A postagem hoje abordará a forma pela qual os gays, de maneira geral, lidam com o envelhecimento.
A palavra é essa mesma: abordagem. Apesar de curioso, o tema é delicado e muito individual. Há muitas teorias e regras espalhadas por aí, mas são generalistas.
Eu, claro, escreverei a minha opinião (generalizada) e vocês, se quiserem enriquecer a postagem, exponham as suas.
Há um quase-consenso de que envelhecer não é legal. Porém, entre os gays, sobretudo os homens, a vida passa como se essa etapa não chegasse - me refiro à imagem física.
Atualmente, o auge da imagem do homem gay bem-sucedido está associada à faixa etária dos 30. O corpo é mais trabalhado na academia, as roupas e acessórios são de grife e as mais elegantes, a casa é melhor decorada. Até a profissão tem que ter mais glamour!
Quem já não ouviu alguma mulher comentar: Ele é muito bonito pra ser heterossexual. As roupas, os perfumes...Tudo perfeito. E o cabelo? Ele deve ter passado uma hora e meia no espelho para deixá-lo daquele jeito. Se não for gay, é metrossexual.
E se for mesmo gay, provavelmente é também metrossexual.
As novas gerações de gays enfrentam um  desafio pior porque a pressão é cada vez maior.
Quem não se enquadra nos requisitos acima, tem por obrigação dispor de raciocínio rápido e de uma inteligência acima da média associada ao humor cáustico, principalmente os ainda muito jovens e sem dinheiro - gay pobre e sem humor não se destaca. Gay velho e pobre se torna invisível.
Tornar-se invisível, aliás, é o grande problema para quem não aceita a velhice.
A confiança e auto-estima dos gays da classe média parecem ser proporcional à idade. O céu é o limite aos 20 e o abismo começa aos 40 anos de idade.
Esse sarcasmo dos gays é engraçado até certo ponto. Quando descamba para o preconceito, se torna maleficamente segregador: afeminados e másculos, ativos e passivos, ricos e pobres e, a longo prazo, velhos e jovens. Sequer os gays de meia-idade procuram novas amizades entre eles. É um tal de 'tia velha' pra lá, 'maricona' pra cá. Talvez sejam os vícios da juventude aos que não amadureceram mentalmente e/ou se prenderam ao tal humor sarcástico.
Aos 50 anos, o gay solteiro numa balada se sente acuado e não tem a mesma segurança do homem heterossexual na mesma situação. A diferença é que, para o primeiro, as opções de vida social se afunilam com o passar dos anos. As casas noturnas, os bares e restaurantes são quase todos projetados ao público GLS jovem. Luzes fortes, música da moda (som alto), pequeno ou nenhum espaço ambiente e etc. Aqui, no Rio, só conheço uma casa noturna frequentada por homens gays acima dos 50 anos, mas o ambiente em si é igual a qualquer outra boate.
Onde estão os cinquentões gays, tranquilos e interessantes? Estão todos casados ou estão curtindo baladas europeias duas vezes por ano?
A postagem teve como fonte a matéria sobre o médico terapeuta Bob Bergeron. Ele se suicidou no início desse ano, aos 49 anos de idade. Era gay e se especializara nessa área. 
Após vinte anos de uma bem-sucedida carreira, na qual ajudava gays a encarar o envelhecimento de forma saudável, ele resolveu escrever o seu primeiro livro em 2011: The Right Side of Forty – The Guide to Increasing Happiness for Gay Men at Midlife and Beyond (O Lado Direito dos Quarenta - Guia da Felicidade Crescente Aos Homens Gays de Meia-Idade). O lançamento estava previsto para fevereiro de 2012 (o livro está no site Amazon, ao preço de US$ 10,85, com o seguinte aviso: "título ainda não lançado").
A sua história parece contraditória, já que ele mesmo não se permitiu envelhecer. Contudo, pelo que entendi, o motivo que levou Bob a se matar não tem tem a ver com a sua idade, mas com o perfeccionismo.
A vontade de publicar uma obra que realmente ajudasse as pessoas - ou que fosse o pulo do gato de sua carreira - foi tão grande que, depois de pronta e prestes a ser lançada, ele concluiu que não atingiria tal objetivo. Se isolou em seu apartamento durante o reveillon e entrou nessa viagem sem volta.
Detalhes sobre a vida e a morte de Bob Bergeron (The New York Times) e o seu blog: aqui e aqui.
A imagem acima mostra Bergeron (o da esquerda na foto maior) com seu ex-namorado, David Sackheim, em 1995 (foto menor) e em 2009. Foi o seu relacionamento mais longo.

11 comentários:

  1. esse kra da foto tem 49 anos e se suicidou pq não atigira a perfeição? oi?comoassim? gente, que paranóia!
    concordo com vc com quase tudo, menos que os homens gays acima dos 50 necessariamente seriam mais tranquilos...

    também não entendi pq vc só se pergunta onde estão os tranquilos e interessantes, os não-interessantes estão por ai, nas baladas, é isso?

