Através deste meu primeiro artigo na coluna, quero dizer inicialmente o quanto me é gratificante poder divulgar a prática do 'Mochilão' ou 'Backpacker' e o quanto em riqueza pessoal ele  pode nos proporcionar. Segundo, possibilitar o encontro e estimular os seguidores do blog a conhecer esse estilo de trip.
Meu primeiro mochilão foi na cidade perdida dos Incas, Macchu Picchu. Antes de chegar nela, muita coisa interessante aconteceu, até porque o segredo da felicidade não é o destino, mas sim o caminho. Contudo, nesse primeiro artigo, ainda não vou relatar minhas aventuras particulares, isso virá em um futuro próximo. Por enquanto, vou inserir os leitores no universo mochileiro, em seguida, falarei sobre os principais destinos de quem “se joga” nesse tipo de aventura. Depois dessa fase, criarei artigos mais intimistas relatando  aventuras pessoais e as dos colaboradores. Ficarei muito  feliz com as participações.
Tradicionalmente, há duas maneiras para os turistas realizarem uma viagem. Uma delas é a saída normal de férias procurando pacotes e roteiros tradicionais, e quando o turista é homossexual pode, se quiser,  procurar um  "destino gay" como cruzeiros, resorts e hotéis os quais são destinados a esse público e criados exclusivamente para o pink money. A outra, o mochilão, é colocar uma mochila nas costas, com pouco dinheiro no bolso, muita coragem no coração, sem nenhum preconceito e estar sempre de coração aberto para novas aventuras e novos amigos. 
Viajar com o compromisso de acordar na hora marcada para não perder o café da manhã do hotel, encontrar o grupo da excursão logo cedo para ir ao primeiro museu, ter uma horinha para ver as obras, almoçar em tal restaurante escolhido pela agência e já sair correndo para conseguir ver o máximo das atrações turísticas locais. Com certeza, isso não preenche mais aquela pessoa que deseja sentir tudo o que a palavra liberdade trás em sua essência. Mochilar é optar em sair dos pacotes turísticos e idealizar sua viagem, desde o planejamento à realização, transformando tudo em um aprendizado que se completará com um verdadeiro intercâmbio de conhecimentos e experiências. Muitas vezes, viajar sozinho para aumentar o autoconhecimento e descobrir, no mochilão, que quando você se ama plenamente, nunca estará sozinho. Foi o que descobri, por acaso, decorrente do “fora” que tomei de um affair. Na época, planejávamos viajar juntos e, devido a isso, viajei sozinho. Saí do convencional. Afinal, se queremos mudanças em nossas vidas devemos primeiramente mudar nossas atitudes.
Pouco dinheiro no bolso não significa passar necessidades básicas durante a viagem. Embora muitos que praticam o mochilão o fazem com pouco recurso financeiro, se entregando à sorte do caminho, o objetivo aqui é mostrar as opções com custo baixo, mas com benefício alto. O conforto é mínimo, mas, por outro lado, você terá conhecimento de novas culturas e muita aventura. Darei dicas de hostels, também conhecidos como albergues, que são as alternativas mais baratas do que os  hotéis e outras hospedagens tradicionais. Os hostels também proporcionam a possibilidade de conhecer viajantes do mundo inteiro e quem sabe até rolar uma 'pegacion' gringa. Mesmo no Brasil! 
Ainda vou apresentar a cultura gay local dos destinos a serem postados, como baladas, festas e restaurantes. Sempre visando o baixo custo e assim mais recursos para novas viagens e destinos ao mochileiro.
Bom, qualquer mochileiro que tenha, sexualmente, preferência por pessoas do mesmo sexo, é ciente que dificilmente encontrará em suas 'mochiladas' outros iguais - mochileiros homossexuais. A sociologia, a antropologia e a psicologia ainda têm muito campo para explorar sobre a tendência dos homossexuais assumidos se “isolarem” em guetos ou em uma linguagem específica desses grupos.  O desejo mais comum entre os homossexuais é viajar e conhecer lugares gays, com bares e restaurantes gays, hotéis de alta categoria, uma praia na moda ou uma balada frequentada por famosos. Eles não querem viajar em ônibus para admirar a paisagem, conhecer ruínas pré-históricas do terceiro mundo, frequentar festas locais para imersão na cultura nativa e assim por diante. Cada um a sua maneira, mas o que se nota é que, os que querem viajar ao estilo mochilão, muitas vezes esbarram na “camuflagem heterossexual”. Os mochileiros homossexuais adotam tal conduta para circularem em ambientes frequentados na maioria por heterossexuais ou  os “camuflados”.
De qualquer forma, é muito bom viajar. É ótimo ter liberdade para sair do convencional, gastar pouco, conhecer novas culturas, novas pessoas, paquerar ou namorar um nativo da região onde se está conhecendo, afinal: 
Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver (Amyr Klink)
Esse artigo foi apenas a estreia, a minha apresentação na coluna 'Mochilão IdG". 
É a introdução desse tema super rico, pouco explorado pelo público LGBTT e um convite aos leitores que se identificarem. Contribuam com relatos, dicas e sugestões para criarmos aqui um grande intercâmbio de informações, experiências e aventuras. 
O próximo artigo será sobre fóruns e sites que reúnem informações e comunidades direcionadas ao mochileiro LGBTT. Tentarei mostrar como essas ferramentas podem ser utilizadas também para se conseguir um affair sem, se for o caso, a necessidade de sair de sua cidade. 
Me despeço por enquanto e aguardo vocês aqui, comigo, no Identidade G.
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Sobre Harley Flausino, clique aqui.


