[Por Júnior Miranda]

Está lá, no artigo I da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Porém, há pouco mais de um ano, tive esse direito repudiado quando fui impedido de beijar outra pessoa simplesmente pelo fato de sermos do mesmo sexo. 
A situação aconteceu num estabelecimento público e, no mesmo local, casais heterossexuais se beijavam livremente, alguns inclusive numa coreografia de tensão sexual explícita. Quando fui comunicado pelo dono que “algumas pessoas” se sentiam incomodadas com o beijo, me dei conta, da maneira mais cruel, que o preconceito existe e faltam referenciais para a legitimação da homossexualidade na ambiência de normalidade. Historicamente, pessoas do mesmo sexo foram obrigadas a viverem suas relações na obscuridade, segregados a esquinas e quartos escuros. 
A cultura cristã demoniza a homoafetividade, mas como se trata de uma formadora de opinião com legitimação divina, consegue impedir, através de seus discursos e campanhas, que leis - como a que criminaliza a homofobia - sejam colocados em práticas em nosso país. Por conta disso, permite que casos de violência física e simbólica fiquem impunes. Ofender uma pessoa por sua condição sexual, assim como pela sua etnia ou raça, é ofender a dignidade humana e suprimir seu caráter individual, com a diferença de que as leis anti-racismo impõem penas severas e são inafiançáveis, enquanto ofender um homossexual não passa de uma simples piadinha - como diriam alguns. 
São essas “brincadeiras” que levam a crimes motivados pela intolerância: num dia fazem piadas, no outro se acham no direito de bater e, posteriormente, matar. A mídia que divulga, por vezes pavorosa, os crimes praticados pela intolerância sexual é a mesma que não mostra pessoas do mesmo sexo se beijando. Ela compactua com as sombras, local este relegado para a demonstração do amor entre iguais. 
Sejamos capazes de sair da obscuridade relegada, das cavernas de nossos próprios medos e nos mostremos à luz do dia, para onde o arco-íris da diversidade seja capaz de alcançar os calabouços mentais dos preconceituosos.
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2 comentários:

  1. Acho que este trecho fala tudo: "A mídia que divulga, por veze pavarosa, os crimes pela intolerância sexual é a mesma que não mostra pessoas do mesmo sexo se beijando."
    E acrescento mais: existem gays que são a favor disso, ou seja, acham que não devem mesmo mostrar cenas de beijo gay por causa das crianças.Como assim? Então será que realmente este tipo se aceita mesmo como tal?

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  2. Nossa, eu gostei desse tema porque me fez lembrar de alguém que se dizia não ter absolutamente nada contra homossexuais mas fazia questão de repreender se visse uns amassos entre casais do mesmo sexo..

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