Na Veja Rio desta Semana, foi publicada uma matéria interessante. 
Escrita pelos jornalistas Ernesto Neves e Felipe Carneiro, sob o título "Feriados Demais", o argumento mor é o desperdício de dinheiro à nação. 
Segundo eles, não é a quantidade anual de feriados nacionais o problema, mas os finais de semanas prolongados e os acréscimos que cada autarquia delibera à sua população, os conhecidos 'enforcamentos'. 
O Brasil  é o campeão mundial entre os 'praticantes' de folga. 
Oficialmente, temos apenas onze feriados. Uma média tímida se comparada aos dezoito dias da campeã, a Colômbia, e aos quatorze de países considerados 'workaholic', como Japão e Coréia do Sul. A diferença - e isso faz mesmo toda a diferença - é que eles não praticam a cultura de estendê-las nem emendá-las.
Além do feriado prolongado de Corpus Christi, foi decretado pela prefeitura do Rio, para o mês de junho, um recesso entre os dias 20 e 24 para não atrapalhar os andamentos da Rio+20.
Somados todos os 'enforcamentos', serão, em 2012, nada menos do que 41 dias parados somente na cidade do Rio de Janeiro.
Top, top, top do planeta!
É um transtorno à economia? Claro que sim. No entanto, não dá para transcrever a matéria inteira porque é extensa. Sem falar que o Identidade G não é, digamos assim, um blog economista (risos).
Os jornalistas, entre um parágrafo e outro, trouxeram informações históricas e palpitantes a respeito dos, entre outros, feriados santos (daí o motivo do título escolhido para esta postagem). 
São elas que você encontrará transcritas a seguir.
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"(...) Nosso calendário foi ganhando folhinhas em vermelho graças a dois vetores. O primeiro tem natureza religiosa, com raízes no período colonial e na herança europeia, cheia de datas dedicadas a santos e mártires. Com a promulgação da primeira Constituição republicana, em 1891, tais ocasiões foram expurgadas e substituídas pela celebração de figuras heroicas (Tiradentes) e de episódios históricos (Independência e Proclamação da República). Diante da pressão da cúpula da Igreja Católica, o calendário laico durou pouco e, já na década de 20 do século passado, começou a receber de volta as festas vetadas após a mudança de regime. Como resultado, dos onze feriados nacionais que temos hoje, sete são de origem católica.
No Rio, existe até uma inversão curiosa. O aniversário da cidade, em 1º de março, é lembrado, mas dentro do escritório. O dia em que todos ficam em casa, 20 de janeiro, é o do padroeiro, São Sebastião. (...)
O segundo pilar da nossa vasta coleção de folgas é a lógica populista que grassa na política fluminense, expediente que começa no desembarque da família real portuguesa. Assim que pôs os pés na cidade, dom João VI decretou inacreditáveis 100 dias de recesso. Na lista de comemorações foram incluídos os aniversários do rei, da rainha Carlota Joaquina e dos filhos, Pedro e Miguel.
Quase 200 anos depois, mostrando que o hábito ainda perdura, em 2012, a então governadora Benedita da Silva sancionou o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares. Trata-se de uma justa homenagem, mas por que torná-la um feriado? Não poderia ser sempre no último domingo de novembro?
No mesmo ano, tivemos outra canetada que se incorporou de vez à rotina. Famoso por liderar milícias na Zona Oeste [do Rio], o ex-deputado estadual Jorge Babu deu de presente aos fluminenses a celebração de São Jorge, o dia 23 de abril. Nada contra o santo guerreiro, mas Santa Marcelina, São Lucas, São Januário, Santo Expedito, São Judas Tadeu e uma infinidade de outras figuras cultuadas do catolicismo também são lembrados em determinadas datas, sem que ninguém deixe de trabalhar ou ir à aula por causa disso. (....)
No século XIX, preocupados com a confusão de santos nos países que formavam o Reino Unido, os ingleses criaram um modelo que concentrava as celebrações na primeira segunda-feira do mês. O feriado artificial, oficializado em 1841 e batizado de Bank Holiday, tornou-se tão eficiente para evitar exageros  que, mesmo depois de se tornar independente, em 1922, a Irlanda continua a respeitá-lo. Uma das poucas exceções é a festa de seu padroeiro, Saint Patrick, celebrada em 17 de março.
No Brasil, tentou-se um sistema semelhante em 1986, no governo de José Sarney, mas a medida foi banida quatro anos depois, por seu sucessor, Fernando Collor. (...)"

