O Turismo GLBTT apresenta-se como um segmento em desenvolvimento e demonstra que vem alcançando espaço no mercado turístico. A segmentação em locais específicos para homossexuais pode se mostrar relevante para os que não desejam assumir publicamente sua orientação sexual, tendo, assim, locais reservados, onde podem vivenciar suas relações. Por outro lado, essa segmentação pode distanciar cada vez mais os grupos e aumentar o preconceito na sociedade, o que não é favorável para as pessoas e nem para o turismo.
Para os viajantes homossexuais, uma das coisas que se deve saber é se o país que se quer visitar é 'gay-friendly', expressão de origem inglesa referente a lugares, política, pessoas ou instituições que procuram criar um ambiente amistoso ao público LGBTT. É uma implementação gradual tanto dos direitos homossexuais - da aceitação de políticas de apoio no trabalho e nas escolas - como no reconhecimento de gays e lésbicas como consumidores de gostos específicos para empresas. Algumas cidades 'gay-friendlies' conhecidas são: Londres, São Francisco, Sydney, Tel Aviv, Berlim, Rio de Janeiro, mas há tantas outras pelo mundo.
Ninguém quer acabar na prisão por demonstrar afeto com seu parceiro. Há uma abundância de sites por aí que podem lhe dar bons conselhos sobre isso. A escala em que a homossexualidade é aceita varia em diferentes países, mas a maioria das cidades ocidentais tem algum tipo de cena gay. Fora do mundo ocidental, exige-se o exercício da cautela, especialmente em países mais conservadores ou muçulmanos, como a Malásia, Indonésia e, óbvio, o Oriente Médio. Dê uma olhada ao redor. Observe se há outros casais do mesmo sexo. Não? Então, deve-se, é claro, respeitar os costumes locais. Mas, em todo caso, websites e fóruns de viagens são os melhores amigos do viajante gay.  Se você tiver certeza  de que vai agir  como é normalmente – homossexual – onde quer que esteja, receber conselhos de alguém que já esteve no local a ser visitado é uma das melhores maneiras de se precaver.
O site CouchSurfing tem um artigo dirigido aos gays, lésbicas e bissexuais, intitulado “Dicas para Viajantes GLBT”. Dentre as dicas destacadas no pequeno manual estão: (i) conhecer comunidades virtuais voltadas aos LGBTT’s, como a 'Queer Couchsurfers', dentro do próprio site; (ii) lembrar-se que as cidades maiores são mais tolerantes; e (iii) tentar preservar a segurança, não expondo um comportamento muito diferente daquele dos habitantes locais. Pesquisar em sites e revistas gays locais é outra dica.
O 'CouchSurfing' é um site de relacionamentos no qual os membros conversam e se dispõem a oferecer hospedagem gratuita aos viajantes em busca de intercâmbio cultural e troca de experiências. Se você não quiser oferecer o seu “sofá”, pode escolher a opção “coffee or a drink” (café ou uma bebida), que consiste em marcar um encontro com esse viajante para lhe apresentar sua cidade ou região. Desde 2004, mais de dois milhões de couchsurfers (como são chamados os membros dessa rede), representando 237 países, estão dispostos a fazer novas amizades. E dentre eles há um público gay bem grande. Vale a pena se cadastrar e conhecer essa ferramenta.
Outra possibilidade é o site de relacionamentos Gayromeo. Além do objetivo de reunir gays e bissexuais para relacionamento, o site conta com uma ferramenta chamada “hospedagem”, caso o membro tenha disponibilidade de ceder espaço de sua residência para turistas em sua cidade. Alternativamente, você poderá criar um anúncio para que outras pessoas confiram os seus planos de viagem. Com isso,  muita coisa pode acontecer, como dispor de alguns dias para dividir sua cama, praticar outro idioma com o nativo, apresentar pontos turísticos da cidade, points gays, o intercâmbio cultural, enfim, sempre usando o bom senso e as orientações de segurança indicadas nos sites. Não será difícil, dessa forma, viver uma experiência  cultural significativa e até amorosa. O que se tem notado é que a maioria dos sites internacionais de relacionamento gay está ativando esse recurso para que o intercâmbio aumente e possibilite economizar durante a viagem.
Para concluir, coloco que o mais importante não é para onde se vai, mas a viagem interior que cada um pode e deve realizar ao visitar lugares e pessoas novas. E ninguém melhor para ilustrar isso do que Fernando Pessoa. Ele, através de seus heterônimos, ilustrou tão bem as transformações interiores: 
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
Por Harley Flausino, colunista do Identidade G.
[Postagem anterior do Mochilão IdG, aqui. Próximo tema: Albergues. Clique aqui pata ler]

8 comentários:

  1. Amei o post Harley. Conheço pessoas do CS e realmente parece ser uma comunidade boa e confiável. A citação de F.Pessoa fechou com chave de ouro. Parabéns.
    Abraços

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  2. ninguém notou como o primeiro e o segundo parágrafo dizem coisas completamente opostas?

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  3. Que bom que você consegue sintetizar em um texto informações e condições opostas que coexistem na VIDA REAL. Para pessoas que são simples ao ponto de serem sofisticadas, a sua matéria é impressionantemente dinâmica e enriquecedora. PARABÉNS HARLEY!

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  4. Foxx,

    por favor, aponte as oposições que não dão um sentido ao texto. Assim, ficarei grato em poder aperfeiçoar minha escrita.

    Abraços,
    Harley.

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  5. Harley: ficou ótimo o seu texto, parabéns! Bem de acordo com o estilo do IdG... informa, disponibiliza links, complementa, enfim, oferece uma panorâmica do que é relevante para o assunto.

    Aguardando os próximos...

    Beijos.

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  6. Obrigado pelo feedback, pessoal!

    Através dele posso aperfeiçoar o trabalho e oferecer, cada vez mais, algo com qualidade para vocês.


    Abração,
    Harley.

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    Respostas
    1. onde voce sugere que eu faça um passeio (gay) ?

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