, mas quando há rejeição e perseguição na escola/colegas, não aguentam a pressão. Quando arriscam a contar pra todo mundo, na esperança de apoio famíliar, e quando isso não ocorre, se perdem.

Como alguém muito jovem com um problema desse na cabeça, sem dinheiro e sem trabalho, pode suportar?

Assista aos vídeos de Eric abaixo.

Fonte: Advocate

11 comentários:

  1. Pois é. É complicado pra caramba isso, não é? É muita pressão na cabeça dos jovens não heterossexuais. O pior é que as estatísticas mostram somente os casos mais extremos (os de suicídio), mas não mensuram aqueles em que os jovens ficaram com graves sequelas psicológicas sem, contudo, dar fim à própria vida...

    Abraços!!

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  2. Bom dia, meu lindo... affe, quando vi o horário desse post! E eu achando que era o único insone por aí...

    Tão difícil falar sobre isso, suicídio... eu sempre fico pensando no grau de doença interior que possa desencadear esse ato. Então não consigo seguir no campo do comentário puro. E não me refiro a espiritualidade ou mesmo a psicologia... não consigo sair do básico, da vida que decide pela dissipação... é muito nada pros meus instintos.

    Beijão

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  3. assino em baixo ao coment do Cara Comum ... é uma barra isto ...

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  4. gente, ele era voluntário no projeto e se suicidou? eles tão fazendo o que na porra do Trevor Project?

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  5. Vamos com calma e deixemo-nos de euforias. Tudo tem o seu tempo e o seu modo de evoluir. Não é por querermos emancipar os jovens precocemente que o mundo se apresentará mais evoluído.
    Os jovens têm de passar pelos seus ritmos próprios e transpor, a seu tempo, as várias etapas do seu desenvolvimento. Atalhos e encurtar caminhos nem sempre levam ao destino desejado.

    Muito tristes estes casos de suicídio.

    Beijos, querido

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  6. Estou completamente estarrecido. Até CUSPIDO ele era? Como? COMO é possível alguém se sentir socialmente apoiado a ponto de cuspir em alguém? Que experiência terrível ele teve na Terra. A minha dúvida é: uma morte pune os algozes com o remorso ou se torna em mais um outro motivo para rir? Que desgraça!

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  7. Quando lembro que tive apoio aos meus 14 quando sai do armario, agradeço muito a vida, a Deus, porque realmente nessa idade, o não ter apoio dos pais pode ser fatal.

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  8. O Projeto Trevor é maravilhoso.Pena que não temos no Brasil.

    Cada ação corresponde a uma reação.Vi vários vídeos da campanha It gets better.Sinceramente,eu não me exporaria mostrando meu rosto.

    Beijos,Ju.

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  9. Dependendo da idade e da mentalidade é muito precipitado se expor dessa forma. E pra variar, os religiosos estão envolvidos. Religião = ópio do povo !

    Abcs, sumido!

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  10. Bem coisa de machao mandar os corajosos se fuderem! Aff!

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