13 comentários:

  1. não acho um problema termos feriados religioso, acho um problema termos feriados apenas católicos, o dia de iemanjá em janeiro, por exemplo, podia ser feriado, e se retirar algum dia santo católico... isso seria ser laico. afinal, laico não significa ser ateu, laico significa q nenhuma religião controla o estado, mas todo estado laico tb garante liberdade religiosa, não é?

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    1. Sou Católico praticante e muito bem entre sexualidade e religião. Sabemos que esta herança dos feriados católicos vem da Lei do Padroado (quando o Estado-Igreja) de Portugal. Penso, sim, que seria necessário rever. Continuaria indo à missa com ou sem feriado para os dias "santos". Entretanto isso cabe ao povo brasileiro, ao Congresso e ao Executivo. Ao povo me pergunto quem de boa intenção trabalha 44 horas semanais sem reclamar; ao Congresso me pergunto por que chegam em Brasilia na terça ou na quarta e na quinta já a maioria voltou para seus estados? Por que será que a maioria esticam o feriado de Carnaval até a 4a. feira? Ora, duvido que queiram retirar os feriados católicos, não por serem "dias santos"católicos, mas por que acredito que não têm a reta razão de querer fazer crescer o país. De outro lado há na internet um quadro o "Congresso Fatiado". A quarta maior bancada é dos Evangélicos. E por falar nisso o Pastor Feliciano está à frente da Comissão dos Direitos Humanos que quer a "Cura Gay". A maior bancada do Congresso é de Empresários e industriais (273), seguido da bancada de fazendeiros e agropecuaristas (166), em terceiro vem a bancada da classe sindical,(73) por fim os Evangélicos (66) Ora, será que realmente o mais importante a nos preocupar seria o fato do feriado ser ou não católico? Penso que a questão não está na denominação religiosa e sim na reta razão de querer fazer crescer o país. As vias que levam ao litoral provam o contrário. Simplesmente, leigo Ed

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  2. Puxando a brasa para a minha sardinha (rsrsrs), analisando pelo “lado econômico”, nem é preciso dizer quem é que paga por todas essas fatídicas “emendas”, tão usuais no setor público! Pois no setor privado tais emendas são compensadas por horas adicionais trabalhadas pelos funcionários.

    Abraços.

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  3. Sou contra todos os feriados religiosos [católicos] ... os demais eu não me importo muito não, só q deveriam ser mais criteriosos na concessão dos mesmos ... e tb sou a favor da prática antiga de q todos serem celebrados na segunda-feira da semana do mesmo, excluindo o Natal e o Ano Novo.

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  4. Eu também sempre me perguntei a mesma coisa.

    Mas o feriado durante a 20+ é mais do que uma vontade de fazer nada. O feriado foi dado para desafogar o trânsito e as autoridades poderem circular na cidade entre os pontos da conferências no centro e na barra. Imagina aquele monte de chefe de estado preso em engarrafamento?! E a trabalheira para criar um sistema especial a tempo para eles conseguirem se deslocar?

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  5. Bem, como há muito tempo eu não sei o que é feriado, muito menos prolongado, não sei bem o que pensar (kkkkk). Acho estranho "puxar" pra segunda-feira, como também é estranho feriado santo ser sinônimo de santo católico. Datas importantes, que mereçam alguma comemoração, limitadas a uma certa quantidade civilizada e sem emendas... acho que é isso que vemos por aí.

    Beijos, meu lindo.

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  6. eu não sou contra os feriados mas a escolha deles deveria ser mais criteriosa.
    de qualquer forma é uma herança antiga, melhor não mexer nisto porque antes um país católico não praticante do que um pais evangélico fanático!

