Matéria atualizada em 02/05/2017.

A história do futebolista Justin Fashanu é tema do documentário "Forbidden Games" (Jogos Proibidos) que está sendo lançado hoje (2/5) no Festival de Documentários de Toronto.

A repercussão desse filme talvez atinja o efeito que Fashanu gostaria quando, em 1990, decidiu revelar sua homossexualidade para um jornal. No filme, Justin e seu irmão, John Fashanu, também futebolista, foram corajosos quebraram tabus na Premier League, mas também protagonizaram uma triste história que terminou em dor, tristeza e suicídio


Afinal, cadê os jogadores gays do futebol?

A postagem anterior (The Football Gayme) foi uma brincadeira. O tema dessa também é futebol, mas agora é real e não tem graça.

Tem a ver com muitas das declarações públicas de personalidades do mundo desse esporte. Alguns trechos de manifestos publicados em diferentes épocas foram selecionados para essa matéria e aparecerão na próxima (final).

Comecemos então pela carta do único jogador internacionalmente conhecido a assumir publicamente sua homossexualidade: Justin Fashanu. Ele escreveu uma mensagem antes de seu suicídio em 1998, aos 37 anos. Acompanhe.
"Me dei conta de que eu havia sido condenado. Não quero mais ser uma vergonha para meus amigos e minha família (...). Espero que Jesus me dê boas vindas e que finalmente eu encontre a paz."
Justin era inglês de origem nigeriana e era  um homem bonito (fotos). Como profissional, ele jogou como atacante e fez muito sucesso na década de 1980. Chegou a ser declarado o primeiro jogador negro a valer 1 milhão de libras, quando migrou do time Norwich para o Nottingham Forest.

Ao longo da carreira, Fashanu sofreu represálias dos companheiros, técnicos e dos clubes ingleses após revelar sua sexualidade ao jornal "The Sun", em 1990.

Segundo o The Guardian,  Jonh, que admitiu ter sentido vergonha do irmão, pagou £75.000 a Justin para que ele desistisse de sair do armário na ocasião (cerca de R$ 400 mil).
"Eu não queria que as pessoas pensassem que eu era gay também. Eu jogava em um time de caras durões (Wimbledon). Éramos todos durões, com imagem de machos fortes. As pessoas adoravam isso. De repente, meu irmão faz isso. Achei um absurdo", confessou.
Entretanto, Justin seguiu adiante com sua vontade ignorando o trato e o conselho do irmão com quem ficou brigado até poucos meses antes de sua morte.

John não esperava - ou não se preparou - a rigidez da reação das pessoas com as quais tinha que conviver ao longo dos próximos anos. O jogador passou ser alvo de piadas homofóbicas e insultos das torcidas.

O preconceito dos maiores clubes veio rápido e o afastou do primeiro escalão. O jogador tentou seguir em frente em clubes ingleses de baixa expressão. Desestimulado, acabou se mudando para Nova Zelândia ainda no começo da década de 1990, mas acabou pendurando as chuteiras em 1997.

Em 1998, ano de sua morte, Fashanu arriscou ser treinador, mas foi acusado em março daquele ano de abuso sexual por um jovem de 17 anos.

Por receio de ser preso, ele retornou ao Reino Unido logo após os interrogatórios policiais. O inquérito foi arquivado por falta de provas, mas, ainda assim, o ex-atacante se enforcou no dia 3 de maio de 1998, em Shoreditch, arredores de Londres, após ter visitado uma sauna gay.


Em agosto de 2011, Fashanu foi lembrado pelo capitão da seleção alemã Bayern de Munique, Philipp Lahm, 34 anos (foto acima).

Na ocasião, o jovem atleta aconselhou os gays do futebol a não se assumirem porque a repercussão pode ser devastadora.
"Eu não aconselharia nenhum jogador profissional gay a se revelar. Eu temeria que ele pudesse terminar como Justin Fashanu, que depois de se revelar gay foi excluído de tal forma que acabou cometendo suicídio. Não tenho nada contra homossexuais e não considero a homossexualidade algo repreensível", Philipp Lahm em sua autobiografia "The Subtle Difference" (A Sutil Diferença).

Por outro lado, Amal Fashanu, filha de John e sobrinha de Justin Fashanu, fez uma declaração a respeito de seu tio demonstrando insatisfação para a realidade machista e homofóbica do futebol.
"Atualmente há cerca de cinco mil jogadores profissionais de futebol na Grã-Bretanha, mas nenhum é abertamente gay. Por que nenhum jogador gay seguiu os passos do meu tio, mesmo após quase 25 anos?"
Amal, que é designer de moda, segue investigando esse enigma do futebol. Assista ao vídeo da BBC (em inglês) sobre a trajetória de Justin Fashanu.

[Para continuar lendo O Silêncio dos Gays no Futebol, clique aqui]


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