Todo gay já foi enrustido. Geralmente na adolescência.

Mas alguns passam pelo processo ainda antes e quando adolescentes têm a certeza da orientação sexual. Os mais audazes confessam logo pra todo mundo, inclusive aos pais.

Outro dia, a diarista contou que a vizinha tomou um susto com a filha de 11 anos: Mãe, eu não gosto de menino. Estou apaixonada pela minha colega. O que eu faço?

Mas vamos falar da maioria. Há gays que sofrem, choram, os que pensam em suicídio... Deve haver dois ambientes nos armários dos gays. O primeiro, mais fechado, quase não tem ar. As roupas quase não têm cores. Quando ainda está nele, o gay é sufocado e auto-abnegado: Meu Deus, por que eu sou asseeem?

O segundo é mais ventilado. Tem mais espaço. O gay já espia pelas frestas e se aconchega nas roupas de moda coloridas: Deus, dai-me forças porque eu vou sair daqui.

Quais as suas melhores e piores lembranças dessa fase?

No meu caso, houve um misto de sensações: medo, proteção, alívio, perda de tempo, pecado. Podemos imaginar que o armário seria desnecessário se vivêssemos em sociedade livre de preconceitos. Por outro lado, ele tem algumas vantagens. Uma delas é espiarmos pelas frestas para escolher a nossa turma.

Era muito importante que ninguém soubesse nem desconfiasse - um dia vivi essa ilusão de que ninguém desconfiava (sobre isso, de desconfianças na adolescência outro texto: Tu é Gay?).


8 comentários:

  1. eu nunca estive no armário, por isso nunca tive que contar para ninguém que sou gay, todo mundo sempre esfregou o dedo na minha cara dizendo q eu era gay e me condenando antes de me conhecer, desde a infancia. simplesmente nunca tive a proteção que o armário dá, ao mesmo tempo nunca tive que sair dele também.

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  2. Bom dia, tudo bem? Eita... alvíssaras!!! (kkkkkk)... assumiu! Isso mesmo... bonito, gostoso (kkkkk), que mais? Viu um passarinho verde, meu lindo?

    Adorei essa taxonomia do armário! Eu ainda não sei, mas acho que meu armário sempre foi diferente... talvez mais leve, sério, não sei. Vou pensar e na continuação do post (to sentindo que vem!) eu falo.

    Beijão... muita saudades, meu querido!

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  3. minha vida gay foi exatamente assim até meus 24 anos ... aí conheci o Elian e aos poucos as portas foram sendo abertas para aos 30 serem escancaradas ... foi a melhor coisa q eu fiz ... nunca me arrependi ... aqui agradeço ao Rogério meu analista q teve um papel fundamental na formação do Bratz de hoje ...

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  4. Eu acho que vivi e vivo direto dentro do armário. Sem me dar conta dele. Não sou muito exigente no quesito espaço.

    Abraços

    PS: Kant é foda! A moral kantiana se fundamenta em critérios éticos que eu diria “puros”. Honestidade sem interesse seria aquela que não exige nada em troca. É a praticada por ela mesma, sem esperar reciprocidade. Difícil, né!

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  5. Vivi no armário por um periodo muito curto, acho que foi apenas na fase em que tive mais consciência de que era algo considerado anormal para a sociedade. Mas quando comecei a frequentar ambientes GLS e presenciei pessoas resolvidas, sem medo de ser o que são tomei coragem e planejei, atrai o dia em que tudo aconteceu, acho que foi bem assim. Porque não cheguei em casa e falei, mas desejei tanto que minha mãe perguntasse que a coisa aconteceu,e eu falei.uffa! Sai do armario respirando um ar maravilhoso, não tem preço.Bjs!

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  6. O melhor de estar no armário é poder sair dele! rs

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  7. Feliz quem consegue sair do armário, porque enquanto está no armário só se tem muita fantasia, e depois que sai tudo é realizado. Como eu, ainda sofro no armário e acho que é prisão perpétua, consegui várias fugas e vivi momentos de alegria sexual compartilhada com um amigo, mais sempre volto para o armário. Afinal não é fácil, ser casado, com 3 filhos ainda de menor e muito medo de decepcioná-los, por isso acho que o armário pra mim é perpétuo, infelizmente não tive coragem de me revelar no tempo certo, agora acho tarde, com 45 anos é muito difícil acontecer essa mudança.

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  8. Flavio, a escolha é sua, claro. Porém, respeitadas as questões religiosas e os princípios morais de cada um (porque isso é muito pessoal), manter o casamento de 'fachada' não é realmente a melhor forma de sair do armário. Aos 45 anos, você é novo ainda. Há pessoas que trocam de sexo aos sessenta - me lembrei disso por causa da postagem de ontem ("Precisa-se de Surfistas Gays").
    Quanto aos filhos, eles precisam conhecer o verdadeiro pai. Essa parte exige realmente mais cautela, mas, sem dúvida, deve ser trabalhada. Mostrando-se quem é, creio que você sentirá alívio e encontrará forças para lidar com a situação toda.
    Comece a trabalhar isso aos poucos. Deixar de lado hoje pode causar uma frustração enorme no futuro. Aí sim, com menos chances de reversibilidade.
    Desculpe a intromissão. É sua vida, mas não resisti a tentação.
    Abraços.

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