Sou assinante do canal Multishow há anos e não havia assistido ainda às duas apresentações que o programa 'Conexões Urbanas' dedicou ao tema homofobia. O programa é apresentado por José Junior, do AfroReggae, e é transmitido todo domingo, às 22 h.
Transcrevi as frases abaixo, proferidas por alguns entrevistados, para que vocês analisem o que foi debatido no programa. Acho que vale super a pena assistir aos dois vídeos na íntegra.
  • No Brasil, a homossexualidade não é criminalizada de direito, mas é criminalizada de fato. As pessoas morrem porque são homossexuais (*). Deputado federal, Jean Wyllys.
  • Eu não sou homossexual. Eu sou viado. Eu gosto de cultura do viado...
  • Negro fede. Deficiente é um nojo. Viado tem que morrer. Sabe qual é a diferenças das três [frases]? A terceira não crime. Marcelo Garcia, Gestor Social e ex-secretario municipal do Rio de Janeiro por quase oito anos.
O primeiro vídeo termina com a entrevista de Luana Muniz, a travesti que ficou famosa no Brasil pela pergunta: "Tá pensando que travesti é bagunça?". Ela foi filmada pelo programa Profissão Repórter, da Globo, agredindo um homem que supostamente a teria ludibriado durante a contratação de seus serviços, digamos assim.
O segundo vídeo entra nesse universo das travestis, considerado miserável e ainda sem solução social e política. 
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(*)Eu diria que é pior ainda a homofobia no Brasil não ser criminalizada nem de direito nem de fato. Não estou fazendo apologia à justiça com as próprias mãos, mas, no Brasil, a sociedade sequer discrimina pessoas que agridem homossexuais motivadas pelo ódio. 
xx

9 comentários:

  1. Verei os videos, mas o assunto em si já deixa o que pensar: de fato, a homofobia ainda não é algo que vemos ser debatido nas ruas. quem ja ouviu algum hetero falar esse nome?

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  2. ah, não tow podendo ver os videos...
    =/

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  3. Bom dia, meu lindo!
    Que delícia de post é esse?! Em poucas linhas, algumas citações, você conseguiu abranger praticamente tudo sobre o assunto!

    E os vídeos! Maravilha... Nossa, o Marcelo afirmando que sair do armário iniciaria um processo de conscientização... foi demais! É coisa pra se pensar mesmo. Sempre imagino que falta alguma ação mais coordenada, sei lá, que talvez estejam sendo ensaiadas em diferentes lugares...

    Amei tudo. Beijão procê.

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  4. Conscientização do SER humano é o fundamento básico ... #fato ... inclusive dos Gays ... qto preconceito tb no meio ... deplorável isto ... respeitar para ser respeitado ...

    parabéns querido ... muito feliz na postagem ...

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  5. Atempadamente e com vagar assistirei os vídeos.

    O tema da homofobia, infelizmente, ainda será actual por muito tempo, nesta sociedade machista e ultra-preconceituosa, além de pouco dada ao respeito pelo outro e pelas liberdades alheias.

    Beijos

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  6. Maravilha de post! Em direito sou um zero à esquerda... você está dizendo que um homossexual agredido na rua, por exemplo, recebe o mesmo tratamento jurídico de uma pessoa como outra qualquer, é isso? Diferente, por exemplo, das mulheres com a Lei Maria da Penha. Sou ignorante mesmo. Quando você fala que não há criminalização nem de fato nem de direito, não consigo entender.

    Abração

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  7. Oi Lucas. A resposta para a primeira pergunta é sim. Ou seja, como a homofobia ainda não é considerada crime pelo Código Penal brasileiro, se um gay é agredido na rua (só porque é gay), agressor e agredido terão praticamente o mesmo tratamento que dois brigões quaisquer que se pegam na rua. Se bem que, a bem da verdade, há leis municipais que consideram a homofobia crime. Nesses casos, valem para as respectivas cidades.
    Criminalização de direito é quando as leis penais se pronunciam sobre determinado ato, indicando-o como crime e apontado as penas legais.
    Criminalização de fato, é o contrário. Não há previsão legal de que determinado ato é crime, mas algumas pessoas da sociedade não se conformam e fazem elas mesmas o julgamento e a condenação.
    A homossexualidade no Brasil é um exemplo perfeito. Não é crime (de direito). Algumas pessoas se acham juízes e (pre)julgam. A condenação seria as surras e os assassinatos que vemos por aí.
    Os termos "de fato" e "de direito" são mais comumente utilizados no direito de família: um casal separado de fato ainda está casado no papel, mas separado de corpos; de convivência.
    Quando oficializa a separação ou o divórcio, está separado de direito.
    Obrigado pelo seu excelente comentário.

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  8. Ai! Pensar sobre essa realidade, às vezes me desanima... aff

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