Mais da metade de Avenida Brasil se foi e o personagem, Roni (Daniel Rocha) - até as pedras já sabem que ele é gay -, ainda vive no armário. Todavia, o destino do rapaz parece ter sido traçado por João Emanuel Carneiro, autor da novela: Roni será um feliz gay no armário.
Nos próximos capítulos, Roni se destacará numa partida durante os treinos do Divino Futebol Clube e um olheiro se interessará pelo jogador. O problema é que o empresário tomará conhecimento da sexualidade do rapaz e desistirá de negociar o seu passe. Roni tem uma ideia que pode reverter a situação. Ele pedirá Suelen (Isis Valverde) em casamento. Confira o diálogo dois dois no final dessa postagem. 
O resumo da ópera é que Roni se tornará um bem-sucedido jogador de futebol e se casará com Suelen. De quebra, realizará o sonho da Maria-chuteira assumida.
Aguardemos agora o desfecho disso no último capítulo (na última semana, vai). Quem sabe, o casal surgirá abraçado, ambos lindos, louros e contentes, trajados de gala numa balada chiquérrima. Eles olharão pros lados até encontrarem o melhor homem da noite. De comum acordo, rebocarão o bofe pra casa para o ménage à trois que possibilitará o coito entre Roni e Suelen. Assim, ambos providenciarão o primeiro dos muitos rebentos. Que lindo. 
Quem dera que fosse assim, pelo menos seria ousado. Mas creio que será algo parecido (convenientemente adaptado).
Por um lado, temos que tirar o chapéu para o autor da trama. Cauteloso e esperto, desde o inicio da trama, ele liberou as informações sobre a suposta homossexualidade de Roni. Com o desenrolar e, principalmente, o sucesso dos personagens centrais, como Carminha (Adriana Esteves) e Nina/Rita (Débora Falabela), Roni foi ficando de lado, servindo de gancho ao núcleo cômico.
Qual é a novidade de um personagem gay no armário? Ou melhor, pra quê? Guardadas as devidas proporções, esconder a homossexualidade para conseguir o emprego numa empresa ou para se tornar um grande atleta, tem a mesma importância para o sujeito que precisa sobreviver e pagar as contas e o jogador de futebol que obtém a grande oportunidade, respectivamente.
Contudo, a pergunta para o que estamos aqui abordando é: isso acontece na vida real? Sim, é comum. Mas estamos falando de novela e, nesse universo, não há espaço para o trivial; para personagens insípidos. Ou melhor, até há, mas para alavancar/realçar outros com uma estória curiosa a ser mostrada: os protagonistas . 
Personagens de livros ou folhetins se sobressaem quando há neles algo perturbador, dramático e/ou polêmico. A controvérsia serve para o leitor/espectador experimentar uma situação inusitada com a qual ainda não se deparou. Ou, por outro lado, se já viveu, ele quer conferir como o fulano lidará com aquilo.
Com quantas mulheres iguais a Carminha ou a Rita/Nina você convive? Nenhuma? Por outro lado, quantas pessoas apontadas como gays/lésbicas você conviveu ao longo de sua vida (desde criança)? Quantas vezes ouviu alguém apontar e dizer que beltrano é gay enrustido ou fulana parece sapata? 
Viver no armário, a esmagadora maioria dos gays sabe muito bem como é. O que queremos/precisamos ver/aprender é a melhor forma de sair dele. Feliz, de preferência.
Você compraria um livro cujo título fosse: "Como Viver Feliz No Armário"? Se pretende ler algo assim, o que espera encontrar? Certamente algo do tipo: Viva como heterossexual, tenha amigos héteros, case-se, tenha filhos e providencie um amante. Se prefere não arriscar tanto, poderá frequentar saunas gays. Há bofes de todos os gostos por lá. Você pode ser muito feliz assim.
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Confira agora o diálogo entre Roni e Suelen. A cena será exibida nos próximos dias (transcrito do site BOL Notícias) .
Roni – Eu vim aqui pra te propor uma parada, Suelen. Acho que você vai levar um susto... Quer casar comigo?
Suelen [presa e hospitalizada após o tiro que levou para salvar Roni da emboscada] – Ficou maluco?
Roni – Meu pai sempre diz “negócio é bom quando é bom pras duas partes”. E esse casamento pode ser um bom negócio pra mim e pra você.
Suelen – Não vejo como...
Roni – ...Casando comigo você pega cidadania brasileira e não precisa ser deportada pra Bolívia. E eu sei que você não quer voltar pra lá...
Suelen – Até aí tamos de acordo. Mas e você? Aonde é que você entra nisso? Vai se amarrar nessa ariranha aqui, logo você, que nós sabemos que não é chegado...
Roni – Casando eu ganho um apê do meu pai e saio de casa, realizo o sonho da minha vida. Sem falar que me economizo de mil problemas na minha carreira, com o pessoal do bairro que fala que eu sou gay, com todo mundo!
Suelen – Casamento de fachada, é isso?
Roni – É a perfeição pra nós dois! Pensa bem: você vai poder ficar com quem quiser, sem problemas. E eu vou poder sair da casa do meu pai, levar a minha vida. Você não é mulher de casar, Suelen!  Tem que casar comigo!
Suelen – Vai ver eu não casei ainda porque não encontrei o cara certo.
Roni – Suelen, não existe “o cara” certo pra você.  Você não se relaciona com unidade nesse caso, teu negócio é o coletivo, uma dúzia de machos, no mínimo!
Suelen – Tá, tá certo. Dou o braço a torcer. Se isso rolasse, já pensou como o Leandro ia reagir?  Ele me propôs casamento também. Eu que não quis.
Roni – Não dá pra pensar em tudo agora. Então, é sim ou não?
Suelen – Isso é uma decisão muito séria, Roni!
Roni – É nada, boba!  É uma oportunidade!
(...)
Suelen – Quer saber Roni, já pensei! Você me convenceu. Eu topo!
Roni – É isso aí! Maravilha! Casados! Amanhã eu passo aqui pra te pegar.
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Roni - Pai, precisamos ter uma conversa séria. Acordei pensando como é que eu vou dizer isso pro senhor... Eu sei que o senhor vai achar muito estranho....
Diógenes [achando que o filho vai revelar que é gay] -  Eu... Eu sempre sou a favor que a verdade seja dita... E seja o que for que você vá me dizer, meu filho, saiba que eu vou estar do seu lado. Sou seu pai e eu te amo. Desde que você nasceu, você foi a maior alegria que eu tive nessa vida... De forma que, pra mim, o que importa é que você seja feliz. Só isso importa, meu filho!
Roni [emocionado com a declaração do pai] - Eu vou me casar com Suelen.
Diógenes – Mas Roni, você vai casar logo com a ariranha, com a criatura que você mais odeia na terra?
Roni – O senhor não vive dizendo que eu tinha que arrumar uma mulher pra mim? Que assim eu ia ser mais respeitado no bairro? Que até pra minha carreira ia ser bom?
Diógenes – Mas e ela? Ela não vai topar isso nunca!  Que eu saiba aquela mulher te odeia!
Roni – Ela aceitou o meu pedido de casamento.
O filho pede para o pai liberar o apartamento em cima da loja para ele morar com Suelen. Diógenes libera, mas fica zonzo com a informação.