10 comentários:

  1. é uma alternativa e tanto para se bem viver mas eu, confesso, não tenho mais apetite para esta prática ... coisa da idade mesmo ... mas mesmo assim, não sendo um mochileiro gosto de viagens alternativas, com estilos alternativos, q me proporcionem uma imersão no mundo e no sub-mundo cultural, com ênfase primeira para as relações humanas ...

    Parabéns pela postagem ... magnífica ...

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  2. gente, não entendi pq tanto preconceito. pre-conceito mesmo! agora preciso inclusive perguntar se o Harley é gay, pq ele generalizou os gays de um jeito que parece q ele conhece uns 5 que são todos iguais.

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  3. Olá,Paulo!

    Eu concordo e percebo claramente, o que você comentou sobre a falta de apetite para esse tipo de viagem, pois à medida que vamos ficando mais maduros diminuímos nossos
    impulsos aventureiros e cheio de adrenalina para atividades mais contemplativas e pacíficas ao espírito. Isso já acontece um pouco comigo.Porém, nas minhas viagens também vejo muitas pessoas que já atingiram seus 60, 70 anos de idade,fazendo mochilão. Acho isso fantástico. Mais fantástico, ainda, foi quando encontrei no Deserto do Atacama, um casal na faixa dos 70 anos, Holandeses, fazendo um mochilão que já durava 6 meses e ainda pretendiam que durasse mais alguns.E também ,como exemplo, saiu em uma reportagem,recente, um homem com 95 anos fazendo um mochilão, que pode ser seu último, pela Europa. Abaixo indico o link da reportagem. Só espero encontrar cada vez mais, daqui pra frente,homossexuais fazendo esse tipo de viagem e os mesmos possam se encontrar e comungar esse tipo de experiência entre si.
    Obrigado pela manifestação!

    Abraços,
    Harley.

    Link: http://pop2010.pop.com.br/popnews/noticias/poptrash/762306-Mochileiro-mais-velho-do-mundo-embarca-em-sua-ultima-viagem.

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  4. Olá, Foxx.

    Em momento algum eu generalizei os gays, inclusive com as limitações de não estar escrevendo uma tese para especificar todas as minhas afirmações. Eu tive o cuidado de usar a palavra 'tendência' e 'mais comum',justamente, para evitar a generalização. Mas esse tema envolve isso, é uma minoria da minoria entre os gays que tem afinidade por esse estilo de viagem. Essa foi a minha motivação para escrever nessa coluna.E para comprovar mais uma vez que não generalizei existem vários estudos e estatísticas comprovando sobre o aumento do Turismo GLBTT crescer em torno das característica que mencionei como 'tendência' e 'mais comum', pois a demanda para esse tipo de turismo é muito alta entre os homossexuais. Espero que com o tempo essa imagem de generalização diminua pois como eu disse existem limitações técnicas que só podem esclarecidas ao longo das postagens.

    Abraços,
    Harley.

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  5. Oi Harlei... adorei sua postagem. Ser mochileira sempre foi um dos meus sonhos, infelizmente, como disse o Paulo, agora mais difícil por uma questão de idade ou outras infinitas "desculpas"..(rsrs). Mas com certeza "viajarei" através de suas postagens e aguardo com ansiedade a próxima.
    Abraços e ate mais

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  6. Irei acompanhar e adorei a citação que você nesse primeiro post. Nada como sentir na pele, como vivenciar certas formas de ser, de fazer, para valorizar, para ampliar o universo particular.
    Boa sorte na coluna!

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  7. Olá, Augusto!

    Poderíamos dizer que se este tema estivesse nas suas leituras ele seria a carta do Louco ? Eu particularmente me identifico muito com ela..rs

    Abraços,
    Harley.

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  8. OI Harley, adorei seu post concordando com alguns pontos descordando de outros , mas podemos discutir esses pontos em uma mochilada por ai, sentados a beira de uma fogueira :)
    Eu e Mariposo-r quando temos oportunidade colocamos o pé na estrada com a mochila pesada... mas nunca deixamos o cartão de credito em casa nessas horas .. deixa a aventura mais agradável :)

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  9. Olá, Mariposo-L!

    Será o maior prazer poder desfrutar de um mochilão com vocês, um dia. E como também adoro discordâncias, pois com elas me lapido, tenho certeza que será uma oportunidade incrível. Em relação ao cartão de crédito, concordo plenamente, até porque quero "dismistificar" o mochilão como algo desprovido do conforto proporcionado pelo dinheiro. Eu quero, no caso, mostrar um estilo de viagem desapegada de roteiros e estilos convencionais.Com pouco custo, não menos, qualidade.

    Abraços,
    Harley.

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  10. É isso ai meu querido, bem O louco do taro ser mochileiro. E no seu aspecto positivo, afinal, nada como se lançar ao novo.Abs!

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