Há um ano, quando falávamos sobre a sexualidade do jornalista e apresentador da CNN, Anderson Cooper, ainda era especulação (aqui). 

De lá pra cá, muita coisa mudou. O "talk show" que o jornalista criou em seu blog nem havia estreado e hoje é sucesso, ele completou 45 anos e agora exibiu ao vivo parte do corpinho, na medida, trabalhado numa [luva de] tatuagens - muitas tattoos.

E o mais legal foi ele ter revelado, enfim, que é gay: "O fato é que sou gay, sempre fui, sempre serei, confessou o bonito ao jornalista do 'The Daily Beast'.

Cooper sempre foi conservador quando se trata de vida pessoal e da aparência. As duas luvas de tattoos ostentadas em seu talk show foi brincadeira para descontrair o clima na entrevista com o tatuador Ami James, estrela do 'NY Ink'. Ami ficou conhecido no Brasil quando participava do reality show 'Miami Ink', transmitido pelo extinto canal 'People And Arts'.

Revelar-se gay não foi um rompante do jornalista. Ele foi solicitado por outro jornalista - 'The Daily Beast', Andrew Sullivan -, por email, a se manifestar sobre o fato de as atuais celebridades gays assumirem a sexualidade de forma mais contida e factual do que acontecia no passado. Cooper, então, percebeu ali uma oportunidade para abrir o tema mais que o esperado. Leia a seguir.
Andrew, (...) tenho tentado manter um certo nível de privacidade na minha vida e parte dessa decisão tem sido por razões puramente pessoais. Acho que a maioria das pessoas quer um pouco de privacidade para si e às pessoas próximas.Mas isso também tem  relação com a profissão. Desde que comecei como repórter em zonas de guerra, há 20 anos, sempre me vi em alguns lugares muito perigosos. Para minha segurança e a de quem trabalha comigo, tentava centralizar o trabalho contando histórias de outras pessoas, e não a minha. Descobri que o mínimo de conhecimento que o entrevistado tiver sobre mim, me garantirá o máximo de segurança e eficácia para o meu trabalho como jornalista.(...) Enquanto o jornalista mostrar lealdade e honestidade no seu trabalho, a sua vida privada não deve importar(...)
Recentemente, no entanto, comecei a considerar se os resultados não intencionais de manter a minha privacidade superam o princípio pessoal e profissional. Tornou-se claro para mim que, permanecendo em silêncio sobre certos aspectos da minha vida pessoal por tanto tempo, tenho dado a impressão errada de que estou tentando esconder alguma coisa - algo que me deixa desconfortável, envergonhado ou até com medo. Isso é angustiante porque simplesmente não é verdade.Também fui recentemente lembrado que, enquanto uma sociedade estiver se movendo em direção a uma maior inclusão e igualdade para todas as pessoas, a maré da história só avançará quando as pessoas fizerem-se plenamente visíveis. Continua havendo demasiadas incidências de bullying dos jovens, discriminação e violência contra as pessoas de todas as idades com base na sua orientação sexual, por isso, acredito, há mais valor se eu tornar clara a minha posição. Sempre fui muito aberto e honesto sobre esta parte da minha vida com meus amigos, minha família e meus colegas. (...) Eu não sou ativista, mas sou um ser humano. E não desistirei disso por ser um jornalista. Desde meus primeiros dias como um repórter, tenho trabalhado duro para retratar com precisão e justeza os gays e as lésbicas na mídia - e de forma justa e precisa retratar aqueles que por qualquer motivo os desaprovam. Não faz parte do meu trabalho debater o tema, mas sim ser implacavelmente honesto com tudo o que vejo com relação ao que é dito e feito. Nunca quis ser outro tipo de repórter que não um bom repórter e não desejo promover qualquer outra causa que não a verdade.Ser jornalista, viajar para lugares remotos, tentar entender as pessoas de todas as esferas da vida e contar
suas histórias, têm sido a maior alegria da minha carreira profissional. E espero continuar a fazê-lo por um longo tempo a vir. Apesar de me sentir tão abençoado pelas tantas oportunidades como jornalista, também me sinto abençoado além da carreira: eu amo e sou amado.Na minha opinião, a capacidade de amar outra pessoa é um dos maiores presentes de Deus e agradeço a Ele todos os dias por me habilitar a dar e compartilhar o amor com as pessoas na minha vida. Aprecio o seu pedido porque me fez refletir e eu ficarei muito feliz se você compartilhar os meus pensamentos com os seus leitores. Ainda me considero uma pessoa reservada e espero que isso não signifique o fim de uma pequena fração de
espaço pessoal. Por outro lado, acho que a visibilidade é importante, mais importante do que preservar o meu escudo de privacidade.
Caso tenha curiosidade de ver o bonito tatuado no pequeno trecho da entrevista mencionada acima (pouco mais de 1 minuto - em inglês), confira o vídeo abaixo.

video platformvideo managementvideo solutionsvideo player

4 comentários:

  1. Eu só não entendo o pq demoram tanto para dar as caras e depois ficam por aí de mídia em mídia se mostrando ... recuperar o tempo perdido? rs

    ResponderExcluir
  2. Ao contrário do meu amigo Bratz, eu entendo. Aqui é uma verdadeira colcha de retalhos de estados. Em uns, tudo é permitido, tudo é bem liberal. Em outros, se bobear vai pra força! Então eu acredito que as pessoas mais famosas fiquem com receio de se expor. Não sei se consegui me explicar (kkkkkk).

    Beijos, meu lindo.

    ResponderExcluir
  3. Em defesa do meu gatinho Cooper eu tenho que dizer que ele além de estar entre um bando de harpias ele foi comentarista em vários países mulcumanos. E ele não foi em vários programas de mídia ele deu entrevista para o Daily Beast e o Pais inteiro resolveu comentar e copiar a entrevista.

    ResponderExcluir
  4. Acho que entendo bem a posição dele, além do que, cada um tem o "seu" tempo.
    Mas, como explicou ele, quanto mais pessoas - famosos inclusive - se abrirem, mais fácil será a vida de futuros homos no mundo. É parte da "luta dele"...uma batalha vencida...nessa caminhada.
    ABraços

    ResponderExcluir

Para se cadastrar, preencha o formulário na coluna do lado direito do blog.
Seu comentário é bem vindo, desde que:
1. possua nome e link válidos;
2. não contenha cunho racista, discriminatório ou ofensivo a pessoa, grupo de pessoas ou instituições;
3. não contenha cunho de natureza comercial ou propaganda.
Grato pela compreensão.