Foto: Roberto Filho/AgNews (via IG).
Nem mesmo nomes de peso, como o de uma das maiores estrelas da tevê nacional, Glória Pires, e o do diretor de cinema Bruno Barreto, foram páreos para o preconceito contra a homossexualidade nos filmes.
Solicitadas para patrocinarem o longa-metragem "Flores Raras", cujo roteiro é baseado no livro "Flores Raras e Belíssimas", de Carmem Luica de Oliveira, as empresas privadas tiraram o time de campo: Quando apresentamos o projeto, dizem que a história é linda, mas na hora da resposta tiram o corpo fora alegando que não podem atrelar a imagem da empresa a esse assunto. Nunca esperei passar por isso em pleno século 21 e num país que se diz mente aberta, declarou Paula Barreto, da LC Barreto Produções.
Em entrevista coletiva na última quinta-feira, no Hotel Pestana, zona sul do Rio de Janeiro, Bruno, que dirigirá o longa, revelou que encontrou "fortes barreiras" à captação de recursos: Não conseguimos um tostão de nenhuma empresa privada.
Nem tudo está perdido. Dos R$ 13 milhões necessários, R$ 9 milhões foram conseguidos por intermédio de alguns órgãos estatais, como o BNDES e de empresas como a GLOBO Filmes, Telecine e Imagens Filmes [certamente privadas, né?].
O tema central é o relacionamento homossexual entre a arquiteta brasileira Lota Macedo Soares (Glória Pires) e a escritora norte-americana Elizabeth Bishop (a ser interpretada pela atriz australiana Miranda Otto - à direita na foto). Ambas viveram juntas entre 1951 e 1965 e foram figuras importantes de sua época. Na década de 1950, Lota idealizou e supervisionou a construção do Parque do Flamengo no Rio de Janeiro, mais conhecido como Aterro do Flamengo. Bishop foi uma das mais relevantes poetizas da língua inglesa do século XX. Ganhou vários prêmios no Brasil, onde morou por mais de vinte anos, entre os quais o Pulitzer, em 1956, pelo livro North & South - A Cold Spring
Bruno Barreto deixou claro que a relação amorosa das personagens centrais será retratada de forma sutil para não comprometer o foco: O tema central não é a preferência sexual delas. Tratamos o assunto com naturalidade e tomamos cuidado para não sermos pudicos. Existe uma cena de sexo, de quando elas fazem amor pela primeira vez, mas é para ilustrar a relação delas. O brasileiro se diz muito liberal, mas na verdade, somos conservadores.
Glória ponderou sobre a repercussão do longa: Todo preconceito vem da falta de conhecimento. Sempre que se coloca um assunto na roda, ele é debatido e isso é bom. Espero que o longa sirva para que essas pessoas vejam a temática de outra forma e não fiquem tão preocupados com a opção sexual de cada um.
O fim da trama, se me permite prevê-lo, tem tudo pra ser infeliz. Em 1967, Lota resolveu visitar Elizabeth em Nova York e, no dia que chegou, a arquiteta foi encontrada morta na cozinha com um vidro de antidepressivos nas mãos.
A estreia está prevista para 2013, o filme será quase todo falado em inglês e terá como cenário o Rio de Janeiro, Pedro do Rio (Petrópolis), Nova York e Veneza. Os integrantes começarão os trabalhos mesmo sem a obtenção total dos recursos: É a primeira vez, em 50 anos da nossa produtora, que vamos começar a rodar um filme sem o orçamento fechado. Mas esse era o único período disponível para as atrizes gravarem. Espero que o Eike Batista, o messias do Rio, e outros investidores que olhem para nosso projeto, desabafou Paula.
Vamos torcer para que Eike atenda ao apelo para que essa maravilha de filme chegue logo às telonas.
Fonte: IG 

6 comentários:

  1. Espero que consigam a verba. É preciso que filmes com a temática sejam acessíveis ao público comum, para que, as mentes se abram e deixem o sexo para se concentrarem no afeto, comum entre os humanos, independente de gênero.
    abraços querido

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  2. Meio pobreza isso, né! Lembro de um post em que você falava sobre o “Pink Money”. Será que esses empresários não entenderam o poder (e o tamanho!) ao menos desse “público”? Apesar de que alguém do “naipe” do Bruno Barreto (enturmadíssimo, ao que consta) não vai ter tanto problema pra completar o orçamento.

    Beijos, meu lindo.

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  3. Na torcida para que esse projeto seja um sucesso!

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  4. pois é, também não me surpreende em nada...

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  5. Apesar de não me surpreender esse conservadorismo, esse preconceito e essa falta de ousadia toda, eu não consigo não ficar indignado com essas coisas. Francamente!

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