Desde sexta-feira, 1 de junho e até o dia 8, está rolando o 22º Cine Ceará em Fortaleza. O festival de cinema ibero-americano inclui na programação nove longa-metragens de diversos países dentre os quais sete inéditos. Na abertura, o ator Marco Nanini foi homenageado pelo festival representado por Luiz Carlos Barreto, um dos presidentes de honra (o outro é Fernando Birri).
O ator se disse honrado durante a homenagem, mas, antes da cerimônia de abertura, houve uma coletiva de imprensa na qual foi questionado sobre o fato de ter assumido a sua homossexualidade em 2011.
Polido e discreto, como sempre, Nanini não fugiu da pergunta. Explicou que a orientação sexual é algo pessoal e desinteressa aos outros - ou deveria - e que não há um porquê para falar sobre isso em público, a não ser por uma razão: a homofobia. Em razão da crescente violência contra os gays, o ator sentiu alguma necessidade de revelar. 

Leia a seguir as suas declarações.
  • Tive vontade. Foi a simplicidade que saiu [a revelação]. Também porque há uma questão de homofobia que vem crescendo e é perigosa. Que não precisa ter.
  • Não gosto da história de você ter que colocar a estrela rosa. Acho isso cafona (risos). Você botar um crachá para dizer [que é homossexual]. O que interessa se você é gay, gordo ou magro?
  • Havia sempre uma pressão de algum tipo de revista que precisa abordar esse assunto e eu não gosto de responder essa pergunta assim. Não é por nada, só não é do meu temperamento.  Achei que com esse momento de homofobia crescente eu precisava me colocar. Senti necessidade de me colocar. Era importante.
  • Também o que que interessa o que um senhor de 64 anos faz embaixo das cobertas (risos)? Interessa que você não pode humilhar nenhuma criatura e nem bater com uma chave de fenda seja em quem for. Isso que é esquisito. Bater porque é isso ou aquilo. Discriminar porque é pobre, ou é burro, ou porque não tem cultura, ou porque tem.

Fonte: IG

5 comentários:

  1. E precisava dizer que era gay? Please!!!!

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  2. Concordo,existe a postura política que é assumir posição, uma espécie de resistência, ou contra-cultura, infelizmente necessária. Acontece com os judeus, negros, etc. onde a auto-afirmação é uma questão política, e nem vou usar o termo: minorias, porque nunca fomos um país de hegemonias.

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  3. Digna a postura dele. Discrição eu gosto e vida sentimental/sexual é assunto que pede isso. Pra virar bandeira tem que ter um bom motivo.

    Abração.

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  4. Nada como um homem sensato para colocar as coisas devidamente nos seus lugares. Realmente o que qq um tem a ver com o que acontece debaixo(ou não, rs), dos lençóis de outro? É de foro intimo. E melhor, falou quando necessário, a homofobia mata, e não só de medo. Infelizmente.
    Abraços Jr

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  5. Eu achei muito bacana. Ninguém é obrigado a ser martir de uma causa. E ele, vendo de fora, soube conciliar a própria vida e a contribuição com a causa LGBT (quando sentiu que era um momento em que ele poderia coordenar as coisas em equilíbrio). Muito digno, mesmo!

    Beijos!

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