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  7. Não acho certo feriados religiosos, a não ser que tenha pelo menos um de cada religião praticada no país (o que é impossível).
    Descordo totalmente sobre os brasileiros e suas folgas. A maioria da população trabalha muito por pouco dinheiro. Além de 8 horas por dia para ganhar 622 reais, enfrenta 3-4 horas de transito durante o dia. Chega a totalizar 12 pelo trabalho. PRECISA de 8 horas de sono, não lhe resta sequer meia hora de diversão, já que além de tudo isso ainda precisa cuidar da casa.
    MUITOS ainda trabalham de sábado. Quando surge um feriado na quinta, não merece um dia de folga a mais na sexta ? E no sábado ?

    Essa ideia de que brasileiro não trabalha é algo totalmente fora da realidade, alto que é dito da boca pra fora, sem pensar.

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  8. Acho que por esses e outros motivos é que sempre seremos considerados como 3º mundo.

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  9. Eu só ia comentar no seu blog no final de semana... mas eu vi a postagem e me interessei. rsrs
    Bom, concordo plenamente, esses feriados são sim um exagero, um reflexo negativo da nossa cultura, e não atrapalham apenas a economia, mas também os planejamentos das aulas em escolas e universidades, por exemplo. Acho que uma iniciativa no sentido de minimizar os prejuízos causados pelo excesso de folga seria muito bem vinda.
    No entanto, acho que isso não tem tanta relação com o fato de o estado ser Laico ou não. Se existe problema com relação a autenticidade da laicidade do Estado Brasileiro (e eu acredito, existe e é muito mais grave que isso), definitivamente isso não se reflete nesse caso específico. Por mais que um estado se considere Laico, romper com as origens e a cultura da população de maneira geral é, para mim, um grande erro. Tornar inválido um feriado como o Corpus Christi ou o de Nossa Senhora Aparecida poderia ajudar na economia, mas os danos a nossa identidade cultural poderiam ser expressivos, sabe? Se existe hoje um excesso de feriados e de "pontes" é porque é simplesmente um traço cultural independente de religião. O fato de serem feriados religiosos é apenas um pretexto para justificar tal quantidade exagerada. Isso sim poderia e deveria ser mudado, mas é uma coisa que leva MUITo tempo... Enfim, todo esse blablablá só para dizer que apesar de eu ser ateu, apoio os feriados nacionais religiosos, porque ajudam a contar um pouco da nossa história. Eu, enquanto brasileiro, não gostaria que isso se perdesse por um problema que pode ser resolvido por uma simples mudança de atitude.
    Agora, que fique claro que o feriado de São Jorge no Rio de Janeiro é uma grande palhaçada, algo totalmente desnecessário, pelo menos para mim, e esse é um feriado "religiosos" que não se aplicaria no caso dos outros.

    Ai, eu sempre exagero nos comentários, liga não... rsrsrs

    Enfim, adorei seu blog, cara... O texto é relativamente grande, mas é tão fluido que nem sentimos que estamos lendo. Voltarei mais vezes!

    Um abraço, rapaz... até

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  10. Afff! Estou tentando ler o texto, mas não paro de olhar a foto. :\
    Vai ser difícil ler a matéria toda. Mas haja coragem!
    hehe

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  11. Ora, depois de me ter lambuzado todo na foto ilustrativa do post, cá venho me referir ao texto.

    O que eu pudesse dizer iria muito na linha do Math e do Júlio César.
    Temos sempre de tomar em referência a cultura e costumes populares. Embora isso não seja pretexto para exageros e abusos.
    Para descansar o povo trabalhador não precisa de mais feriados, mas sim de melhores condições de trabalho, de acessibilidade e de horários laborais mais conducentes com a dignidade do ser humano.
    Mas isso implicaria uma revolução radical, né.

    Beijão

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  12. Concordo com o trio Math, Julio e ManDrag. A religião faz parte da nossa cultura, de fato o que aperta pra mim a economia é uma turma que tá la em cima ganhando muito, sem querer abrir mão de uma regalia, enquanto nós ralamos para manter a vida glamurosa e protegida pelas brechas legais deles.Beijao!

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