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  2. Soube do caso e acredito que eh uma pessoa para nao ser levada a serio. Todos nos gostariamos de encontrar a fonte da juventude mas impossivel. Eu acredito que com a idade vem coisas boas ou mas, como em qualquer idade. Eu moro na California e especialmente na minha area alguns caras de 50 querem namorar somente garotos de 20 ou 30, e eu me pergunto porque? Para se olhar no espelho e se manter jovem o porque sao tao shallows que nao conseguerem encarar que a vida passou? Aos quase 50 eu me sinto melhor a cada dia e ja tive minha share de bares e boates. Quem aos 50 ainda quer ficar badalando em lugares que so vai encontrar gente de 20 deve procurar rapidinho um psicanalista.

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  3. Gente... de ontem pra hoje já é a terceira postagem tratando do tema! Tá certo que de ângulos bem diferentes. Deve ser alguma conjunção planetária, ou essa semana. O meu post de hoje à noite será sobre a morte! Acho que to precisando de um "banho de descarrego" (kkkkk)

    Meu lindo, eu não conhecia a história desse médico. Muito interessante! E parece que essa coisa de não saber lidar com um assunto em que se é especialista é mais comum do que imaginamos. Lembra daquele caso de um amigo meu psicólogo?

    Beijão, meu lindo... saudades de você!

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  4. eu não posso me dar ao luxo de ter medo de envelhecer pois já estou lá ... é tudo uma questão de saber e ter dignidade para assumir isto ...

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  5. Eu não diria medo. Raiva, talvez (rsrsrs). Na verdade o mundo é todo construido pra quem é mais jovem. Ser gay é apenas um fator complicante. Além do que, me parece (desculpe se for preconceituosa a ideia) que nós gays costumamos dar mais valor ainda para essa tal juventude. Que insiste em viver dentro de mim, apesar de meu corpo achá-la estranha demais.

    Beijos

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  6. Pra mim, o comentário do Bratz encerra o assunto: "é tudo uma questão de saber e ter dignidade..."
    Aliás, quem não teve oportunidade de cultivar outros valores, a coisas essenciais e perenes, certamente não terá dignidade e muito menos tranquilidade para passar pelo processo, inexorável.
    A menos que a pessoa faça como o médico citado, o que é lamentável, em qualquer situação.

    A vida nos reserva sempre coisas boas, em qualquer tempo. Basta saber ver, sentir, aprender com ela. E ninguém viverá eternamente por aqui. Felizmente!

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  7. Olha, eu confesso que gosto de pessoas mais velhas e não tenho medo da velhice. Sei que sou minoria, mas sigo em frente.

    Toda idade tem suas vantagens e desvantagens. Meu medo, na verdade, é de chegar na velhice e não estar com saúde para aproveitar o que ela traz de bom.

    Abraços!

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  8. Gay depois dos 40 é yogurte no prazo de validade; está bom mas ninguém quer.

    Sim, temos de admitir que o chamado "meio gay" (ou mundo gay) é muito preconceituoso e discriminador.

    Bom é envelhecer com sabedoria e dignidade. Tenho orgulho de já ser considerado velho, do alto dos meus 55 anos.

    Beijos

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  9. É a síndrome de Peter Pan. Gays, ao meu ver, são muito ligados aos encontros sexuais casuais, e nesses encontros, os jovens e bonitos são os mais requisitados. Muitos têm medo de envelhecer, mas muitos já disseram isso e já chegaram aos cinquenta, sessenta, setenta, e por aí vai, e mesmo assim continuam vivos, atrás dos jovens, da juventude que perderam. Outra explicação é o instinto. O macho da espécie humana procura a fêmea mais jovem para introduzir seu sêmem e ter a certeza de que naquele organismo(corpo)jovem, seu DNA será perpetuado com total segurança (a saúde da mulher cria a possibilidade de uma cria saudável, e quanto mais jovem uma mulher, maior a probabilidade de o feto se desenvolver e vir nascer normal). Por isso a preferência dos machos pelas fêmeas jovens. Isso talvez se aplique aos gays, pois mesmo gostando do mesmo sexo, têm o instinto masculino, peculiar ao gênero, inerente a ele.

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  10. começa bem cedo, ter uma reeducação alimentar, tratar a pele com cosméticos, depois dos 30 tomar colageno... malhar :)

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  11. Isso é loucura,são pessoas sem valores,acham que o mais importante é o externo,todos envelhecem,sendo gays ou héteros.Para os gays é mais difícil?Só se ele for um bobo que esqueceu,ou não sabe que juventude não é sinônimo de felicidade,e nem maturidade é sinônimo de exclusão ou infelicidade,badalação é mais para os jovens mesmo,independente de serem gays ou não,tem tantas coisas maravilhosas ke se pode fazer com um parceiro agradável (amor correspondido pode acontecer em qualquer idade,para mim é o presente de Deus) e bons amigos,viagens,restaurantes barzinhos com música ao vivo e se gostarem porque não se permitirem a uma balada bem jovem vez ou outra?Vão se cuidar bibas de 40,ter uma boa alimentação,cuidar da pele,malhar,se amarem acima de td,para se sentirem bem com o passar dos anos e não para buscarem juventude eterna porque isso não existe

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