9 comentários:

  1. por tudo isto querido é q definitivamente perco o meu tempo vendo folhetins ou coisas do gênero na tele-dramaturgia nacional, em especia na aldeia global ...

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  2. engraçado que estes mesmos autores são em sua maioria gays assumidos mas na hora de escreverem preferem colocar seus personagens no armário. com certeza a culpa é da globo que deve os proibir de irem adiante. em "a favorita" o mesmo autor transformou um personagem gay em hetero!
    nem perco mais meu tempo com este assunto porque já deu o que tinha que dar. não vai pra frente e só serve pra dar ibope pra emissora!

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  3. Seria legal se o autor conseguisse mostrar o quanto um casamento de fachada pode fazer uma pessoa infeliz. Aí sim, a discussão entra noutro nível...

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  4. O Cara Comum disse tudo: pra valer a pena só se for essa abordagem. Só não vale o carinha descobrir o hetero adormecido dentro dele... seria demais! (kkkkkk)

    Beijos.

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  5. João Emanuel Carneiro tem uma imensa folha corrida de homofobia.Desde a sua primeira novela,Da Cor do Pecado,que o discurso de mães e pais ratificando a homofobia é acentuado.Ele tambem é useiro e vezeiro em converter gays em "héteros"...O engraçado é que a tchurminha do ativismo virtual c... e anda pra ele,mas vive martelando em Agnaldo Silva,que derrapou feio em Fina Estampa,mas tem a seu favor inúmeros personagens gays e digos como o Uálber de Suave Veneno e o Bira de Senhora do Destino...
    Curioso...

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  6. Masculinização ou efeminização. Essas duas palavras extremistas são as únicas que podem caracterizar o perfil dos gays nos folhetins brasileiros. O primeiro busca um perfil de gay mascarado, masculino e muitas vezes descontextualizado da realidade dos homossexuais da vida real, como no caso desse personagem da novela acima, a qual eu nem sequer assisto. O segundo, e bem mais comum, é o perfil "bicha louca" dos gays, feito Clô, da última novena global. Vazio, pejorativo, caricato, ele, como muitos outros não focam na personalidade homossexual nem tão pouco tratam de assuntos comprometidos na defesa destes...lamentável!

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  7. Caracas ele vai fica com a suelen que legal eles dois viviam brigando agora sim a novela vai ficar legal

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  8. O personagem protagonista deste enredo, por incrível que pareça, é o futebol e dentro deste contexto para a sua sexualidade,O Rony, assim se cria o conflito quase mudo, pouco revelado, dos bastidores do esporte, e será uma pena não tratar deste assunto com profundidade;digo isso, por que sou fã da novela e nunca vi textos tão bem construídos em cenas de família junto com improvisos de nossos grandes atores, além de tratar da homossexualidade em seu lugar comum,fora dos guetos e boates.

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  9. Eu não sei pq vcs acham q o Roni é gay. Ele nunca foi gay. Ele era apenas um menino virgem. E que gostava muito do amigo e que amava a Suelen <3 ¬¬

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