Na semana passada, foi divulgada em vários sites a informação sobre a possibilidade da inclusão do primeiro ginasta declaradamente gay no time olímpico norte-americano deste ano, Josh Dixon.
Os holofotes reacenderam o tão debatido tema. E veio em boa hora.
Identidade G publicou nos últimos dias notícias sobre os norte-americanos. Eles estão cada vez mais apoiando normas com o intuito de incluir expressamente a proibição do casamento gay nas suas Constituições estaduais (já são 31 Estados) e o presidente Barack Obama finalmente se pronunciou favorável ao direito matrimonial dos gays para, quem sabe, convencer os cidadãos dos Estados remanescentes (que ainda não votaram contra) a apoiarem os homossexuais nessa empreitada.
Agora, veio a cereja do bolo. O atleta acima citado, que até os torneios pre-olímpicos não falava publicamente sobre sua sexualidade, resolveu dar essa força. Ele não intencionava se revelar para não comprometer a imagem da ginástica olímpica, esporte que, segundo ele, é "alvo de estereótipos" - só pode ser a reputação da homossexualidade dos atletas masculinos.
É pra comemorar?
Tenho questionado o rifão que diz  "o mundo é gay".  Quem inventou isso deve ter vindo de outro planeta do sistema solar habitado preponderantemente por gays. Vênus, talvez?
Aqui, na terra, a dissimulação com relação aos gays ainda é grande. A posição desse cidadão que se assume, mas ainda não se firmou profissionalmente, é muito delicada, absorta e instável. Nesta situação, dificilmente ele chegará a algum lugar, de fato, respeitável na sociedade.
Os avanços, a meu ver, de tão lentos se tornam fatos isolados que se dissipam com o tempo.
No Brasil, o maior acontecimento em benefício dos gays até hoje veio através da decisão do STF, de maio de 2011. Ela incluiu a união homoafetiva à definição legal de união estável. Um avanço e tanto, não foi? Sim, foi..
Entretanto, com todo respeito à separação dos três poderes constitucionais que regem o País e lhe dá segurança, autonomia e preservação dos valores institucionais, de que adianta o Poder Judiciário andar um passo pra frente (STF) quando o Poder Legislativo desanda em três passos largos? Trocando em miúdos, como progredir num país onde os maiores representantes do Poder Judiciário são vanguardistas e tentam avançar uma questão de cidadania, mas, por outro lado, temos mandatários do povo no Poder Legislativo que não passam de retrógrados, sem falar nos outros tantos inócuos do Poder Executivo (exceção de Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro), a começar pela presidente Dilma?
Agora há pouco, parei de escrever essa postagem para assistir ao "Profissão Repórter", da Globo, cujo tema foi a sexualidade dos jovens e adolescentes.
Eles incluíram os gays. Que legal. E o que de mais importante foi mostrado com relação a eles?
Que dos trocentos casais de namorados entrevistados que se comprometeram com a repórter a levá-la para suas respectivas casas e exibirem nacionalmente a relação entre pais e filhos no tocante à sexualidade deles, a jornalista encontrou empecilhos apenas com os pais dos pares gays encontrados na Avenida Paulista, um dos principais pólos econômicos da maior cidade do País.
Eles supunham terem a sua sexualidade e namorados(as) acolhidos pelas famílias ascendentes, mas se surpreenderam negativamente.
Enquanto a repórter pôde escolher as famílias dos jovens casais heterossexuais dentre as que se dispuseram a participar do programa, ela quase não conseguiu convencer nenhuma das famílias dos filhos gays que se diziam aceitos. No final das contas, duas concordaram. E olha que se trata de um programa de ilibada reputação da emissora de maior prestígio nacional.
Sim, misturei assuntos, mas eles tiveram a mesma finalidade: o que ou quanto falta para a sociedade desassociar a homossexualidade dos preceitos religiosos que tanto a prejudicaram? Jesus Cristo ressuscitar novamente pra dizer que isso é hipocrisia ou de mais dois séculos de vida?
E por falar em vida, gay ou não, ela segue em frente. Já é um consolo.

6 comentários:

  1. Sim querido ... a vida anda ... já é um consolo ... para mim q já estou cansando de esperar mudanças isto é um consolo e tanto ... e vamos q vamos ...

    Um cara com 61 anos, quase 38 anos de relação estável e q agora tem a sua relação legalmente reconhecida jé está bom né? rs

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  2. parabéns pelo texto, amigo. mto bom mesmo. mas eu concordo com vc, só Jesus salva.

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  3. Oi, meu lindo, muito trabalho? Tá sumido!

    Seu texto está ótimo. Bacana a descrição do “conflito” entre os poderes no Brasil. Talvez esse conflito seja um ponto positivo: pelo menos não temos uma unanimidade. Eu só achei estranho duas coisas. Uma palavra no título... “evolução”... e uma certa afirmação de que o problema está na dissociação do homossexualismo com a religião. Não é só isso, né... o problema é muito maior. Culturalmente eu acredito que somos mais predispostos a aceitar as diferenças quando elas são patológicas. O que parece não ser verdade quando essas diferenças são de outro âmbito, racial e sexual, por exemplo.

    Beijão.

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  4. Cesinha, lindão, a palavra "evolução" foi aproveitada por causa da imagem que ilustra a postagem. Ela significa mudança, progresso, transformação.
    Quanto ao aspecto religioso, eu creio que não deixa de ser cultural. A igreja contribuiu durante séculos para a imagem infernal, suja e pecaminosa da homossexualidade. Acredito ser este o gênesis do problema do qual se ramificou para outras esferas da sociedade. Mesmo os intolerantes/ateístas inconscientemente foram influenciados por seus ancestrais ao longo dos séculos.
    Vc acha que se ainda fôssemos considerados doentes teríamos mais chances de aceitação social?
    Tenho dúvidas.
    E quanto ao longo período no qual a homossexualidade foi considerada patologia pela OMS? Ajudou?
    A meu ver, esse seria outro ponto desfavorável que contribuiu demais para a segregação hétero/homo.
    É o que penso.
    Eu sumi esse dias da internet pq meu computador tava ruim e não me acostumo a trabalhar no netbook.
    Bjaum,lindo.

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  5. Vamos lá: sou cismado com “evolução” e mais ainda com “progresso”... é muito positivismo, e me parece que as coisas não se resolvem assim, mas por rupturas. Segundo: eu não nego que tem um componente religioso, mas eu quis reforçar que o componente psíquico é muito forte, independente da religião. É algo mais profundo, faz parte do modo de ser homem que está em jogo... não dá pra explicar, eu teria que desenvolver muito, e ficaria cansativo (kkkkk).

    E, por fim, quando eu falei em maior tolerância com diferenças de origem patológica eu não me referia ao homossexualismo, mas sim aos, por exemplo, deficientes físicos, que são aceitos de uma forma bem mais tranquila. E, só pra lembrar, nem sempre foi assim. Em certas culturas, crianças que nasciam com alguma deficiência eram descartadas pura e simplesmente.

    Não sei se expliquei melhor.
    Beijos, meu lindo.

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