O espírito de Alfred Nobel (1833-1896), criador do Prêmio Nobel, deve ter sido cientificado, seja em qual plano espiritual estiver, de que um dos laureados da categoria 'Paz' é contra ao que a Anistia Internacional considera uma violação dos direitos humanos: discriminação da homossexualidade.
Mas....O que ele pode fazer agora? Se lamentar, não é mesmo? Assim como todos nós.
Ellen Johnson Sirleaf*¹, 73 anos, presidente da Libéria desde 2005 - país situado ao noroeste da África - foi a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2011. Ganhou porque atraiu investidores internacionais à Libéria para renovar a sua economia (devastada por duas guerras civis durante o golpe militar iniciado na década de 1980) e tirar a população da miséria retratada nas ruas pela total falta de infra-estruturas. Por lá, a maioria não dispõe sequer de canalização, esgotos e água potável. A chefe de estado é conhecida também pela luta dos direitos e da liberdade das mulheres oprimidas em seu país.
Ao lado de um desconcertado ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, a presidente fez declarações bombásticas a respeito da criminalização da homossexualidade. Blair foi defensor dos direitos dos homossexuais durante todo o período em que atuou no governo inglês e por lá se encontrava para fomentar a melhoria de vida aos pobres liberianos.
Ellen não somente apoia a legislação da Libéria como defende a aprovação de dois projetos de lei que pretendem aumentar as penas aos praticantes ou reincidentes do 'crime' homossexualidade. A lei em vigor hoje condena a até um ano de cadeia o que ela chama de "sodomia voluntária" - durante a entrevista a presidente não pronunciou a palavra homossexualidade.
[Sobre homossexualidade nos países da África, clique aqui]
A repórter do "The Guardian" foi insistente tanto com um quanto com o outro. Na vez de Blair, ela tentou a todo custo extrair a sua opinião a respeito da declaração da presidente: Um bom governo não deve andar de mãos dadas com os direitos humanos, sr. Tony Blair? Perguntou (em resumo) a jornalista.
Uma das vantagens de fazer aquilo que faço é que posso escolher os assuntos em que entro e aqueles em que não entro, respondeu (em resumo) o ex-primeiro-ministro após as várias investidas da jornalista. Ela somente desistiu após a bronca que levou da chefe de estado ao seu lado:
A AGI Libéria tem termos de referência específicos. Eles cumprem suas funções nesses termos de referência. É só isso que pedimos deles.
Trocando em miúdos, ela disse: Tony Blair tá aqui pra tratar de outra coisa, fia. Vou ficar puta da vida se ele se meter naquilo que não foi chamado.
O comitê do parlamento norueguês, responsável pela indicação dos nomes ao Nobel da Paz, deveria reverter esse prêmio concedido a Ellen Johnson Sirleaf.
Que tal indicá-la ao Prêmio IgNobil da Paz?
Assista ao vídeo da entrevista e sinta o drama.
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Ellen Johnson Sirleaf tem um curriculum invejável. Estudou na Universidade de Harvard e, desde 1970, passou a ocupar cargos políticos relevantes em seu País: Ministra das Finanças, Senadora e duas vezes eleita Presidente da Libéria.  

6 comentários:

  1. É tudo de um cinismo tão grande! Desde o sorrisinho prá lá de amarelo do Blair, passando pela boçalidade dessa senhora, que me desculpem os politicamente corretas, só com um puta voodu pra resolver. Enfim, e você não acha que o parlamento da Noruega não sabia das posições dessa mãe de santo de quinta?

    Beijos, meu lindo, como sempre... não preciso ficar elogiando, né!

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  2. De um lado ela se eleva e do outro se afunda na mais perfeita imbecilidade1
    Triste isso eim
    !

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  3. pois é, tem como tomar o prêmio de volta?

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  4. Sinceramente, não consigo entender certas posturas paradoxais!

    :(

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  5. Como fazer com quem num ano merece prêmio e no outro ano avacalha com tudo???

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  6. Lamentável!
    Foi-me muito penosa a leitura deste teu artigo, assim como confrangedora a assistência do vídeo.

    Pelos inúmeros erros históricos já constatados, o Nobel da Paz deveria ser atribuído honorificamente a título póstumo e sem prémio pecuniário.

    Beijos

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