Mahatma Gandhi (l.) em 1908, no auge de sua relação com Hermann Kallenbach (à direita), que se mudou para a África do Sul, onde Gandhi viveu em 1895. (Knopf; ISA SARID / GandhiServe- via Chelsea Now)
Quando o historiador Joseph Lelyveld lançou a biografia Great Soul: Mahatma Gandhi And His Struggle With India (Alma Grande: Mahatma Gandhi e Sua Luta na Índia), alguns políticos indianos vetaram a distribuição sem sequer lerem o livro.


O livro foi proibido porque afirma que Gandhi, ao longo da vida, foi apaixonado pelo fisiculturista Herman Kallenbach, um solteirão judeu-alemão.

Durante 41 anos de amizade, os dois homens teriam escrito cartas cada vez mais gays um ao outro nas quais discutiram ideais e trocaram bajulações/admirações mútuas.

O "The Wall Street Journal" publicou no último dia 14 que as cartas (mais de mil) seriam leiloadas em Southeby, Londres, mas o governo indiano teria pago mais de 1,28 milhão dólares para deter o leilão e conservá-las nos Arquivos Nacionais, de onde talvez nunca mais poderão ser vistas.

Segundo o site Chelsea Now, em carta escrita em um hotel de Londres em 1909 - durante viagem para pressionar autoridades britânicas -, a paixão de Gandhi com Kallenbach é clara: 
Seu retrato (o único) fica na lareira do meu quarto. A lareira está do lado oposto da cama. Lã de algodão e vaselina são um lembrete constante. Nos mostram quão completamente meu corpo foi possuído por você...
Dois anos mais tarde, Ghandi propõe um acordo ao amigo com toques de gracejo. Provocante, usa termos estranhos os quais eram comumente empregados nas cartas. Ele escrevia 'casa superior' para se referir a si próprio e 'casa inferior' quando mencionava Herman. O religioso faz o seu  objeto de desejo prometer não olhar com cobiça para qualquer mulher e não firmar qualquer laço matrimonial durante sua ausência: Desse modo, ambas as casas garantem mais amor, muito mais amor. Um amor nunca antes visto no mundo

Após a morte de Kallenbach, Gandhi queimou grande parte das cartas (as que iriam a leilão estavam com a sobrinha-neta de Kallenbach). O autor do livro,  Lelyveld, alegou que Gandhi simplesmente honrou o desejo do amigo que não desejava ser visto com outros olhos.

O jornalista da matéria do Chelsea Now, no entanto, sugere que Gandhi pode tê-las destruído por medo de que pudessem ser apreendidas em caso de sua prisão e usadas para acusá-lo de homossexualidade (crime na época). Tal acusação poderia gerar descrédito ao seu movimento contra o governo imperial britânico.

O governo indiano pode ter comprado as cartas não para esconder a possível bissexualidade de Gandhi, mas para preencher uma lacuna da atual coleção de cartas escritas por Ghandi, guardadas no Arquivo Nacional.

Raj Jain, superintendente responsável pelo setor privado do Arquivo Nacional indiano, declarou: Agora não sabemos que tipo de restrição será imposta. Mas, de acordo com práticas anteriores, arquivos semelhantes estão abertos a acadêmicos e a estudantes para pesquisas e exames.

5 comentários:

  1. Antes de ser um homem que lutou por direitos humanos...ele era um homem. E é natural no homem enquanto ser, amar e ser amado, independente do gênero.
    Abraços Junior

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    1. 18 FATOS CURIOSOS SOBRE O PAQUISTÃO E ARREDORES, QUEM FOI MAHATMA GANDHI? http://osvaldoairesbadeeducaok.blogspot.com.br/2016/04/18-fatos-curiosos-sobre-o-paquistao-e.html

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  2. É tão importante esses exemplos de que a sexualidade não está desvinculada das característica de humanitarismo, pacifismo ou algum grau de santidade. Até pq, para mim, sexualidade é condição sine qua non, para que o ser humano exista plenamente.

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  3. E viva o amor! (2)
    ps. Carinho respeito e abraço

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